21 de maio de 2026

Comentário de Cesar A. Ferreira sobre o programa Gripen e offset

Ora, ora, venho aqui novamente para dizê-lo: este programa é ótimo para a Suécia e para a SAAB, péssimo para o Brasil e para a Embraer.

Comentário ao post “A abertura da economia e os contratos offset, por Luis Nassif

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Esta matéria é séria, ou é uma piada?

Abro o comentário de maneira ácida, pois ela versa sobre offset e cita o programa Gripen.
O jornalista Luis Nassif é um defensor da industrialização, nacionalista, inimigo do rentismo, porém, nada entende material bélico, indústria bélica, ou seja, daquilo que se convencionou a chamar de “Base Industrial de Defesa”.

Pois… Em 2013 eu escrevi um comentário no seu espaço, como uma forma de alerta ao erro que era cometido no tocante ao vencedor do programa FX-2. O senhor alçou o comentário a categoria de postagem com o título de “A Escolha do Gripen NG é Um Erro Histórico”. O meu comentário, alçado pelo senhor a categoria de postagem, estava então assinado como “Ilya Eherenburg” dado que o nome do finado escritor soviético era o meu avatar nos fóruns militares. Dá-se que nele eu afirmava basicamente que dado o fato de haver pouca comunalidade com o Gripen “C”, a aeronave escolhida pela FAB era de fato um projeto, motivo pelo qual devia-se esperar por todos os problemas naturais, cuja ocorrência se dá nas realizações destes (projetos). Além dos bugs, que haveria atraso no programa, aumento de custo e problemas advindos do pouco peso geopolítico da Suécia (força insuficiente na conquista de mercados).
Quase 10 anos passados, estava eu errado?
(Digo isto com um sorriso estampado).

Lembro bem, nem preciso voltar ao referido post, fui hostilizado de todas as formas, canalha foi um dos adjetivos dos mais suaves nos comentários. Barbaramente agredido por ter feito um comentário honesto e que refletia o meu pensamento e aquilo que sabia sobre o assunto. Um jornalista amigo, especialista na área de indústria bélica, conflitos e geopolítica, alertou-me, que o senhor, caro jornalista Luis Nassif, havia elevado o comentário para a categoria de postagem, não por ter apreciado o comentário, mas para suscitar posições contrárias e me expor como debatedor, visto que a minha posição crítica era oposta aquela que o senhor defendia e acreditava.

Não foram poucas as vezes que o vi defendendo este programa da FAB, como faz agora…
Ora, ora, venho aqui novamente para dizê-lo: este programa é ótimo para a Suécia e para a SAAB, péssimo para o Brasil e para a Embraer. A minha afirmação, perceba, é enfática.

Digo:
1) A SAAB exige que a certificação das estruturas fabricadas no Brasil sejam avaliadas e certificadas na Suécia. Não é preciso ser um gênio para perceber a estupidez do processo e que este encarece a produção.

2) A usinagem de rebites é provinda da Suécia, algo absurdo visto termos indústria local capaz de atender os requisitos.

3) A SAAB montou no Brasil uma instalação de estruturas, o que evidência a transferência de tecnologia dela… Para ela mesma! Inacreditável. Em tempo: A SAAB adquiriu parte da AKAER e ao mesmo tempo esvaziou a responsabilidade desta no projeto Gripen.

4) O programa atrasou, temos agora, em plena metade de 2023, apenas 06 unidades entregues… Que chegam de navio. Espetacular… Para um avião. Ademais, até um dia desses a FAB só tinha 03 pilotos certificados no aparelho, um deles Tenente-Coronel Aviador e Comandante do 1º GDA.

5) O programa teve o seu custo aumentado…

6) O IRST necessita de uma campanha de homologação em céus tropicais.

7) Os mísseis ar-ar ainda não foram integrados. Nem o Meteor, nem o Iris-T. Eles estão integrados ao Gripen C, não ao Gripen E. A única arma integrada até o momento é o canhão.

8) Ainda que a integração dos mísseis se dê até o fim deste corrente ano, fato é que temos seis vetores sem capacidade plena de policiar o nosso espaço aéreo. O problema não reside na integração dos mísseis, mas no armamento ar-solo e anti-navio cuja a integração prevista deverá ocorrer nos próximos… 10 anos! Isto mesmo, o prazo para a integração destas armas é de 10 anos. A Suécia não tem pressa, pois tem muitos Gripen C para executar a função de ataque ao solo…

9) O Radar RAVEN ES-05 da Leonardo apresenta um desempenho abaixo do esperado e superaquece. É um problema comum no desenvolvimento de radares, esperado. A Thales resolveu problemas parecidos com o RBE-2. O que é triste no tocante ao RAVEN-ES 05 é que ele se tornou um problema nosso.

10) Agregamos mais quatro vetores e a encomenda da FAB totaliza agora 40 vetores. A FAB em desespero de causa durante o governo passado tentou de tudo para que se desse a encomenda de um “segundo lote”, não se importando em sacrificar o programa do KC-390, reduzindo por duas vezes a encomenda do lote inicial de 28 aeronaves. Primeiro reduziu para 16, depois para 12! Menos da metade da encomenda inicial!
Preciso lembrar, que a encomenda inicial visa dar folego para Embraer iniciar a produção do KC-390.

11) O Gripen E, que deveria ser mais leve que o Gripen C, nasceu mais pesado, e agora exibe 8.0 tons. Ganhou massa no decorrer do projeto e simplesmente anulou o ganho de potência da F-414. O Gripen E deverá exibir o mesmo desempenho de carga do Gripen C. Uau!

12) Offset… A Suécia, que efetivamente nos têm como clientes no programa Gripen E, tendo a necessidade de substituir as suas aeronaves de transporte, optou pelo C-130J adquiridos de segunda mão da Itália. Agora, acena com uma provável aquisição do KC-390… Por que não o escolheu antes? Por que a SAAB escolhe plataformas da Bombadier (Canadá) para sensores embarcados em detrimento das plataformas da Embraer?
Pois é…

Então, senhor Luis Nassif, aqui chegamos. Em 2013 afirmei que os suecos só poderiam transferir o código fonte para a integração de armas, software de missão. Além da estrutura, algo que a Embraer já domina. Efetivamente o que ganhamos? A inclusão do WAD, que na verdade é um produto da Elbit de Israel? Além do ToT da SAAB para SAAB, qual seria o ganho em Offset que tivemos? Compreenda caro jornalista Luis Nassif, dizer que “(…)De seu lado, a anglo-sueca Gripen ofereceu investimentos das empresas dos respectivos países-sócios.”, nada significa, são apenas palavras jogadas ao vento!

O governo francês havia acenado com a aquisição para AdlA de 10 aeronaves KC-390!
10 unidades! Isto é offset!

Caso o suecos adquirissem baterias de ASTROS 2020 da Avibrás, isto seria um offset!!

A Toyo Matic recebeu tecnologia de usinagem de peça de titânio para execução do programa H-225, Airbus/Helibrás. Isto foi ToT!!!!!!

O senhor consegue entender, caro jornalista? Para a Embraer, dado o fato de que ela não tem o domínio do programa, montar pouco mais de uma dúzia de Gripens é mais um estorvo do que um ganho. O interessante para a Embraer é o programa KC-390, do qual abrimos mão da encomenda de 16 unidades!

Consegue entender? Só para se ter uma ideia de como é gerido o programa Gripen E: a versão de dois lugares, bi-place, que seria somente de uso da FAB (a Súécia não necessita), que deveria ser desenvolvida no Brasil, será produzida na Suécia. Custos foi a razão alegada… Ora, pois… Não éramos parceiros, não aprenderíamos fazendo, produzindo?
Eh, né…

Aqui chegamos… Senhor Luis Nassif, faça-nos um favor: comece a procurar entender o mercado de produtos bélicos, a indústria correlata, os clientes, os meandros geopolíticos e os operadores, bem como a sua cultura.
É só o que peço.

Atenciosamente,
César A. Ferreira

A abertura da economia e os contratos offset, por Luís Nassif

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