O indiano Kailash Satyarthi, prêmio Nobel da Paz de 2014, conta que foi ignorado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O ativista afirmou que enviou uma carta para o ex-chefe do Executivo, fazendo um desafio no que se refere ao trabalho infantil. Mas foi completamente ignorado, como lembra o jornalista Jamil Chade em artigo publicado no UOL.
Satyarthi dividiu o prêmio Nobel com Malala Yousafzai. Seu reconhecimento se deu por seu trabalho na luta contra o trabalho e escravidão infantil.

Há 40 anos, os projetos do ativista indiano libertam mais de 85 mil crianças na Índia. Ao explicar a motivação do prêmio, o Comitê no Nobel destacou sua “luta contra a opressão de crianças e jovens, e seu direito pela educação”.
Motivos
Tudo começou em 2018, quando o ex-presidente, então candidato, afirmou que colocaria “um ponto final nos ativismos no Brasil” se vencesse as eleições.
Na ocasião, Satyarthi escreveu uma carta de apoio para Campanha Nacional pelo Direito à Educação (CNDE).
O vencedor do Nobel demonstrava solidariedade aos defensores dos direitos humanos, e dizia acreditar que Bolsonaro tinha a obrigação de cumprir tratados internacionais ratificados pelo Brasil.
Meio ano depois, Bolsonaro falaria explicitamente sobre o trabalho infantil, minimizando o fenômeno e defendendo que crianças trabalhem, tomando por base a sua própria experiência.
“Não fui prejudicado em nada. Quando um moleque de nove, dez anos vai trabalhar em algum lugar tá cheio de gente aí ‘trabalho escravo, não sei o quê, trabalho infantil’. Agora quando tá fumando um paralelepípedo de crack, ninguém fala nada”, afirmou.
Governo Lula

Para Satyarthi, os governos anteriores do presidente Lula trouxeram avanços significativos no combate ao trabalho infantil, ao mesmo tempo em que programas como Bolsa Escola e Bolsa Família “se tornaram um exemplo para o mundo”.
No entanto, sofreram severos retrocessos nos anos de Bolsonaro. Satyarthi conta que leu nos jornais as falas onde o ex-presidente incentivava o trabalho infantil, e isso o levou a escrever uma carta para o mandatário, chegando inclusive a afirmar para a mídia que estava disposto a encontrá-lo.
O ativista indiano contou então o desafio que fez ao ex-presidente.
“Se você for capaz de me convencer, estou pronto a abandonar meus 40 anos de luta contra o trabalho infantil e trabalho escravo. Mas, se eu for capaz de te convencer, então você terá de mudar de ideia e se unir ao movimento.”
Mas Bolsonaro jamais respondeu a carta.
A opinião do vencedor do prêmio Nobel é de que hoje, o Brasil se encontra em um cenário ainda mais difícil no combate ao trabalho infantil do que no primeiro governo Lula.
Deixe um comentário