21 de maio de 2026

O novo governo Lula e as relações Brasil-EUA, por Tatiana Berringer e Patricia Lima Rego

Joe Biden foi o primeiro chefe de Estado a cumprimentar Lula logo após a divulgação dos resultados das urnas.
Embaixada EUA

do Observatório de Geopolítica

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O novo governo Lula e as relações Brasil – EUA: alinhamento, anti-imperialismo ou autonomia 

por Tatiana Berringer e Patricia Lima Rego 

Os primeiros seis meses do terceiro mandato de Lula foram marcados por forte protagonismo internacional do governo brasileiro. É inegável que o Estado brasileiro tem ocupado um espaço privilegiado na cena política internacional, e isso desperta uma questão central que muitas vezes se coloca para a análise da política externa brasileira: trata-se de uma política de alinhamento aos EUA, uma política anti-imperialista ou uma política de busca de autonomia (na dependência)? Vamos traçar de maneira quase cronológica como os fatos foram se desenrolando as relações entre os Estados Unidos e o Estado brasileiro a fim de responder essa questão.

A mudança de governo trouxe uma grande alteração na política externa brasileira. Isso porque desde 2016, e especialmente com o governo Bolsonaro houve um forte alinhamento com os EUA e o abandono da política de integração regional, cooperação Sul-Sul e defesa do multilateralismo. Ademais, depois da eleição de Joe Biden nos EUA, e da continuidade da política ambiental e da ameaça à democracia, o Estado brasileiro se isolou internacionalmente. De tal forma que, em 2022, durante as eleições no Brasil, os Estados Unidos promulgaram um ato legal de compromisso de reconhecimento imediato do pleito eleitoral brasileiro, e Joe Biden foi o primeiro chefe de Estado a cumprimentar Lula logo após a divulgação dos resultados das urnas.

Durante a campanha eleitoral e logo após a vitória, o PT anunciou que retomaria pautas importantes da política externa brasileira, entre elas: os compromissos ambientais e a luta pela igualdade e pela paz. Assim, ainda em 2022, Lula participou da Conferência entre as Partes 26 no Egito e fez declarações importantes sobre a guerra da Ucrânia. Nesse início de governo houve muitas viagens internacionais e participação e ativismo nos fóruns multilaterais.  

Os Estados Unidos foram o segundo país a receber a visita oficial do Presidente Lula e da sua equipe. Na ocasião, os EUA se comprometeram a investir no Fundo Amazônia e ambos demonstraram preocupações com os atos da extrema-direita e de forças golpistas nos seus países. Depois disso, durante a sessão extraordinária da Assembleia Geral da ONU, o Brasil votou pela condenação da invasão russa, afastando-se da posição dos demais Estados do BRICS. Este fato foi avaliado por alguns analistas como um voto influenciado pelos EUA, isto é, um alinhamento.

Em abril de 2023 durante a visita do presidente brasileiro à China, Lula fez uma fala que dizia que os EUA e a Europa deveriam trabalhar para a paz e que a Ucrânia também tinha responsabilidade sobre o conflito (ver também nota conjunta). Antes disso, o assessor especial de assuntos internacionais e ex-ministro, Celso Amorim, tinha viajado a Moscou para tentar conversar com Putin. E logo que Lula retornou ao Brasil, o Ministro de Relações Exterior da Rússia, fez uma visita oficial que incluiu um giro pela região incluindo no roteiro a Venezuela e Nicarágua.  As declarações de Lula a foram objeto de críticas e controvérsias na comunidade internacional, especialmente nos EUA e Europa, que as viram como uma posição anti-imperialista do Estado brasileiro.

Essa percepção foi reforçada quando o governo Lula recebeu o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e no dia seguinte se reuniu com os presidentes sul-americanos a fim de relançar a Unasul. Ações que integram a política de integração regional e aproximação política com os Estados vizinhos. Fundamental para o desenvolvimento brasileiro e para a estabilidade e paz na região.

O Estado brasileiro tem se proposto a ser mediador da guerra da Ucrânia e pretende liderar o processo de fortalecimento da integração regional sul-americana. Ações que seguem os princípios tradicionais da Política Externa Brasileira, defendidos pelo artigo 4º da Constituição Federal de não-intervenção em assuntos internos, defesa do multilateralismo, da solução pacífica de conflitos e construção de uma comunidade sul-americana das nações. Isso caracteriza, portanto, a política externa de busca por autonomia (mesmo que na dependência).

Tatiana Berringer – Professora de Relações Internacionais da UFABC

Patricia Lima Rego – Graduanda em Relações Internacionais na UFABC

As duas integram o OPEB

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepauta@jornalggn.com.br. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica.

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