A aliança circunstancial de Marina com a velha política (filiando-se ao PSB, com data marcada para pular fora) acaba de se transformar em um compromisso mais sério. Marina, com ideais religiosos conversadores, apoiada por banqueiros, empresários bilionários e economistas ortodoxos, num partido com alianças oportunistas com caciques locais por todo o país, agora mergulha de cabeça na velha estratégia marqueteira do messias, ungido por Deus (e pelo destino).
Por que ela não consegue efetivar o discurso da nova política? Porque isso é balela sem reforma política. É discurso, também, marqueteiro. As regras do jogo estão lançadas há séculos, e quem quiser mudar esse país pra melhor, infelizmente, ou mergulha nessa dita lama ou fala sozinho nos púlpitos em praças públicas. Só consegue fazer reforma política quem tem o poder político para tal, e só se consegue esse poder político com votos, só se obtém votos jogando as regras escritas e não-escritas. Repito: infelizmente.
Mas a estratégia de Marina, até agora, é se valer da nossa imaturidade política, da ingenuidade/alienação/hipocrisia da massa mais escolarizada e abastada do eleitorado para se vender como um candidata santificada, capaz de se eleger e governar sem “acordos” com o 1%, sem cessão à dita governabilidade. E segue apoiada pela grande mídia antipetista e pelos próprios tucanos, que quase jogaram a toalha, mas veem nela uma chance de voltar ao Poder. Já quebramos a cara com candidatos assim no passado.
Ela começa a sua campanha eleitoral no auge da exposição midiática. A partir de agora vai ter que apresentar e confrontar suas ideias, demonstrando serem capazes de se sustentar além da personagem que criou para si própria. Mas são 50 dias pela frente, tempo para a comoção passar, para vermos se convence o país da sua capacidade gestora e política ou se vamos cair, mais uma vez, no conto do vigário (ou da pastora).
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