1 de julho de 2026

Lula deveria dialogar com a China sobre ferrovias de alta velocidade, diz Elias Jabbour à TVGGN

Elias Jabbour diz que "Lula deveria viajar Pequim de trem" para conhecer melhor o que pode ser negociado na viagem à China
Elias Jabbour
Elias Jabbour, especialista em China. Ele é professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ

Em meio às expectativas que envolvem a viagem do presidente Lula a Pequim, o economista Elias Jabbour – uma referência nos estudos sobre China no País – falou com exclusividade à TVGGN sobre como a relação entre os dois países pode ser mais estratégica e ir além das agendas especuladas na grande mídia.

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Na entrevista ao jornalista Luis Nassif, Elias Jabbour frisou que a China é um parceiro comercial tão importante para o desenvolvimento do Brasil que deveria existir um “escritório diretamente ligado ao presidente da República [Lula], somente para cuidar das relações Brasil-China, Brasil-Ásia.”

Um dos principais motivos para isso, disse Elias Jabbour, é que a China tem condições de ajudar o Brasil a gerar mais empregos com obras de infraestrutura em logística, para conectar melhor o mercado doméstico. Os chineses lideram o desenvolvimento ferroviário de alta velocidade no mundo.

Professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ, Elias Jabbour remonta à década de 1950, quando o Brasil se aproveitou da “tendência automóvel”, lançada pelos Estados Unidos, para promover a industrialização e a unificação do mercado brasileiro via construção de milhares de quilômetros de estradas. 

“A partir das montadoras estrangeiras, se construiu uma indústria metal mecânica particular que, na década de 1980, promoveu o maior parque metal mecânico do mundo”.

Esse investimento em infraestrutura, no entanto, foi sendo deixado de lado nas últimas décadas, prejudicando o próprio desenvolvimento da economia nacional.

“China teria condições de nos entregar”

Autor de “China: O socialismo do século XXI”, Elias Jabbour indicou que, na visita de Lula à China, deveria ser negociado, por exemplo, a transferência de tecnologia em construção de ferrovias de alta velocidade.

“As nossas ligações internas, aquilo que é o básico de uma revolução burguesa, que é a conexão do mercado interno e a conexão de mercados regionais, está destruída no Brasil. É uma questão de soberania, então, a China teria condições de nos entregar. E isso demanda um nível de debate que não existe na sociedade brasileira”, pontuou. 

Elias discordou que a agenda central do governo deveria ser a pauta ambiental ou sustentável, principalmente em um País que não faz a transição energética sem imensas obras de infraestrutura. 

“Você não vai tirar da rua o automóvel que emite CO2 porque a pessoa tomou consciência ambiental, e poderia pegar um metrô ou ir do Rio de Janeiro a São Paulo na velocidade 30. Lula deveria tirar um tempo para viajar Pequim de trem”. 

Apesar de assuntos como esse não serem priorizados, Elias Jabbour concorda que Lula indo à China restabelece uma relação estratégica entre os dois países, e que, ao empossar Dilma Rousseff no novo banco dos BRICS, ele resgata o que há de melhor que o Brasil criou: uma ex-chefe de Estado a frente de algo fundamental aos interesses do sul global. 

O Brasil entre Rússia e Otan

Ao responder sobre a atuação do chanceler brasileiro, Mauro Vieira, de ter defendido a condenação de Vladimir Putin por causa da guerra na Ucrânia, no TPI (Tribunal Penal Internacional), Elias Jabbour afirma que as relações internacionais vão muito além de mediar a paz entre os países: trata-se de blocos de capitais que estão disputando o poder do mundo e, ao final, sempre irá prevalecer o interesse nacional.

“Na minha opinião, foi inoportuno o nosso chanceler. Ele se coloca completamente fora do jogo de qualquer tipo de negociação. Aliás, a nossa situação já é difícil do ponto de vista internacional, porque o Brasil hoje não tem mais a mesma base material e o mesmo apelo que tinha 20 anos atrás”. 

Assista:

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

5 Comentários
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  1. Evandro Condé

    25 de março de 2023 8:21 am

    Só de pensar o que a EPL já comeu de dinheiro, a idéia passa a me agradar.

  2. Paulo Dantas

    25 de março de 2023 8:37 am

    Outro trem bala ?
    O que restou foi gente vendendo bala nos trens arcaicos …
    A ideia é boa mas a execução sempre se perde na corrupção.

  3. Evandro Condé

    25 de março de 2023 1:18 pm

    Que isso Paulo Dantas. Taí as obras da Copa pra mostrar que o que não houve foi malversação de grana.

  4. Lucas

    25 de março de 2023 2:23 pm

    Visão, maravilhosa o Brasil precisa se conectar a construção de um trem bala em um parceria sino-brasileira seria um presente gigantes para o povo brasileiro e um ótimo cartão postal para esse mandato do lula. Sem contar que sairíamos até na frente dos americanos que não possuem nenhum trem de alta velocidade.

  5. Luis Tito

    25 de março de 2023 3:10 pm

    O começo seria uma parceria Rio / Campinas / Brasília / Belo Horizonte / Rio e nos trens metropolitanos que estão sucateados

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