O número de mulheres na política aumentou nos últimos anos, mas a paridade de gênero ainda está longe de ser alcançada, como mostra pesquisa elaborada pela Inter-Parliamentary Union (IPU).
Em 1º de janeiro de 2023, 11,3% dos países tinham mulheres como Chefes de Estado (17 de 151 países, excluindo os sistemas baseados na monarquia) e 9,8% tinham mulheres como Chefes de Governo (19 de 193), o que corresponde a um avanço ante uma década atrás, quando os percentuais eram de 5,3% e 7,3%, respectivamente.
Na análise regional, a Europa continua a ter mais países liderados por mulheres (16), enquanto a Europa e as Américas têm o maior número de mulheres ministras. Pela primeira vez na história, nenhum parlamento em funcionamento no mundo é apenas ocupado por homens,
As mulheres representam 22,8% dos ministros do gabinete em 1º de janeiro de 2023. Europa e América do Norte (31,6%) e América Latina e Caribe (30,1%) são as regiões com a maior participação de mulheres nos gabinetes.
No entanto, na maioria das outras regiões, as mulheres estão gravemente sub-representadas, com o percentual caindo para 10,1% na Ásia Central e Meridional e 8,1% nas Ilhas do Pacífico (Oceania excluindo Austrália e Nova Zelândia).
Apenas 13 países, principalmente na Europa, têm gabinetes com igualdade de gênero, com 50% ou mais de mulheres como chefes de ministério.
Outros destaques ficaram com os recordes de mulheres de cor nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos (263 candidatas); o salto da representação LGBTQI+ na Colômbia de dois para seis membros do Congresso; e na França, 32 candidatos de origens minoritárias foram eleitos para a nova Assembleia Nacional.
Paridade no Brasil está longe de ocorrer
No Brasil, a diversidade foi destacada: o país registrou um recorde de 4.829 mulheres que se identificam como negras concorrendo às eleições (de 26.778 candidatas), mas a paridade entre homens e mulheres segue entre as piores do mundo.
A violência política é apontada como um dos motivos para menor presença de mulheres nas Casas Legislativas e demais espaços de poder. Entre os Parlamentos de 193 países, o Brasil aparece no 153º lugar em relação à representatividade das mulheres, conforme ranking da Inter-Parliamentary Union, ficando à frente apenas de Belize e Haiti.
Pesquisas e relatos mostram que as agressões ocorrem presencialmente, quando as mulheres estão nas ruas e são atacadas, ou no mundo virtual, por meio de fake news e ataques às redes sociais e páginas pessoais.
“É inaceitável termos apenas uma mulher em cada Câmara de Vereadores. Ainda assim, elas são ameaçadas o tempo todo pela forma de se vestir, de falar. Quando sobem o tom, são chamadas de histéricas, loucas, e os homens, não”, afirma Anne Moura, que concorreu a vice-governadora do Amazonas em 2022 e é coordenadora regional do Fórum Nacional de Instâncias de Mulheres de Partidos Políticos.
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