21 de maio de 2026

Celso Amorim e o papel de Brasil e China em um mundo multipolar

Em entrevista à imprensa chinesa, ex-ministro diz que países podem ter “papéis importantes” em um mundo com poder menos centralizado
Celso Amorim, embaixador e assessor especial da Presidência. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Brasil e China podem exercer papéis muito importantes na construção do chamado mundo multipolar, onde o poder é dividido em concentrações menores e não existe um país hegemônico, na avaliação do ex-ministro Celso Amorim, embaixador e atual assessor de política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Amorim falou a respeito do tema ao jornal chinês Global Times, onde ressaltou que a visita de Lula à China foi muito mais ampla do que a passagem do presidente pelos Estados Unidos, quando a visita foi “estritamente política”.

O embaixador lembrou que não só a China é o parceiro comercial mais importante do Brasil, como está se tornando um dos locais que mais recebe dinheiro chinês.

Mas não só isso, acho que os dois países também podem ter um papel importante na construção de um mundo mais multipolar, no qual o poder é menos centralizado e não há hegemonia. Acho que esse é um aspecto muito importante em que China e Brasil podem desempenhar papéis importantes“, disse Amorim ao jornal chinês Global Times.

Ao mesmo tempo, o ex-ministro lembrou que a viagem foi a primeira do presidente fora do continente americano desde sua posse e, em apenas três meses de governo, Lula levou consigo uma grande delegação de autoridades e empresários.

O relacionamento entre “os dois maiores países em desenvolvimento e mercados emergentes” foi abordado pelo presidente chinês Xi Jinping, que destacou ainda o avanço da influência estratégica e global de suas relações.

Menos dependência do dólar

Um exemplo de multipolaridade pode ser visto no acordo fechado entre Brasil e China para uso das moedas locais em negociações em detrimento do dólar norte-americano.

Sobre a redução da dependência do dólar no comércio internacional, Amorim considera “natural” que o comércio possa feito com as próprias moedas dos países interessados, o que exige algumas adaptações quanto às regras do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Quanto à criação de uma moeda para os BRICS e o mercado comum do sul, o ex-ministro diz que seria “a melhor coisa” poder trabalhar com uma cesta de moedas e usar as moedas regionais em grande medida.

“Se isso pode evoluir para uma moeda comum para os BRICS, ou se ainda mantemos nossa moeda nacional é algo isso ainda não está totalmente claro. Mas acho muito importante estarmos livres do domínio de uma moeda única, porque às vezes ela é usada politicamente”, disse Amorim.

Mais parcerias com a China

Segundo Celso Amorim, o Brasil está aberto a estudar sua adesão à chamada Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative – BRI) mesmo que, na realidade, as relações bilaterais entre os países já mostrem um desenvolvimento nesse sentido.

Quanto à cooperação na indústria de semicondutores – em meio às pressões norte-americanas para que a Huawei seja desconsiderada nessa área – Amorim afirma que o país vai sempre procurar a melhor oferta, que seja acessível economicamente e que possa atender às necessidades.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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1 Comentário
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  1. josé Oliveira de Araújo

    17 de abril de 2023 8:11 am

    Tanto a Inglaterra como os EUA sempre usaram a primazia de suas moedas, como armas políticas contra os que contrariaram seus desmandos. Portanto para que os paises possam exercer suas soberanias, precisam livrarem-se da canga monetária, seja da libra, do dolar ou de qualquer moeda que pretenda ser hegemônica.

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