4 de junho de 2026

PF queima maquinário ilegal em terra indígena no MT

Operação investigava desmatamento, corte seletivo e furto de bem da União cometido por organização que reunia indígenas e madeireiros
Foto: Divulgação Polícia Federal

A Polícia Federal finalizou nesta sexta-feira operação realizada no Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, contra organização composta por madeireiros e líderes indígenas pelos crimes de desmatamento, corte seletivo e furto de bem da União.

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As equipes da PF realizaram infiltrações por terra e ar em pontos específicos das terras indígenas indicados por análise de imagens de satélite e constataram grande número de esplanadas de madeira com grande volume de toras recém abatidas.

Também foram localizados pátios de desdobramento de lascas e palanques feitos de essências florestais de grande valor como Itaúba, Morcegueira, Cambará e Angico. A operação destruiu ainda tratores, maquinários e um caminhão toreiro.

Os dados, imagens e trilhas mapeadas integrarão um dossiê sobre a degradação do vale do alto Rio Xingu que reforçará inquérito policial a fim de agregar provas e solicitar a prisão dos autores, bem como a perda de seus bens.

Após a ação policial e administrativa no Parque Indígena, as investigações prosseguirão para responsabilizar os financiadores e demais envolvidos na extração ilegal de madeira no território indígena.

Degradação bilionária

Segundo a PF, a operação surgiu a partir de inúmeras denúncias de extração ilegal de madeira na região do Entre Rios em Nova Ubiratã, em que uma Organização Criminosa composta por madeireiros locais e alguns líderes indígenas estavam lucrando com a atividade e silenciando a maioria descontente.

A ação no território indígena também é uma reivindicação dos próprios Caciques e Lideranças dos 16 Povos Indígenas do PIX, conforme Carta da 8ª Governança Geral do Território Indígena do Xingu – GGTIX.

Peritos da Polícia Federal elaboraram laudos constatando em imagens de satélite a ocorrência de grande número de clareiras de extração recente de madeira em uma área degradada total de cerca de 7,8 mil hectares, madeira essa que em valores conservadores equivale a cerca de R$ 170 milhões.

Também foram constatadas áreas de extensão equivalente com cicatrizes de queimadas, que também possuíam índicos de exploração ilegal de madeira. O prejuízo proveniente da evasão/destruição de recursos florestais somado à degradação ambiental dentro da terra indígena foi valorado em cerca de R$ 1,7 bilhão.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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