Um mar de rosas?
por Izaías Almada
Não, caro leitor, o título não tem nada a ver com a Barbie. Aliás, só mesmo um mundo que perdeu o prumo se deixa levar por tanta besteira envolvendo uma boneca que é mais sem graça do que assistir a um desses BBB’s da vida.
O mar de rosas a que me refiro é ver e analisar o quanto o capitalismo tomou conta do mundo digitalizado nas duas pontas do espectro consumista: a produção dos mais novos e sofisticados meios de comunicação (computadores, celulares e seus derivativos e apps) e o excesso de bobagens e mentiras que esses mesmos meios de comunicação produzem. A começar pelas fake news.
Quando não se sabe mais se a notícia é verdadeira ou falsa, está aberto o caminho para o “complexo de São Tomé”: ver para crer.
E adianta? Perguntarão alguns. Claro que não, respondo eu… E sem medo de errar. Quanto mais as pessoas forem iludidas ou mesmo enganadas, o dono do capital vai aumentando a sua fortuna e subindo no ranking da Revista Forbes.
O vale do Suplício é hoje a maior fábrica de idiotices do mundo. Os grandes estúdios hollywoodianos, o Vale do Suplício e os canais de streaming formam hoje a santa trindade da falta do que fazer.
Basta comprar um televisor de 100 polegadas, um celular 50G, um laptop de seis milhas e procurar pelos streamings. Em seguida sentar-se no sofá confortável da sala ou do escritório, tendo ao lado uma garrafa da bebida alcoólica preferida e tomar todo o cuidado para não cair bêbado e de quatro, pois você corre seriamente o risco de não mais se levantar.
E assim caminha a humanidade: do homem da caverna à Barbie. Os russos brigam com os ucranianos, o Biden com a China, o Banco Central não baixa os juros, o pastor evangélico manda estuprar as fieis, os jumentos ganham notoriedade na política brasileira, os reis da Lava Jato estão acima das leis e traem o seu país, cinco anos depois e ainda não se sabe quem mandou matar Marielle, a inteligência artificial não é nem inteligência e nem artificial e a corrupção é a tábua de salvação do neoliberalismo.
Não nos desesperemos… O pior ainda está por vir!
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.
Deixe um comentário