O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, foi convidado pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre o decreto de armas, falhas da segurança pública no fatídico 8 de janeiro e invasões de terras.
Mas a sessão desta terça-feira (11), que serviria de debate de temas do interesse público e esclarecimentos, foi encerrada pelo próprio presidente da comissão, o deputado Sanderson (PL-RS), simplesmente porque os deputados presentes se mostraram incapazes de manter um debate civilizado, mesmo enquanto representantes do povo.
Antes mesmo de a sessão começar, a presidência estabeleceu regras para que a audiência pudesse fluir. Os deputados teriam três minutos para fazer perguntas e o convidado teria um tempo limitado (mas que não ficou claro para quem assiste à audiência) para responder. Não haveria réplica ou tréplica.
Interrupções
As regras previamente estabelecidas, no entanto, não foram respeitadas pelos parlamentares, o que levou Sanderson a tomar providências, na tentativa de organizar os presentes.
“Vou cortar microfone, como fiz agora. Não vou fazer pergunta a ninguém aqui, mas vou presidir. os senhores respeitem a presidência da Comissão de Segurança Pública. Se lá na CCJ foi aquela ‘pantomim’, aqui não vai ser”, ponderou.
O presidente da comissão se referiu à participação de Dino na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), no dia 28 de março. Na ocasião, o ministro foi exposto a mais de quatro horas de perguntas tendenciosas e ofensivas.
Desrespeito
Antes de começar sua fala, o próprio ministro tentou impor limites aos parlamentares.
“Estou aqui para ouvir perguntas e respondê-las. claro que pergunta é uma coisa, ofensa é outra. O que aconteceu no CCJ não vou discutir aqui. Em vez de perguntas, houve acusações. Tenho certeza de que isso não acontecerá aqui, porque não sou réu, não sou acusado, não estou aqui nesta condição. Estou na condição de convidado”, afirmou Dino.
As recomendações, no entanto, não foram cumpridas. O ministro foi interrompido na maioria das vezes em que esteve com a palavra. Elegante, em vez de perder a compostura como alguns dos deputados, Dino se calava e aguardava pacientemente pelo momento em que pudesse voltar a se pronunciar.
Patifaria
Houve de tudo. Brigas entre os deputados, comparações estapafúrdias envolvendo o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusações infundadas sobre Dino e até pedido dos próprios parlamentares para que Sanderson tomasse as rédeas da audiência.
A baderna foi tamanha que o próprio presidente da comissão teve dificuldade para por ordem nos colegas. “Parlamentares da Comissão de Segurança Pública, o ministro acabou de falar aqui que vai pedir uma nova data, que ele não tem condições de continuar aqui porque nós não temos condições [Sanderson é interrompido]. Vai ter de voltar em uma nova data porque todos, de parte a parte…”, emendou o parlamentar, sem concluir.
Depois de tantas demonstrações de falta de respeito a um convidado, independente dele ser ministro ou não, os deputados ainda tiveram a audácia de chamar Dino de ‘fujão’ em coro. Na audiência, o ministro teve apenas tempo de falar sobre o decreto de armas, em detrimento dos demais assuntos na pauta do encontro.
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AMBAR
11 de abril de 2023 7:18 pmO nível dos representantes eleitos para as casas legislativas é constrangedor. Dino, como professor, deve ter se sentido entre alunos jubilados do segundo grau.
Dino, uma pessoa responsável e ocupadíssimo, não deveria perder tempo com pessoas tão pequenas. Haja paciência, que só ele tem.
Sergio Navas
12 de abril de 2023 5:54 amDepois que o censo comum chegou ao poder, alçado pela irresponsabilidade da grande mídia,será difícil retomar a civilidade.
WWagner Indigo
12 de abril de 2023 7:59 amDino deve ter cuidado , pois pode ser acusado de ” passear” no horário de trabalho !!!