5 de junho de 2026

“Cadê a bisteca?”: Presidente da Funai vai apurar sumiço de carne a indígenas no governo Bolsonaro

A Funai irá investigar a compra de 19 toneladas de bisteca desaparecidas para os indígenas do Vale do Javari
Joenia Wapichana, presidente da Funai, determinou investigação do caso - Foto: EBC

A Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) irá investigar a compra de 19 toneladas de bisteca para os indígenas do Vale do Javari, no Amazonas, pelo governo de Jair Bolsonaro, que não foram entregues.

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Reportagem do Estadão neste domingo (14) mostrou que as toneladas de carne gastas pelo ex-mandatário não chegaram às comunidades indígenas, mas foram debitadas da conta do ex-governo.

Tratam-se de contratos na ordem de R$ 568,5 mil, que continuam em vigor, que disponibilizaria o alimento para as comunidades etambém para os servidores da Funai. Pela compra do governo Bolsonaro, os servidores teria o suficiente para 1 quilo de bisteca por dia durante todo o ano.

Os envios seriam feitos juntamente com as cestas para serem distribuídos aos funcionários e aos mais de 13 mil marubos, kanamaris e korubos do Vale do Javari.

Além da quantia exorbitante de carne e da não chegada desse alimento à Funai ou aos indígenas, a Fundação sequer teria a opção de armazenar os quilos de carne, se fossem entregues, por falta de locais de conservação.

A falta de espaço para armazenamento de alimentos já vinha prejudicando a Funai, que relatou que algumas comidas já chegavam “sem condições para consumo”.

“Nem tudo que constitui a cesta básica contempla uma alimentação específica desses indígenas. Era um desperdício, realmente, do dinheiro público. Parte dos alimentos chegava sem condições para consumo, mas a ordem era entregar”, relatou Mislene Metchacuna Martins Mendes, diretora de administração e gestão da Funai.

A denúncia da falta da carne, assinada em contratação pública pelo governo Bolsonaro, e das condições prejudicadas de conservação dos demais alimentos – que continham produtos secos, como farinha, arroz e sabão -, foi feita pelos próprios indígenas e por um comerciante, que seria o responsável pelo envio da carne.

A presidente da Funai, Joenia Wapichana, determinou a abertura de uma investigação para apurar esse sumiço e as irregularidades no caso.

“Eu vou apurar as informações, pois se trata de atos da gestão anterior e para tanto preciso que se apure junto aos departamentos competentes internos na Funai”, afirmou a presidente.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Anônimo

    15 de maio de 2023 4:06 pm

    Tenho cá pra Mim, Foi Enviada para o garimpo !!

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