A FIESP e a representação empresarial
por Antonio Corrêa de Lacerda
O recente episódio da “destituição” fake de Josué Gomes da Silva da presidência da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) é bastante revelador do momento institucional e político brasileira. Totalmente fora dos paramentos legais e regimentares, a serem objeto de análise e ações, quero me deter ao fundamental: há uma crise de representação do setor industrial brasileiro.
Falta uma visão estratégica do papel do empresariado industrial em um momento impar de retomada dos valores republicanos e democráticos, no qual a sociedade e suas entidades representativas exercem função fundamental. No quadro externo a reglobalização em curso, pós-pandemia e pós -guerra Rússia Ucrânia está reposicionando a localização de investimentos mundo afora, o que aliado à transição para a economia do baixo carbono, a digitalização nos apresenta desafios e oportunidades.
No âmbito interno, a recriação do Ministério da Indústria e Comércio Exterior(MDIC), comandado pelo vice-presidente da República do governo recém empossado e a nova missão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também abre importantes canais de interlocução com o setor produtivo e a formulação e implementação de estratégicas conjuntas de reindustrialização para o novo cenário.
A FIESP já exerceu importante papel histórico desde a sua criação no início do século passado, especialmente com Roberto Simonsen. No ano passado, já sob a batuta de Josué teve importante destaque na carta pela democracia, divulgada com outras entidades, em 11 de agosto.
Também na sua gestão houve importante reformatação dos departamentos técnicos e dos conselhos consultivos, o que redundou em importantes produtos, como as diretrizes de propostas encaminhadas aos candidatos à presidência da República em 2022. Mais recentemente, o próprio convite para que o presidente da Fiesp viesse a ocupar o recriado Ministério da Industria e Comércio Exterior (MDIC) denota sua liderança inconteste.
O momento exigiria, ao contrário da dispersão em disputas etéreas, a coesão do empresariado industrial em prol das medidas necessárias para recolocar a produção no centro do modelo de desenvolvimento. As experiências bem sucedidas mundo afora denotam a importância do papel do Estado, articulado com as empresas e os institutos de pesquisa na geração de valor agregado e inovação.
Será um grande desperdício de oportunidade deixar passar o momento favorável às transformações por disputas paroquiais e que pouco tem a ver com o verdadeiro papel a ser desempenhado pelos industriais paulistas.
Antonio Corrêa de Lacerda, economista e professor da PUCSP, foi membro do Conselho Superior de Economia da FIESP e lançou recentemente o livro “Reindustrialização” (Editora Contracorrente)
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José Carvalho
21 de janeiro de 2023 2:31 pmUm dos grandes entraves ao setor de indústria, está no modelo segregacionista da sociedade brasileira. Pouco se pensa o País como o todo que representa. Tal visão não permitiu que se desenvolvesse uma indústria compatível com o tamanho do Brasil, oferecendo todos os efeitos positivos ao conjunto da sociedade brasileira, estreitando a distância entre as partes da chamada “BELÍNDIA” existentes no País. Trabalhar pra melhorar, uma coisa melhorando a outra. Sem defender claramente uma ideia de indústria, as federações da indústria fazem mais uma queda de braço com os governos, reivindicando reduções de impostos e se esquecendo de procurar formas de crescimento que possam contribuir ao País. Se interessar pelo Brasil vai ser um bom começo.