Várias organizações sociais da Guatemala denunciaram nesta quarta-feira (13) uma tentativa de golpe eleitoral em curso, após a decisão do Ministério Público de suspender o partido político Semilla, do candidato Bernardo Arévalo, que enfrentará a ex-primeira-dama Sandra Torres, no segundo turno eleitoral.
As organizações Transparência Internacional, Ação Cidadã e Rede Nacional de Comissões e Coletivos Cidadãos pela Transparência e Probidade indicaram em comunicado que a decisão de suspender o Semilla é “ilegal” e instaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a “ignorar” a resolução judicial.
Segundo as entidades sociais, o objetivo da suspensão penal do Semilla é realizar um golpe eleitoral equivalente a um golpe de Estado. A suspensão penal do partido Semilla foi um pedido feito pelo Ministério Público ao Poder Judiciário guatemalteco.
O Grupo Puebla pede às autoridades da Guatemala que se garanta e respeite o processo eleitoral antes do segundo turno, marcado para 20 de agosto, em meio à incerteza criada pelo processo de oficialização dos resultados, ordenado pelo TSE.
Ministério Público pediu suspensão
O documento com a decisão foi divulgado após o Ministério Público anunciar a suspensão de Semilla, ao mesmo tempo em que o TSE oficializa o resultado do primeiro turno das eleições de 25 de junho.
O TSE confirmou a passagem da candidata Sandra Torres e de Bernardo Arévalo ao segundo turno, marcado para 20 de agosto.
Então a Corte Constitucional da Guatemala, instância máxima do país, suspendeu a oficialização dos resultados eleitorais em 1º de julho, até que sejam investigadas as denúncias de supostas irregularidades apresentadas por nove partidos políticos.
O candidato Bernardo Arévalo se manifestou no Twitter: “isso não é para nós nem para Semilla, é para todo o país. Os poderosos não querem mais que o povo decida livremente seu futuro, mas vamos vencer. A semente da mudança e da esperança não será pisada.”
Resultado pendente
A oficialização dos resultados estava pendente depois que o Tribunal Constitucional, o mais alto tribunal do país centro-americano, ordenou uma nova revisão dos registros eleitorais em 1º de julho.
O TSE, por sua vez, disse desconhecer a tramitação judicial e determinou o segundo turno presidencial para o próximo dia 20 de agosto, conforme previsto no calendário eleitoral.
Na segunda-feira (10), para esquentar o caldo eleitoral na Guatemala, as Juntas Eleitorais cumpriram o que foi ordenado pelo Tribunal Constitucional nas audiências de revisão de escrutínio.
Antes de conhecer a decisão, o TSE havia assegurado que o trâmite legal estabelecido seria seguido para que os resultados eleitorais fossem oficializados e a próxima etapa do processo eleitoral fosse iniciada.
Brasil se pronuncia
“O governo brasileiro está acompanhando de perto o processo eleitoral em andamento na Guatemala, especialmente as consequências da decisão da Corte Constitucional e da resolução do Tribunal Superior Eleitoral que determinou a revisão da apuração dos votos do primeiro turno das eleições pelas juntas eleitorais”, informou o Ministério das Relações Exteriores em comunicado.
O presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei, publicou um comunicado afirmando que há uma “campanha de desinformação” cujo objetivo seria “gerar confusão e desinformação”.
Giammattei, respondendo ao Brasil e também à Argentina, que se manifestou no mesmo sentido da diplomacia brasileira, disse que é preciso respeitar a soberania e a institucionalidade do país, reafirmando o compromisso com a democracia e a vontade popular do voto.
Com informações da TeleSur e Prensa Latina
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