15 de junho de 2026

Resultados da Americanas foram fraudados por diretores, aponta relatório

Relatório de assessores jurídicos, apresentado ao conselho de administração da Americanas, revela demonstrações financeiras fraudadas

Relatório apresentado nesta segunda-feira (12) ao conselho de administração da Americanas revela que demonstrações financeiras vinham sendo fraudadas pela diretoria anterior da varejista. Assessores jurídicos tomaram por base vasta documentação contábil e financeira da empresa.

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Nesta terça-feira (12), a Americanas fez um comunicado oficial a respeito do relatório. Na investigação jurídica, o ex-CEO Miguel Gutierrez aparece envolvido com as operações de fraude nas demonstrações financeiras. 

O efeito desses ajustes ainda não pode ser estabelecido pela companhia, mas há a certeza de que eles impactarão os resultados mais recentes de forma significativa. A Americanas se encontra em processo de recuperação judicial. 

Além de Gutierrez, que não se pronunciou sobre o relatório, outros executivos participaram das tentativas da diretoria anterior para ocultar a real situação do resultado e patrimonial, de acordo com o fato relevante da empresa. 

Conforme o colunista de O Globo, Lauro Jardim, os acusados, entre eles Gutierrez, vão, na Justiça, tentar provar que o conselho de administração sabia de tudo e que, portanto, não está isento das acusações. 

Rombo bilionário

Em janeiro, a Americanas revelou “inconsistências contábeis” no valor de R$ 20 bilhões. O rombo apanhou o país de surpresa e se transformou em um escândalo nacional, hoje investigado por autoridades públicas.  

Há suspeitas de supostos lucros contábeis dos principais acionistas, os bilionários Carlos Alberto Sicupira (fortuna de US$ 8,6 bilhões), Jorge Paulo Lemann (US$ 15,8 bilhões) e Marcel Herrmann Telles (US$ 10,6 bilhões). 

De acordo com o comunicado da Americanas, as informações do relatório, associadas aos trabalhos de refazimento das demonstrações financeiras históricas, levaram ao entendimento de que a fraude se dava em operações como contratos de verba de propaganda cooperada e instrumentos similares.

Esses incentivos comerciais “teriam sido artificialmente criados para melhorar os resultados operacionais da companhia como redutores de custo, mas sem efetiva contratação com fornecedores”, segundo a Americanas.

“Esses lançamentos, feitos durante um significativo período, atingiram, em números preliminares e não auditados, o saldo de R$ 21,7 bilhões em 30 de setembro de 2022”.

Financiamentos

A Americanas disse que a diretoria anterior contratou financiamentos nos quais a companhia é devedora perante bancos, todas contabilizadas no balanço patrimonial, de 30 de setembro de 2022, na conta dos fornecedores. O que é ilegal. 

As operações de financiamento de compras somam R$ 18,4 bilhões e as operações de financiamento de capital de giro alcançam R$ 2,2 bilhões, em números não auditados.

O atual conselho de administração orientou a companhia e os assessores a apresentar o relatório a todas as autoridades competentes e avaliar as medidas visando ao ressarcimento dos danos causados pela fraude.

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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