4 de junho de 2026

Como colocar uma lavajatista no TRF-1 ou, os balões de Brasília

Sua competidora, Michelle Rangel - diretamente beneficiada pelos balões - é militante da ala mais à direita do MPF.

Brasil é uma noite junina, tal a quantidade de balões empinados por lá. No reino do jornalismo de notas, caiu na rede é peixe, pouco importa se sardinha, tubarão ou golfinho.

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Tome-se a nota conjunta publicada por Lauro Jardim, em O Globo, Guilherme Amado, no Metrópole, e a revista Veja. Se algum dia já foram, hoje em dia não são lavajatistas. No entanto, os três publicaram a mesma informação visando queimar uma procuradora, candidata a uma vaga no TRF-1, em benefício de outra, claramente lavajatista.

A procuradora em questão é Ana Carolina Roman. Nas três notas, um genérico “petistas” acusam a procuradora de ter denunciado Gilberto Carvalho e ser a favor da Lava Jato.

Em relação a Gilberto Carvalho, a procuradora recebeu uma representação contra Gilberto Carvalho, na Operação Satiagraha. Como todo procurador que recebe uma representação, ela solicitou informações na 6a Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo, onde corria a operação. Passado o prazo-limite, como não houvesse resposta, converteu o procedimento de apuração preliminar em inquérito civil – como determina a norma. E em nenhum momento houve qualquer avaliação de mérito.

No dia a dia do Ministério Público Federal, quem é a procuradora Ana Carolina. É uma das 47 signatários do manifesto protestando contra a prisão de Lula no Aeroporto de Congonhas. Foi um manifesto histórico que inverteu o jogo dentro do MPF – até então cheio de dedos para criticar os colegas paranaenses.

Não apenas isso. Foi autora de ações em defesa do direito universal à saúde, dos direitos indígenas e do combate à discriminação, da promoção da igualdade racial, dos direitos das pessoas com deficiência, de Ação Civil Pública para obrigar a União, a Anvisa, a ANTT e a ANAC a atuarem no combate à Covid, entyre outras medidas.

É integrante de um grupo de trabalho do MPF para enfrentamento do trabalho escravo e representante da Associação Nacional dos Procuradoras da República junto à CONATRAE (Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo).

Sua competidora, Michelle Rangel – diretamente beneficiada pelos balões – é militante da ala mais à direita do MPF.

Schneider integra o grupo MP Pró-Sociedade, que defendeu a cloroquina na pandemia e pretendiam obrigar prefeituras a utilizar maciçamente. Também foi autor do ataque miserável à jornalista com a frase “não confunda dar furo de reportagem com dar furo pela reportagem”. Junto com o inolvidável Ailton Benedito, endossaram um movimento pelo retrocesso no controle das armas.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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4 Comentários
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  1. +almeida

    2 de maio de 2023 9:12 pm

    E tome abuso por conta das famosas panelinhas.
    Não é de hoje que autoridades da hierarquia superior usam do cargo para praticar abusos, conchavos e desrespeitos.
    Talvez, até não perceberam que estão em pleno processo do vício da delinqüência e da perdição. Afinal, o poder sempre pode se tornar uma arma muito perigosa, em mentes e espíritos fracos.
    Assim, cegos e confiantes nas redes de proteção corporativista, que evolui dia a dia nos altos escalões dos poderes oficiais da república, não percebem que podem estar sendo os principais vetores da contaminação geral, que nasce lá no alto e desce em velocidade alucinante para atingir todas as camadas sociais.
    Dentre as vítimas mais famosas desse completo desvario de autoridades se encontra a ética, a honra, a imparcialidade, a lealdade, a honestidade, a não traição a pátria e a população
    Também parece que não se dão conta que a contaminação enfraquece as estruturas que sustentam os conceitos da segurança, da democracia, do estado de direito, da ordem, da soberania e das riquezas nacionais.
    Nação enfraquecida é porta aberta para a desordem, para o golpismo, para ditaduras e regimes repugnantes das piores espécies.

  2. José de Almeida Bispo

    2 de maio de 2023 9:49 pm

    É uma tragédia esse jornalismo realesista. De tão viciados, a boca lhes fica torta. E aí é uma barrigada (?) atrás da outra. ‘G-zuis da goiabêra!’

  3. EVANDRO CONDE

    2 de maio de 2023 10:17 pm

    Ainda sem entender pq notícias como seguem não são nem mencionadas .

    Do Estadão.

    BRASÍLIA – O governador de Roraima, o bolsonarista Antônio Denarium (PP), atua para emplacar a própria esposa como conselheira no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RR). O cargo é vitalício, com salário de R$ 35,5 mil e auxílios que somam R$ 27 mil. Se aprovada, Simone Soares de Souza, conhecida como Simone Denarium, será responsável por julgar as contas do próprio marido.

    O nome da primeira-dama roraimense foi confirmado na edição de sexta-feira, 28, do Diário Oficial da Assembleia Legislativa de Roraima (AL-RR), responsável pela indicação. Ela disputa a vaga com outros quatro candidatos: os deputados estaduais Jorge Everton (União) e Coronel Chagas (PRTB), o reitor da Universidade Estadual de Roraima (UERR), Regys Freitas, e a advogada e ex-procuradora do Estado Maria da Glória de Souza Lima. Procurada, a assessoria de imprensa do governador Antonio Denarium não se manifestou. A reportagem também tentou contato com a primeira-dama.

    Os cinco postulantes serão sabatinados pela Assembleia Legislativa nesta quarta, 3, e quinta-feira, 4. Os parlamentares votarão nos candidatos em sessão plenária no dia 10 de maio. Ganha quem tiver mais votos.

    Caso Simone Denarium leve a disputa, ela se junta a ao menos outras cinco primeiras-damas que assumiram o mesmo cargo em seus respectivos estados. Em março deste ano, a Assembleia Legislativa do Pará aprovou a indicação da advogada Daniela Barbalho, mulher do governador Helder Barbalho (MDB). As esposas dos ministros de Lula (PT) Waldez Góes (ex-governador do Amapá), Renan Filho (ex-governador de Alagoas), Wellington Dias (ex-governador do Piauí) e Rui Costa (ex-governador da Bahia) também são conselheiras de tribunais de contas.

    A confirmação da candidatura da esposa de Denarium tem movimentado os bastidores da disputa. O deputado Jorge Everton, um dos concorrentes, afirmou que a candidatura de Simone é imoral e ilegítima. Ele protocolou uma representação à Mesa Diretora da Assembleia local alegando sofrer perseguição por parte do governador após se recusar a retirar a própria candidatura.

    Em texto divulgado à imprensa, a ex-procuradora Maria da Glória afirmou que “o pacto constitucional da impessoalidade, dentre os outros, o da moralidade e legalidade, precisam ser observados” durante o processo de votação. Ao Estadão, a assessoria da candidata disse esperar que o Ministério Público de Roraima (MPRR) e a Assembleia Legislativa de Roraima exerçam os filtros constitucionais necessários.

    O MPRR instaurou, no início de abril, um procedimento para acompanhar e fiscalizar a eleição para conselheiro do Tribunal de Contas. O TCE-RR é composto por sete conselheiros, sendo três vagas indicadas pelo Executivo Estadual e quatro pela AL-RR. A vaga que está em aberto é uma das quatro que cabe ao Poder Legislativo fazer a indicação.

  4. emerson57

    3 de maio de 2023 9:51 am

    Sua competidora, Michelle Rangel – diretamente beneficiada pelos balões – é militante da ala mais à direita do MPF.

    – O fascismo é insidioso e não dorme.
    É falta de inteligência e de conhecimento histórico subestimar os fascistas!

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