5 de junho de 2026

A tragédia de Campos e ocasião de Marina, por Aldo Fornazieri

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A morte trágica de Eduardo Campos deve ser lamentada sob todos os aspectos. Se a perda é irreparável do ponto de vista pessoal, ela o é também do ponto de vista político. Campos era o mais promissor dos líderes de uma jovem geração de políticos e vinha forjando sua liderança no contexto de uma singularidade pessoal que não encontra par e paralelo em nenhum dos outros políticos atuais. A formação de líderes autênticos, capazes e virtuosos não depende dos bancos escolares ou de embalagens bem feitas pelo marketing. Depende de um processo de educação (que pode ser empírico) e de uma atividade prática, ambos definidos como experiência vivida que deixa os vincos fundos da singularidade do forjamento da personalidade política do líder.

De pouco serviria Campos ter se formado em Economia sem essa experiência vivida, que começou cedo, ainda na universidade, quando se tornou presidente do Diretório Acadêmico. Começou aí a aquisição e do domínio prático da arte de comandar, sem a qual não existem líderes políticos autênticos e capazes. Não parou mais: aos 21 anos, em 1986, ajudou a planejar a campanha do avô – Miguel Arraes. No ano seguinte torna-se chefe de Gabinete do governo Arraes. Depois vai disputar eleições, torna-se deputado, secretário de estado, ministro do governo Lula e governador de Pernambuco por duas vezes.

Campos estava dando o seu passo político mais importante: projetar a liderança que havia construído em Pernambuco e no PSB para o plano da política nacional. Foram praticamente 30 anos de atividade intensa para forjar e lapidar sua personalidade política e para galgar a condição de candidato à presidência da República. Teve em Arraes, um ícone da esquerda do século XX, uma espécie de Centauro Quíron – o tutor, educador e formador dos heróis antigos, dentre eles o mítico Aquiles.

Teria Campos as virtudes necessárias para ser um líder do tipo inovador, fundador de uma nova ordem política nacional? Difícil dizer, pois na história republicana tivemos apenas um líder com esta capacidade, que foi Getulio Vargas. Recentemente, Fernando Henrique Cardoso e Lula, com todas as suas diferenças, deram início à solução de dois problemas dramáticos do século XX. FHC encaminhou a solução do problema da inflação, que provocou muitas crises políticas e fracassos econômicos no século passado. Lula começou a enfrentar o pior problema da nossa história: as profundas desigualdades e a exclusão social. Passos importantíssimos foram dados nas duas direções, mas ambos precisam ser completados nos próximos anos. O governo Dilma se insere nesse contexto.

O fato é que Campos vinha assumindo um discurso que anunciava a intenção de aperfeiçoar o trabalho de seus antecessores e fazer algo que eles não conseguiram: reformar a ordem política nacional, cheia de vícios e malefícios. Absorvendo aspectos importantes do ideário de Marina Silva, sintetizado na tese da “nova política”, prometeu limpar a política nacional da presença dos Sarneys, dos Renans Calheiros, dos Collor etc. Entre outras coisas, prometia um país mais estável e previsível no seu ordenamento político e jurídico e uma Reforma Tributária, absolutamente necessária, pois o sistema tributário é uma das maiores fontes de injustiças e iniqüidades no Brasil por penalizar os pobres e beneficiar os ricos.

Quando Campos começou a plantar sua candidatura, pensava mais numa projeção para colher os frutos em 2018. Se as circunstâncias o favorecessem em 2014, talvez fosse prematuro, pois o seu projeto não estava plenamente amadurecido. Como bom aluno do Centauro (e talvez aqui o tutor tenha sido Lula), percebeu que precisava construir uma força política própria – o PSB – agregar organização mesmo sem vitórias, mas com avanços cumulativos, para poder alcançar o cume do triunfo um dia. Sem romper inteiramente no plano político, libertou-se da tutela do PT e de Lula para construir seu próprio exército, pois os líderes que não constroem sua força própria e vencem beneficiados pelas forças dos outros tendem ao fracasso, como bem mostrou Maquiavel. Percebeu que a ocasião para iniciar essa tarefa era 2014, pois as circunstâncias ofereciam um espaço para construir uma alternativa que fosse capaz de provocar rachaduras na polarização entre PT e PSDB. A deusa Fortuna sorriu-lhe ao oferecer-lhe, mais fruto do acaso do que de um projeto planejado, a oportunidade de agregar força com Marina Silva. Mas como essa deusa é matreira, e às vezes terrível, como foi o caso, aplicou-lhe um golpe definitivo e voltou a sorrir para Marina Silva.

A Ocasião de Marina Silva

Ao não compreender claramente o que Maquiavel havia ensinado e que Lula compreendeu com maestria ao construir o PT como força própria – que somente os profetas armados podem triunfar e que os desarmados fracassam – Marina foi negligente ao construir seu exército, sua força política. Não conseguindo legalizar a Rede, viu-se na contingência de se aliar a um líder mais poderoso do que ela (Eduardo Campos), o que é desaconselhável para quem pretende reformar ou refundar uma ordem existente. Pelo que havia acumulado em 2010, o seu momento seria 2014, mas a falta de força própria a colocou num plano secundário na grande batalha política das eleições presidenciais.

A deusa quis devolver-lhe essa ocasião, esse momento, ao custo de uma tragédia. Mesmo assim, Marina comandará um exército que não lhe é inteiramente fiel. E isto lhe trará problemas, seja no momento da batalha seja no momento do triunfo, na eventualidade de vencer as eleições. Terá que fazer concessões de saída, dando aval a acordos que Campos fizera e que ela não concordava. Ao se aliar a Campos numa posição subalterna, naquele primeiro momento, já perdeu seguidores. Ao assumir a cabeça da chapa, as concessões serão ainda mais profundas e ter-se-á que ver até que ponto elas não descaracterizarão o projeto original da Rede.

Quanto ao panorama político geral, aumenta significativamente o grau de incerteza acerca das eleições e também acerca do cenário de 2015. Aécio Neves e Dilma estão imediatamente ameaçados por Marina, como mostra a primeira pesquisa Datafolha após a tragédia. Dilma aparece com 36% das intenções de voto, Marina com 21% e Aécio com 20%. Num segundo turno, Marina bateria Dilma com 47% contra 43%, A direita política do país, por sua vez, pretenderá fazer de Marina uma candidata de direita, o que é uma tarefa difícil. Se Marina passar para um segundo turno contra Dilma, como reagirão os mercados e aos agentes econômicos? Marina fará ainda mais concessões para ser aceita pelos mercados, sacrificando no altar dos interesses econômicos o ideal da nova política? Se Marina triungar, a lógica diz que haveria perturbações e instabilidade política. Mas em política não há certezas absolutas e Marina, se eleita, não necessariamente fracassaria.

Aldo Fornazieri – Cientista Político e Professor da Escola de Sociologia e Política.

Aldo Fornazieri

Cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política.

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19 Comentários
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  1. André Paulo Reis

    18 de agosto de 2014 11:53 am

    Marina não é nenhuma incognita

    Se fosse eleita, o que não ocorrerá, pois ninguém é maluco a ponto de trocar o certo pelo duvidoso(se bem que Marina, com André Lara Rezende na economina não é tão duvidosa assim, é sim, da turma do neoliberalismo tosco), Marina teria alguma força para enfrentar os abutres da economia e do mercado financeiro que já estão a apoiando? Esse texto do Aldo não bate com a realidade dos fatos.

  2. Arthemísia

    18 de agosto de 2014 12:19 pm

    O que sempre acho

    O que sempre acho interessante nas análises teórico-políticas é que elas sempre são muito bem construídas, mas costumam deixam uma pulga atrás da orelha quando testadas na realidade. Sou pernambucana e me considero, até certo ponto, esclarecida. Digo isso para questionar as recentes avaliações, incluindo as desse post, sobre Eduardo Campos. Não é que, na prática, a gente não consegue ver isso tudo? Algumas das informações sobre a personalidade e o modo de trabahar dele são absolutamente verdadeiras, os resultados é que não combinam. Pernambuco não é essa maravilha toda que estão pintando pós-gestão Eduardo. É como a promessa de futuro brilhante que lhe dedicam, sendo que era o candidato com 8% das intenções de voto desde que se lançou na corrida presidencial. 

    Em relação à Marina, também não vejo incógnita; o que não sabemos, e não podemos saber, é se ela aguenta o tranco que está se propondo. Ela não será candidata pelo partido que escolheu, não consolidou projetos próprios e por isso vai ter que articular com projetos alheios, não aparenta ter energia necessária para a gigante tarefa de ser presidente desse país. Hoje em dia a gente sabe que se pode fazer bolo sem quebrar os ovos (que parece ser o entendimento de Marina sobre política), já que fazemos bolo sem ovos, sem glúten, sem açúcar, sem sal. Mas será bolo mesmo?

     

  3. Véio Zuza

    18 de agosto de 2014 12:44 pm

    Se eleita, Marina será nossa

    Se eleita, Marina será nossa MARIA ESTELA MARTINEZ DE PERON, a “ISABELITA”. Resta saber quem será o nosso LOPEZ REGA, “el brujo”; pode ser o cara do Boticário, pode ser o do Itaú, pode ser o irmão do finado… Para o papel de Gen. Videla, temos um ex-presidente do STF; para o de Gen. Gualtieri uma porção de milicos, de pijama ou não…

    Xô, arrenego, sai coisa ruim!!!!

  4. Arnaldo Costa

    18 de agosto de 2014 12:44 pm

    Ainda há outros políticos com esse perfil

    Incluo outros políticos ainda vivos nesse perfil: Fernando Pimentel, Mercadante, Eduardo Paes, Rogério Correa, Nilmário Miranda. Devo ter esquecido alguns outros.

  5. alvaro marins

    18 de agosto de 2014 12:46 pm

    “A direita política do país,

    “A direita política do país, por sua vez, pretenderá fazer de Marina uma candidata de direita, o que é uma tarefa difícil”. A frase acima prejudica sua análise, que vinha sendo muito bem desenvolvida. Entretanto, Marina já vinha se oferecendo para os projetos da direita desde 2010, quando cumpriu o papel de linha auxiliar para levar aquela eleição para o segundo turno. Com isso, cacifou-se para ser uma alternativa concreta para a direita em 2014. Não conseguiu, em um primeiro momento, por conta de sua própria incompetência. Mas não faltou o esforço hercúleo de Gilmar Dantas e os editoriais entusiastas do Merval Pereira naquele período. A sua adesão ao PSB também foi saudada pela direita como a possibilidade de transferir seus votos para o Eduardo Campos. Até a semana passada a estratégia não tinha surtido efeito. Com a morte de Eduardo e com a decepção eleitoral que Aécio havia se transformado, a direita imediatamente escolheu-a para desempenhar o papel para o qual a ex-senadora vem se preparando há pelo menos quatro anos. A frase citada, assim, não faz o menor sentido, pois Marina almejava ser essa candidata e a direita finalmente aceitou-a como tal. Muito embora a iminência da reeleição da Dilma a obrigasse a fazê-lo. Para a direita, Marina é uma espécie de última cartada para essa eleição. Ou seja, a “tarefa” não será “difícil” porque não não haverá necessidade de empenhar-se nela.

  6. vera lucia venturini

    18 de agosto de 2014 12:48 pm

    O Eduardo Campos morreu

    O Eduardo Campos morreu tragicamente e eu lamento. Mas acreditar que ele seria uma nova liderança política nem pensar. Era um político oportunista que se apropriou do discurso do PT no que o projeto político do partido tem de mais popular e do discurso do Psdb no que o partido tem de mais popular entre a elite e a classe média. Era um político ambicioso e seu oportunismo tornaria o seu projeto político-administrativo irrealizável. Se eleito algum seguimento do seu eleitorado seria traido.

    Quanto a Marina, se eleita, será mais uma aventura política temerária da história do país. Será mais uma presidente do tipo Janio Quadros e Color de Mello. Novamente teremos um projeto político de desenvolvimento e afirmação do país que tomou forma nos últimos anos substituido por um projeto inconsistente de um presidente exótico.

     

    1. Ramalho12

      18 de agosto de 2014 2:09 pm

      Também não acho que seria liderança

      Há como que “dinastias” se formando no Brasil. Acontece nas empresas familiares, nas artes (!) e também na política. Dos três candidatos iniciais à presidência da república, só Dilma não descende de políticos proeminentes. Evidentemente, tal não é bom para a democracia.

      Nepotismo político? Parece que sim (aliás, os inimigos da meritocracia que me perdoem, mas, em defesa dela, diria inicialmente que é o pior de todos os princípios de ascensão social, excetuando-se os demais; voltarei a essas questões “momentosas” – meritocracia, darwinismo social etc. – logo que tenha mais tempo). Muito provavelmente, o favoritismo de que gozam parentes de políticos deriva da estrutura de poder dos partidos políticos, criados de cima para baixo (a exceção notável do PT, um partido que Gramsci chamaria de orgânico). Nestes partidos que não o PT, o poder é distribuído entre os donos do partido e amigos dos donos, e herdado pelos descendentes destes. Evidentemente, tal prática condenável mina a democracia por dentro e afasta os que querem fazer política independentemente dos coronéis partidários. Sob o aspecto coronelista, haja vista o case Campos, o PSB não difere dos partidos convencionais, e tampouco Campos diferia dos políticos tradicionais.

      Apesar da organicidade do PT (na acepção gramsciana), discordo, por fidelidade a ela, de Lula escolher sucessores, como fez com Dilma e como, dizem, faria com Eduardo Campos. Os membros do partido deveriam escolhê-los, não Lula (talvez tenha sido essa forma de escolha um dos motivos da saída de Marina do PT, quadro com larga penetração política).

      Quanto ao elogio a Eduardo Campos feito em necrológios e de cujos argumentos de sustentação não tenho porque duvidar, é de se notar que o perfil de Campos feito neles caracteriza o governador como gerente, ou executivo, ou mesmo um CEO, porém jamais um estadista. Estadista é Lula (que coisa, e o homem falha nas concordâncias gramaticais, assim como eu falho!). No momento, Lula é o único estadista do Brasil, e um dos poucos do mundo. Lendo-se as qualidades gerenciais que emergem do perfil de Campos traçado nos necrológios, não há como se deixar de ver semelhanças fortes entre o perfil que dele traçam e o de Dilma. As respectivas qualidades gerenciais dos dois parecem explicar algumas das razões de Lula gostar tanto de ambos.

      Para os que prefeririam debater diferenças e semelhanças entre CEO e estadista, um bom princípio das discussões é considerar que CEO age dedutivamente; e estadista, indutivamente. O primeiro faz bem o que lhe foi determinado (pelos donos, ou conselho de administração de instituições), o outro descobre (ou inventa) o que deve (e tem!) de ser feito. O primeiro é racional; o segundo, visionário (intuitivo?). Claro que Lula, o visionário, precisa (e, por isto, os admira) dos grandes gerentes, aqueles capazes de implementar os caminhos que propõe (é um pouco como Niemeyer e seus engenheiros calculistas, Lula no papel de Niemeyer). E mais, um precisa do outro, como “a corda da caçamba” (ave Noel Rosa).

      É de se mencionar que o único estadista brasileiro nos dias de hoje, Lula, emergiu do povão, rompendo as amarras dos partidos formados de cima para baixo (o que conseguiu criando o PT). Lula quebrou paradigmas promovendo “revolução controlada” (não uma explosão atômica, mas análoga ao processo de reator nuclear e, por isto, ainda revolucionária), fazendo a tal da “arte do possível”, isto é, política.

      En passant, tem-se de reconhecer que Marina Silva, graças ao PT que a projetou politicamente, escapa do modelo oligárquico que cunhou Eduardo e Aécio. No entanto, paira sobre Marina a dúvida de se ela foi, ou não, cooptada pelo establishment.  Se foi, não difere de Campos e Aécio no que tange à gênese política.

      Eduardo Campos não foi estadista, e não há nenhum hoje no Brasil, infelizmente, além de Lula. Mesmo o PT de Lula está cristalizado, com alguma razão, pois falta muito a percorrer dos caminhos abertos por Lula e a explorá-los. Lula, o vendedor de caminhos, é como o vendedor da historinha que pede, “triplique a produção de sapatos, pois aqui ninguém os usa” (mas triplicar a produção de sapatos não é fácil e pode demorar) e falta ainda muito para o PT triplicar a produção, ainda há muitas demandas que Lula cometeu ao PT por serem atendidas.

      A história de Eduardo Campos, muito semelhante à de Aécio Neves, ambas com claros vieses de nepotismo, não fala bem dos processos de emergência dos políticos de ponta, não obstante a eventual qualidade moral e gerencial desses políticos. Tais políticos padecem do que se poderia chamar de pecado original, pecado que os afasta das verdadeiras necessidades populares e os torna prisioneiros da mesmice, meros continuadores de mentores também ignorantes do que o povo quer e precisa. Gerentes podemos até ter nos partidos tradicionais, mas onde encontrar nossos futuros estadistas e lideranças verdadeiras?

    2. Rafa

      19 de agosto de 2014 1:53 am

      Eduardo Campos detinha apenas

      Eduardo Campos detinha apenas 8% das intenções de voto, além do que, muita gente só tomou conhecimento ou atentou realmente para a candidatura de Campos após a exposição midiática de sua morte. Tanta exploração que transformou uma tragédia num palco eleitoral p Marina que também encontrava-se bem apagada no cenário político nacional. Então esse papo de grande liderança é só balela. Potencial, pode ser que ele tivesse, mas não alcançaria o posto que disputava, pelo menos não em curto ou médio prazo e não em companhia de Marina. 

  7. altamiro souza

    18 de agosto de 2014 1:16 pm

    o problema da marina é o o


    o problema da marina é o o seu messianismo e a sua ligação com os rentistas.

    1. Observador

      18 de agosto de 2014 2:48 pm

      Logo, ela não tem nada de

      Logo, ela não tem nada de novo!

      Seria uma psdb ecológico!

  8. lucascosta

    18 de agosto de 2014 1:55 pm

    A candidatura ainda não foi oficializada

    A candidatura ainda não foi oficializada. Quando o for, não será surpresa que venha com alguma forma de compromisso assumido pela candidata. Marina tem nessa eleição sua maior oportunidade. Certamente ela tentará utilizá-la da melhor forma possível. Compromissos inusitados da parte de Marina não devem ser descartados tão rapidamente. Vamos aguardar o anúncio oficial de sua candidatura.

  9. Fernando Fonseca

    18 de agosto de 2014 2:12 pm

    Foi o Vargas que morreu?

    Parece que Vargas morreu de novo se levarmos em conta a tentativa de tranformar o infortúnio de Campos pela mídia em tragédia nacional e com direito a pesquina eleitoral e tudo na boca do túmulo; isto revela o desespero da direita que prefere uma criacionista que é contra o aborto em qualquer situação, contra o ensino da evolução das espécies nas escolas, contra o desenvolvimento (ecochata) , contra o casamento de pessoas do mesmo sexo…do que uma nova vitória do PT.

  10. Ramalho12

    18 de agosto de 2014 2:18 pm

    Impressões que Marina Causa

    Por Fernando Brito e Nílson Lage

     

    Não faz um ano, Marina Silva, o grande fenômeno eleitoral de hoje – e da próxima pesquisa, ao que se diz – não conseguiu reunir as assinaturas de meio milhão de brasileiros que a quisessem fazer chefe de um novo partido político.

    Meio milhão de brasileiros é 0,35% dos eleitores deste país.

    Traduzindo: 35 pessoas em cada 10 mil cidadãos.

    Quem não servia para ser chefe de um partido, agora será apresentada como possível chefe de um país inteiro.

    Faltava-lhe povo, hoje – mais do que sempre – sobra-lhe mídia.

    Soma-se agora também a “indicação” do irmão, da mãe, da viúva e dos meninos que Eduardo Campos deixou.

    A nova política toma como eixo o desejo de um clã. Apenas uma família, por mais respeito pessoal que mereçam, ainda mais no momento de luto.

    Se os métodos são estes, o que é a personagem Marina?

    Dela, traça um agudo e conciso retrato o meu para sempre professor Nílson Lage, em seu Facebook, que não posso deixar de partilhar:

    Antes que se comece o papo de sempre, com uma porção de pessoas xingando as outras, defino minha visão pessoal consolidada sobre o objeto.

    Marina Silva pode ser excelente pessoa, mas é o anti-Brasil.

    Nascida de esquerdismo primitivista e romântico, ostenta uma subcultura enfeitada com palavras difíceis e frases sem sentido.

    Odeia o agronegócio. Não no sentido de enfrentar os herdeiros empresariais do velho coronelismo limitando suas ambições políticas, organizar agricultores em cooperativas para exploração de produtos em condições competitivas, ou criar arranjos produtivos que integrem a pequena propriedade em unidades industriais ou núcleos de armazenamento, processamento e comercialização.

    É contra o agronegócio em si, contra aquilo que sustenta o comércio externo do país. Extrativista, admite no máximo a agricultura de subsistência.

    Esse aspecto de seu programa é que o mais agrada aos Estados Unidos, que têm no Brasil sério concorrente real – e principalmente potencial – no mercado de commodities agrícolas.

    Esquerdista radical – no que esquerda e direita se abraçam, comovidas, ao som de um bolero – não é contra o capitalismo (tanto que a assessoram alguns de mais destacados intelectuais orgânicos do financismo bancário), mas contra a “sociedade industrial” – isto é, a Embraer, as siderúrgicas, as metalúrgicas…

    É dos que odeiam hidrelétricas e acham construí-las na Amazônia um crime contra os “povos da floresta”. Como termelétricas poluem e usinas nucleares são perigosas, sugerem iluminar e mover este país de 200 milhões de pessoas com cata-ventos, quando o vento sopra.

    Tirando o criacionismo, o horror aos transgênicos (não ao patenteamento de novas espécies obtidas em laboratório, mas à ciência que permite criá-los) e o uso abusivo dos conceitos em ciências humanas, nada propõe em áreas do conhecimento.

    Não tem suporte político além do aglomerado que se forma conjunturalmente para colocá-la no governo ou atrapalhar o “inimigo”. É contra “tudo que está aí”, pela gestão do Estado com a graça de Deus, espada da Justiça, a confiança da Fé, a pureza da Inocência e iluminação da Sabedoria. Fernando Collor, em 1989, era candidato bem mais consistente.

    Muitos dos eleitores de Marina que conheço, principalmente aqui no Sul do país, vêm nos últimos anos buscando na história da família algum avô que lhes possa garantir uma “outra nacionalidade” . Pode até ser, então, que tenham oportunidade de usá-la.

    Não há nada a acrescentar ao que diz Lage.

    Mas não é demais completar o que isso significa com a observação do amigo que me enviou seu texto: Há horas em que certas posições políticas são inocência ou cinismo.

    “A inocência é prima da boa vontade, da ingenuidade e da ignorância. O cinismo tem parte com a má-fé, a astúcia e a arrogância. Em outras palavras: apoiar Marina é iludir – a si mesmo ou aos outros; dependendo apenas de como se é, se inocente ou cínico.”

  11. José Carlos Damaceno

    18 de agosto de 2014 2:39 pm

    meu voto

    Meu voto é o que tenho de mais importante nesse embrolho todo e não posso errar portanto entre o certo e o duvidoso meu sagrado voto é da Dilma.

  12. Juliano Santos

    18 de agosto de 2014 2:45 pm

    “A direita política do país,

    “A direita política do país, por sua vez, pretenderá fazer de Marina uma candidata de direita, o que é uma tarefa difícil.”

    Incrível como um intelectual com esse currículo todo se deixe enganar por essa “bomba semiótica”, que é a Osmarina

  13. Ramalho12

    18 de agosto de 2014 3:09 pm

    Essas Coisas Acontecem em Nome de Algo Maior

    Marina atribuiu não ter morrido no acidente que vitimou Eduardo Campos à “mão de Deus”. Disse, depois, que “essas coisas não acontecem por acaso, mas em nome de algo maior”. Ora, no contexto político, esse “algo maior” só pode ser o projeto político de Marina de se eleger presidente da república.

    Então ficamos assim: o Deus de Marina mata seu colega de chapa e várias outras pessoas para que o projeto político de Marina deslanche. Desse Deus de Marina, quero distância.

    Que prenúncio escandaloso de retrocesso, um Deus cruel que mata pessoas para privilegiar os objetivos de uma outra pessoa, supostamente santa, pois essa outra estaria acima das demais: seria ungida por Deus com o dom da profecia e de mudança da história, o que a colocaria, portanto, acima de seus semelhantes que existiriam para servi-la, inclusive com a vida. O elenco de profetas bíblicos parece estar em vias de ser aumentado, e a Bíblia terá de ser reescrita.

     

     

  14. Sta Catarina

    18 de agosto de 2014 4:02 pm

    Marina

    Qualquer percentual dado em estatísticas neste momento não é digno de atenção. Acho que o PSB irá montar num burro colocando a Marina como candidata. Esta, não tem condições nem de governar uma cidade de pequeno porte quanto mais um país com a complexidade e tamanho do Brasil. Vai dar muita cabeçada na campanha, podem esperar, e veremos de camarote os índices de intenções de voto cairem para desespero dos neoliberais oportunistas.

  15. Andre B

    18 de agosto de 2014 10:38 pm

    a ‘semiotica’ fascista do texto

    Um professor de ciência politica deve conhecer o sentido do termo ‘personalismo’. O texto em primeiro lugar é uma defesa quase explicita do personalismo na politica. Lula por exemplo não ‘construi o PT como força própria’. O PT na sua fundação e por 10 anos, até as fatidicas eleições de 1989 era grande frente de esquerda, profundamente ligada aos movimentos sociais e que praticava a democracia e autonomia interna. Não era um projeto pessoal, não tinha dono. Foi um fato único na politica brasileira – isso sim foi a ‘nova politica’ – e que durou pouco tempo até ser tomado pelo personalismo de alguns.

    Não por um acaso o texto é visivelmente uma peça de propaganda a favor de Marina. Como se não bastasse as referencias místicas de caráter pagão – que na politica só foram utilizados de forma ‘bem sucedida’ pelos nazis e que foram incorporadas pela atual ‘nova (ultra)direita’ européia – , o autor parece solicitar o uso da força por parte de Marina como recurso politico. “Não fazer concessões” em politica significa apelar a força. O erro de Marina estaria em ter se demonstrado até aqui um lider sem a força para criar os recursos para construir uma ‘nova ordem’ ( termo tipicamente fascista, inclusive o nome de um grupo fascista que autou na Itália do pós-guerra até a década de 1970). Junte tudo isso com o personalismo politico defendido pelo autor em todo o texto e este se torna uma defesa implícita do Füherprinzipe na politica, a total subordinação a um(a) lider. Ainda mais se esta é escolhida pela “deusa” pagã da fortuna.

  16. Rafa

    19 de agosto de 2014 1:08 am

    Essa Marina Silva é

    Essa Marina Silva é espertalhona e oportunista, escandalosamente se aproveitando de uma tragédia e ainda tem quem acredite nas boas intenções dessa dissimulada. É, diz o ditado popular: o que seria dos espertos se não houvessem os tolos? 

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