4 de junho de 2026

Executivos do mercado desconfiam do governo Lula, mas indicam otimismo com Haddad

Pesquisa da Quaest ouviu os executivos do mercado, com ampla desconfiança no governo Lula, mas Haddad desponta com boa surpresa
Foto: Ricardo Stuckert

Executivos do mercado financeiro acreditam que o governo Lula está levando a política econômica do país para “a direção errada”. É o que opinam 80 investidores consultados por pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15). Boa parte deles tem desconfiança dos atuais players do governo, mas o ministro Fernando Haddad desponta como boa surpresa nas avaliações.

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O instituto ouviu um total de 82 executivos dos maiores fundos de investimentos do país. Por se tratar do maior número de representantes do setor já consultado por uma pesquisa, o levantamento é quantitativo, mas também qualitativo, ou seja, traz indícios do que como o mercado financeiro está enxergando as políticas do atual governo.

Motivos da desconfiança

Essa grande maioria de investidores que acreditam que a política econômica está na direção errada enxergam que a razão é a preocupação com “a sustentabilidade da dívida pública”.

Também avaliam (49% deles) que o superávit primário necessário para essa sustentabilidade deveria ser entre R$ 150 bilhões a R$ 200 bilhões.

Nessa linha, o governo Bolsonaro sequer produziu um superávit próximo dos valores almeijados pelos representantes do mercado. Em 2022, o governo fechou com R$ 54 bilhões, o melhor nível desde 2013. Durante os governos Lula, esse superávit tampouco chegou próximo às expectativas atuais, mas superiores aos números de Bolsonaro, com média de R$ 56 bilhões.

Segundo o diretor da Quaest, o cientista político Felipe Nunes, outra razão para a desconfiança do mercado é “a falta de preocupação do governo com o controle da inflação (68% acham que o governo não está preocupado com o assunto)”. A maioria dos executivos consultados (57%) acredita que o governo irá querer alterar as metas de inflação dos próximos 6 meses.

Outra preocupação manifestada pelo setor é sobre a capacidade de o governo aprovar as propostas no Congresso. Somente 33% acreditam que Lula tem “alta capacidade” de aprovação de pautas.

A avaliação do governo Lula pelo mercado

Ainda, há “uma indubitável desconfiança em relação aos players do governo”, aponta Nunes. Os principais personagens políticos do governo Lula – Gleisi, Mercadante, e o próprio presidente, são os que mais detêm a desconfiança do setor.

Por outro lado, Fernando Haddad, o atual ministro da Fazenda, angaria uma certa credibilidade do setor, assim como o vice-presidente Geraldo Alckmin e a ministra de Planejamento, Simone Tebet.

Haddad, por si só, está recebendo boas avaliações, com 10% de avaliação positiva dos maiores investidores financeiros do país e 52% de avaliação regular. Somente 38% tem uma imagem negativa de Haddad.

O mercado também enxergou com bons olhos a decisão do Banco Central de manter a taxa Selic no mesmo patamar, e 60% deles acham que a taxa atual é a ideal para o país no momento.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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4 Comentários
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  1. Anônimo

    15 de março de 2023 2:44 pm

    Eles precisam se preocupar mesmo é com a onda de quebradeira geral – em verdade, de confirmação de quebradeira – que está chegando. O Credit Suisse ainda é um tênue sinal. O dinheiro de fumaça aparecendo com isso: fumaça.

  2. Célio Ferreira Facó

    15 de março de 2023 4:28 pm

    Celerados mais conhecidos como Mercado desconfiam muito do Setor Público. Só não desconfiam dos Sicupiras nas Americanas nem da Selic pornográfica do Campos. Lambem-se mutuamente.

  3. Paulo Dantas

    15 de março de 2023 6:20 pm

    Mercado = Mercado Financeiro.

    Sempre isto.

  4. José Carvalho

    16 de março de 2023 3:22 pm

    O mercado é o País da barriga cheia. Esse tipo de pesquisa aliás, só tem a função de modelar expectativas. O mercado pode falar à vontade, pois ele é tudo sem necessariamente ser ninguém. Já os ocupantes do governo não tem o direito de opinião, de fazer críticas. Quem sabe o mercado possa contribuir em tentar explicar porquê o País tem tanta dificuldade de estabilizar uma meta de inflação com a inflação comportadinha dentro dela, como tantos países fazem e outros tantos não conseguem. A situação não está boa pra ninguém; segmentos de classe média, estão bastante apertados. Uma professora de colégio particular tinha um Nissan Sentra e agora anda de Uber ou carona do esposo, que por sua vez trocou um carro de maior porte por um de menor porte. O Brasil não é apenas o enxergado pela janela do mercado. Esse é o fracasso do País e motivo do seu escárnio. Europa e EUA , com inflação e outros problemas estão gerando emprego e subindo salários, lá o mercado deve estar fazendo piquetes e ameaçando os governos. Tudo é uma questão de onde se sabe que se vai estar.

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