10 de junho de 2026

Organizações sociais denunciam tentativa de “golpe eleitoral” na Guatemala 

Organizações sociais guatemaltecas instaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a ignorar a decisão judicial contra o partido Semilla
O Grupo Puebla pede às autoridades da Guatemala que se garanta e respeite o processo eleitoral. Foto: TSE Guatemala

Várias organizações sociais da Guatemala denunciaram nesta quarta-feira (13) uma tentativa de golpe eleitoral em curso, após a decisão do Ministério Público de suspender o partido político Semilla, do candidato Bernardo Arévalo, que enfrentará a ex-primeira-dama Sandra Torres, no segundo turno eleitoral.

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As organizações Transparência Internacional, Ação Cidadã e Rede Nacional de Comissões e Coletivos Cidadãos pela Transparência e Probidade indicaram em comunicado que a decisão de suspender o Semilla é “ilegal” e instaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a “ignorar” a resolução judicial.

Segundo as entidades sociais, o objetivo da suspensão penal do Semilla é realizar um golpe eleitoral equivalente a um golpe de Estado. A suspensão penal do partido Semilla foi um pedido feito pelo Ministério Público ao Poder Judiciário guatemalteco.

O Grupo Puebla pede às autoridades da Guatemala que se garanta e respeite o processo eleitoral antes do segundo turno, marcado para 20 de agosto, em meio à incerteza criada pelo processo de oficialização dos resultados, ordenado pelo TSE.

Ministério Público pediu suspensão

O documento com a decisão foi divulgado após o Ministério Público anunciar a suspensão de Semilla, ao mesmo tempo em que o TSE oficializa o resultado do primeiro turno das eleições de 25 de junho.

O TSE confirmou a passagem da candidata Sandra Torres e de Bernardo Arévalo ao segundo turno, marcado para 20 de agosto. 

Então a Corte Constitucional da Guatemala, instância máxima do país, suspendeu a oficialização dos resultados eleitorais em 1º de julho, até que sejam investigadas as denúncias de supostas irregularidades apresentadas por nove partidos políticos.

O candidato Bernardo Arévalo se manifestou no Twitter: “isso não é para nós nem para Semilla, é para todo o país. Os poderosos não querem mais que o povo decida livremente seu futuro, mas vamos vencer. A semente da mudança e da esperança não será pisada.”

Resultado pendente

A oficialização dos resultados estava pendente depois que o Tribunal Constitucional, o mais alto tribunal do país centro-americano, ordenou uma nova revisão dos registros eleitorais em 1º de julho.

O TSE, por sua vez, disse desconhecer a tramitação judicial e determinou o segundo turno presidencial para o próximo dia 20 de agosto, conforme previsto no calendário eleitoral.

Na segunda-feira (10), para esquentar o caldo eleitoral na Guatemala, as Juntas Eleitorais cumpriram o que foi ordenado pelo Tribunal Constitucional nas audiências de revisão de escrutínio.

Antes de conhecer a decisão, o TSE havia assegurado que o trâmite legal estabelecido seria seguido para que os resultados eleitorais fossem oficializados e a próxima etapa do processo eleitoral fosse iniciada.

Brasil se pronuncia 

“O governo brasileiro está acompanhando de perto o processo eleitoral em andamento na Guatemala, especialmente as consequências da decisão da Corte Constitucional e da resolução do Tribunal Superior Eleitoral que determinou a revisão da apuração dos votos do primeiro turno das eleições pelas juntas eleitorais”, informou o Ministério das Relações Exteriores em comunicado.

O presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei, publicou um comunicado afirmando que há uma “campanha de desinformação” cujo objetivo seria “gerar confusão e desinformação”.

Giammattei, respondendo ao Brasil e também à Argentina, que se manifestou no mesmo sentido da diplomacia brasileira, disse que é preciso respeitar a soberania e a institucionalidade do país, reafirmando o compromisso com a democracia e a vontade popular do voto. 

Com informações da TeleSur e Prensa Latina

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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