4 de junho de 2026

Netanyahu anuncia o fim da Operação ‘Casa e Jardim’ na Cisjordânia ocupada

Até o momento, o Ministério da Saúde palestino contabiliza cerca de 20 mortos e mais de 200 feridos. Foi a maior ação militar em duas décadas
Benjamin Netanyahu anunciou encerramento da operação, mas dando a entender que não recuará de expansão na Cisjordânia. Foto: Reprodução/Wikipedia

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que as forças militares de seu país encerram nesta quarta-feira (5) a incursão chamada Operação ‘Casa e Jardim’ na cidade de Jenin, na Cisjordânia ocupada, que teve início na segunda-feira (3). 

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Até o momento, o Ministério da Saúde palestino contabiliza cerca de 20 mortos e mais de 200 feridos. A contagem se dá desde os primeiros ataques de soldados israelenses, antes do início da operação, que por si só matou 10 e feriu 100. 

As Brigadas de Jenin enfrentaram as tropas israelenses, sendo as brigadas uma unidade formada por diferentes grupos palestinos, sediadas no campo de refugiados de Jenin.

As Nações Unidas repudiaram a operação militar de Israel e pediram seu fim desde o início, considerando que o país fere o direito internacional na região. O governo Netanyahu não deu ouvidos ao organismo multilateral e teve o apoio dos Estados Unidos. 

Durante Intifada, o primeiro ataque

Não é a primeira vez que os israelenses atacam Jenin. Em abril de 2002, após uma campanha de atentados suicidas em Israel, as forças israelenses lançaram um ataque que durou 10 dias e ficou conhecido como a Batalha de Jenin.

Conforme dados apurados em registros da ONU, 52 palestinos, metade deles civis, foram mortos nos combates, assim como 23 soldados israelenses. Cerca de 400 casas foram destruídas, e um quarto da população perdeu suas casas.

Da mesma forma que aconteceu nesta Operação ‘Casa e Jardim’, com os israelenses barrando até mesmo ambulâncias e ajuda médica, relatório da ONU à época criticou Israel por não permitir a entrada de ajuda humanitária no campo de refugiados.

Escalada da violência

A história se repetiu como tragédia. Sete palestinos foram mortos em um ataque israelense a Jenin, no último dia 19 de junho, com Israel atacando o campo usando um helicóptero de combate.

No dia seguinte, conforme a BBC Brasil, dois militantes do Hamas mataram a tiros quatro israelenses em um posto de gasolina e em um restaurante perto do assentamento de Eli, 40 km ao sul de Jenin.

Aqui a escalada tem início, com centenas de colonos israelenses incendiando casas e carros de palestinos na cidade vizinha de Turmusaya, onde um palestino foi morto a tiros.

Não parou por aí e um drone israelense matou três militantes palestinos em Jenin, informa a BBC, depois que eles supostamente realizaram disparos em um posto de controle militar perto da cidade. A Operação ‘Casa e Jardim’ começou.  

Abbas rompe cooperação

Após a incursão de Israel, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, anunciou que romperá toda a cooperação com Israel e que cessará imediatamente contatos e reuniões bilaterais.

Horas antes de confirmar o fim da incursão militar na cidade de Jenin, o exército israelense bombardeou a cidade palestina de Beit Lahiya, no norte da Faixa de Gaza, em resposta ao lançamento de artefatos explosivos.

De acordo com as Forças de Defesa de Israel (IDF), pelo menos cinco supostos projéteis foram lançados da Faixa de Gaza para o sul do território israelense. Todos os mísseis foram interceptados por defesas antiaéreas, disse a IDF.

Maior operação em duas décadas 

O primeiro-ministro israelense anunciou na terça-feira (4) que as forças militares de seu país estão encerrando uma incursão na cidade de Jenin, na Cisjordânia.

A operação batizada de ‘Casa e Jardim’ deixou pelo menos 10 palestinos mortos e mais de 100 feridos, sendo considerada a maior incursão militar na Cisjordânia nas últimas duas décadas.

Mais de mil soldados, apoiados por unidades aéreas e drones, foram mobilizados para participar do ataque, que se concentrou principalmente no campo de refugiados de Jenin, convertido em um campo de batalha.

Poderio militar

O campo está superlotado porque há cerca de 14 mil moradores em menos de meio quilômetro quadrado, segundo a Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA, na sigla em inglês). 

O campo de Jenin tem uma das maiores taxas de pobreza e desemprego dos 19 campos de refugiados da Cisjordânia, segundo dados da ONU. Diante disso, a resistência armada às medidas de segurança de Israel cresceu na Cisjordânia.

Países condenam ataque

Países de todo o mundo condenaram os ataques de Israel à cidade palestina de Jenin, na Cisjordânia ocupada, após ataques contínuos com balas reais e artefatos explosivos.

O Itamaraty condenou os ataques logo no início deles, em 19 de junho, acompanhando a ONU nos argumentos de violações ao direito internacional. Incitou ainda que Israel parasse de se expandir na Cisjordânia ocupada. 

O Brasil condenou as ações de Israel

A Síria foi uma das nações que levantou a voz contra o flagelo do Exército de Tel Aviv e descreveu suas ações como crimes contra a humanidade contra o povo palestino.

“A Síria reitera seu total apoio ao povo palestino em sua luta contra a ocupação israelense e pede às Nações Unidas que tomem medidas imediatas para impedir esses crimes e responsabilizar os perpetradores”, disse o Ministério das Relações Exteriores de Damasco em comunicado.

Iraque, Líbano e Cuba 

Por sua vez, o governo iraquiano rejeitou os contínuos ataques contra o povo palestino e afirmou que se trata de um ato desestabilizador que põe em risco a segurança regional.

O ministério das Relações Exteriores e Emigrantes do Líbano condenou os ataques de Tel Aviv com bombardeios de aviões, armas pesadas e impedindo que os feridos recebessem tratamento.

Exortou a comunidade internacional a exercer pressão sobre Israel para que cesse o assédio e proteja os civis indefesos, a fim de salvar a paz e a segurança internacional.

Já o chanceler cubano Bruno Rodríguez Parrilla expressou que “condenamos veementemente a operação militar israelense no campo de refugiados de Jenin, que causou mortes e ferimentos de civis”, disse o diplomata no Twitter.

História do campo de Jenin 

O campo foi criado no início dos anos 1950 para os palestinos deslocados durante a guerra de 1948-49, em que o recém-nascido Estado de Israel lutou contra seus vizinhos árabes.

Pelo menos 750 mil pessoas tiveram que abandonar suas casas, no que os palestinos chamam de Nakba ou “catástrofe”.

Durante a Segunda Intifada, onda de violência que ocorreu em Israel e nos territórios palestinos entre 2000 e 2005, o campo de Jenin tornou-se um dos maiores focos de tensão.

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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