Entre a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello e a indicação de André Mendonça para a vaga, foram cinco meses de espera. Desta vez, a substituição do ministro Ricardo Lewandowski será mais rápida.
O Senado Federal se prepara para sabatinar o advogado Cristiano Zanin Martins, o indicado pelo presidente Lula para recompor as 11 cadeiras do Supremo Tribunal Federal (STF).
Para o presidente da casa legislativa, o senador Rodrigo Pacheco (PSD/MG), Zanin tem boa recepção entre os senadores, a Suprema Corte e o meio jurídico.
“(Zanin) reúne condições e tem os predicados para ser ministro do STF”, disse Pacheco, antes de afirmar que a prerrogativa da Presidência da República será avaliada pelo Senado durante sabatina a ser realizada até o próximo dia 21.
OAB parabeniza
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) parabenizou Zanin pela indicação. Em nota, declarou que o advogado se notabilizou pela defesa inabalável do Estado Democrático de Direito e dos direitos e garantias individuais.
“Zanin reúne todas as qualidades necessárias para desempenhar a função. Como advogado, ele foi alvo dos mesmos problemas que afetam grande parte das advogadas e advogados do país, como o abuso de autoridade e a violação de prerrogativas profissionais”, diz trecho da nota.
Conversa com a bancada evangélica
Conversar com a bancada evangélica e seus líderes externos, senhores dos templos espalhados aos milhares pelo país, se tornou uma constante para quem faz política no país.
Nesta quarta-feira (7), Zanin tomou café da manhã do deputado federal Cezinha da Madureira (PSD-SP), que presidiu a bancada evangélica do Congresso Nacional. Senadores da mesma bancada estiveram à mesa.
“Foi uma conversa amistosa. Zanin comunga dos nossos pensamentos conservadores. Decidimos apoiar 100% o nome de Cristiano Zanin e angariar votos para sua aprovação”, afirmou o deputado Cezinha da Madureira à CNN.
Zanin conseguiu o apoio da bancada, o que não é pouco para o objetivo de ter o nome aprovado pelo Senado, e o que é um sinal de alerta para quem espera posturas mais progressistas de um indicado do presidente Lula.
Conversa com senadores
Alguns senadores estão longe de serem convencidos em um café da manhã. Os bolsonaristas convictos e aqueles que gostam de se dizer “nem de esquerda, nem de direita, conservador nos costumes e liberal na economia” já declaram o voto.
O senador Eduardo Girão (Novo/CE) é um deles e já adiantou voto contrário à indicação de Zanin, alegando “conflito de interesse”.
Porém, o senador não mencionou o fato da indicação do ministro André Mendonça ter atendido a uma demanda “terrivelmente evangélica” de aliados de Jair Bolsonaro.
Para o senador Eduardo Braga (MDB/AM), “há um clima muito favorável no Senado da República” quanto ao nome de Zanin.
Os cotados para relatar sabatina
Os cinco senadores cotados para relatar a sabatina de Zanin são Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), que é vice-presidente da Casa, Jader Barbalho (MDB-PA), Efraim Filho (União-PB), líder do partido de Alcolumbre, Weverton Rocha (PDT-MA) e Renan Calheiros (MDB-AL).
A sabatina ocorrerá na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida por Davi Alcolumbre (União/AP), que definiu a lista de indicados. Ele garante que nenhum nome fora desta lista assumirá a relatoria da sabatina de Zanin.
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