4 de junho de 2026

A propósito de Gaza, por Eric Hobsbawm

Jornal GGN – O historiador Eric Hobsbawm publicou este artigo sobre o conflito entre Israel e a Faixa de Gaza em 2009. Cinco anos após sua publicação e dois anos depois da morte de seu autor, as palavras de Hobsbawm, um judeu britânico, são mais relevantes do que nunca com a nova ofensiva israelense em Gaza.

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Eis o artigo, republicado pelo site El Ciudadano e traduzido pela equipe do Jornal GGN.

A propósito de Gaza

Eric Hobsbawm

“Durante três semanas a barbárie tem sido mostrada ante um público universal, que tem observado, julgado e, com poucas exceções, rechaçado o uso do terror militar por parte de Israel contra um milhão e meio de habitantes bloqueados desde 2006 na Faixa de Gaza. Nunca antes as justificativas oficiais da invasão têm sido tão claramente refutadas como agora, com a combinação de câmeras e aritmética; nem a linguagem dos “alvos militares” com imagens sangrentas de crianças e escolas em chamas. Treze mortos em um dos lados, 1.360 de outro: não é difícil estabelecer onde está a vítima. Não há muito mais a dizer sobre a operação terrível de Israel em Gaza.

Exceto para aqueles de nós que são judeus. Em uma história longa e incerta de um povo em diáspora, a nossa reação natural para eventos públicos têm incluído, inevitavelmente, a pergunta: “É bom ou ruim para os judeus?”. Neste caso, a resposta é inequívoca: “Ruim para os judeus”.

É evidente que é ruim para os cinco milhões e meio de judeus vivendo em Israel e nos territórios ocupados desde 1967, cuja segurança está ameaçada por ações militares israelenses tomem em Gaza e no Líbano, ações que demonstram a sua incapacidade de atingir os objetivos definidos e que perpetuam e intensificam o isolamento de Israel em um Oriente Médio hostil. Desdo o genocídio ou expulsão em massa de palestinos do que resta de sua terra natal não tem havido outro programa prático que não a destruição do Estado de Israel, e somente uma coexistência negociada em igualdade de condições entre os os dois grupos pode proporcionar um futuro estável. Cada nova aventura militar, como as de Gaza e no Líbano, fará com que esta solução seja mais difícil e fortalecerá a ala direitista de Israel e aos colonos da Cisjordânia, que lideram a oposição a a uma solução negociada.

Igual à guerra do Líbano, em 2006, Gaza ecureceu as perspectivas de futuro para Israel. Também escureceu as perspectivas dos nove milhões de judeus que vivem na diáspora. Permitam-me que fale sem rodeios: a crítica de Israel não implica em antissemitimismo, mas as ações do governo de Israel causam vergonha entros os judeus e, sobretudo, dá espaço ao atual antissemitismo. Desde 1945, os judeus, dentro e fora de Israel, se beneficiaram enormemente com a má consciência do um mundo ocidental, que se recusou à imigração judia na década de 1930, alguns anos antes de serem permitidas, ou não se opuseram ao genocídio. Quanta dessa má consciência, que praticamente eliminou o antissemitismo no Ocidente durante sessenta anos e produziu uma época dourada para sua diáspora, é hoje a esquerda?

A ação de Israel em Gaza não é a de um povo que é vítima da história, nem sequer é o “pequeno valente” Israel da mitologia de 1948-1967, como um David derrotando a todos os Golias ao seu redor. Israel está perdendo a boa vontade tão rapidamente como os EUA de George W. Bush, e por razões similares: a cegueira nacionalista e a megalomania do poder militar. O que é bom para Israel e o que é bom para os judeus como povo são coisas que estão evidentemente vinculadas, mas eenquanto não houver uma resposta para a questão da Palestina não são e não podem ser idênticas. E é essencial para os judeus que se diga.”

Eric Hobsbwam

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

11 Comentários
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  1. altamiro souza

    4 de agosto de 2014 6:27 pm

    a importancia crítica de

    a importancia crítica de hobsbawn ajuda a comprovar o que já foi dito aqui,.

    mais importante é qu é um juudeu, conhece bem o espírito do seu povo e sabe queo  poder armamentista é que hegemoniza o atual governo israelesne.

    outro dado interessante que ele levantantou.

    os judeus conseguiram a admiração da humanidade depois do holocausto, mas – aí é eu que acho – se inverter essa admiração é um perigo.

    como satirizou certra vez o millor: vejo judeus por todos os ladis  mas nenhum nazista. foi mis ou menos isso.

  2. wendel

    4 de agosto de 2014 6:46 pm

    E assim…………..

    E assim caminha a humanidade!!!! Vejam que passados tantos anos deste artigo, e o GGN republicá-lo, parece que foi escrito ontem!

    De lá para cá, nada mudou, a não ser mais assentamentos, mais roubos de terras dos palestinos, mais afronta, mais ousadia, mais tudo, e então fazemos a pergunta: de que adianta ficarmos protestando contra estes assassinatos de civis e crianças na Palestina se os Donos do Mundo, como são chamados, estão se lixando!

    até os próprios judeus, na diáspora, muitos deles, contra este genocídio, pouco podem fazer, pois não praticando a aliah, não poderão exercer seu direito de voto para mudar o sistema vigente em Israel.

    Talvez nem queiram, pois irem para o deserto, se sujeitarem áquelas condições de vida, nem pensar!!!

    Preferem ficarem em outros paises, pois segundo estatísticas, fazem parte do 1% mais ricos do planeta, e porque iriam se estabelecerem lá se as mordomias e benesses estão junto aos “goins”! 

    1. peregrino

      4 de agosto de 2014 8:05 pm

      muito por aí mesmo…

      navegando pelos mares desérticos e calmos do discuro enganador de décadas………….

      …tudo por lá, em Israel, é uma maravilha sem igual…

      mas vai lá conferir e veja como estão exagerando

       

      bem por aí mesmo:

      faça do outro lado um inferno para se viver, como estão fazendo, e veja como nós, israelenses, somo abençoados

  3. Fernando Antonio Moreira Marques

    4 de agosto de 2014 6:59 pm

    O pau que nasce torto não tem jeito morre torto

    São muitos os erros desde a criação do Estado de Israel.

    1. A doação do território da Palestina aos sionistas foi feita pela ONU (sucessora da Liga das Nações), presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, sem consultar os maiores interessados. Os Palestinos que há milênios ocupavam este território.

    2. As milícias sionistas mesmo antes de terem esta carta da branca da ONU, já estavam assassinando e aterrorizando famílias palestinas, forçando-as a abondonarem suas propriedades e moradias.

    3, Construiram este novo Estado de forma exclusiva para os árabes palestinos e inclusiva para judeus de todos os cantos do mundo.

    Este foi o pior e mais mortal de todos os erros. Acreditar que poderiam viver sossegados, em paz, segregando e isolando os moradores da região. Criando um estado confessional numas terra onde já habitaram semitas e estrangeiros de todos os matizes.

    Milhões, diga-se em alto e bom som, MILHÕES de Palestinos estão agora na Diáspora, espalhados pelo mundo, poucos ficaram lá (poucos, mas na casa dos milhões) para serem massacrados e viverem em campos de concentração a céu aberto impostos pelo Estado de Israel.

    Fico pasmo com a insensibilidade deste grupamento! Continuam acreditando que pela força das armas terão um dia um canto para viverem em paz.

    Se não construírem a paz pelo compartilhamento e convivência, JAMAIS terão o que pretendem. Só eles não vêem! Que o Senhor deles retire o véu que os cega!

    1. peregrino

      4 de agosto de 2014 7:52 pm

      resumo tão perfeito…

      que nunca li outro igual

      perfeito, Fernando

  4. XAD

    4 de agosto de 2014 7:05 pm

    Simples assim…

    … enquanto o massacre em Gaza prossegue, o antissemitismo cresce e o ódio aumenta.  Isso não é bom para ninguém.

    Brilhante análise. Sempre sábias as palavras de Hobsbawm.

  5. Cunha

    4 de agosto de 2014 8:56 pm

    Daqui a 10 anos vamos ler a

    Daqui a 10 anos vamos ler a mesma coisa.  

    Ninguém segura a ganância, ela é o motor e o combustível do capitalismo e do consumismo.

  6. José L. Vivas

    5 de agosto de 2014 2:49 am

    Hobsbawn jamais disse esta

    Hobsbawn jamais disse esta bobagem: “Desdo o genocídio ou expulsão em massa de palestinos do que resta de sua terra natal não tem havido outro programa prático que não a destruição do Estado de Israel, e somente uma coexistência negociada em igualdade de condições entre os os dois grupos pode proporcionar um futuro estável.” Metade dessa frase não tem sentido, a outra metade diz o contrário do que ele disse.

    1. Ilya Ehrenburg

      5 de agosto de 2014 11:34 am

      O sentido falta para ti, que

      O sentido falta para ti, que não conhece a história, verdadeira, ao invés do mito narrado.

      😉

      1. José L. Vivas

        5 de agosto de 2014 3:11 pm

        Tradução

        Pode ser que eu “não conheça a história” como vocẽ, mas pelo menos conheço bem o inglẽs  e posso garantir que ele não disse essa bobagem. O original é o seguinte: “Since genocide or the mass expulsion of Palestinians from what remains of their native land is no more on the practical agenda than the destruction of the state of Israel, only negotiated coexistence on equal terms between the two groups can provide a stable future.”

  7. Jeanete

    14 de outubro de 2014 10:49 pm

    Humanidade – Amor e Paz

    Estive em Israel e observei como são disciplinados, organizados e competentes, mas ainda não incluiram em sua vida o preceito de Jesus: Amai-vos uns aos outros como tenho vos amado.E o perdão é uma lei divina para todos, embora hoje já aja judeus messianicos e que compreendem Jesus como salvador da humanidade e temtam compreender os palestinos. Israel comete erros como todos e precisa corrigi-los.

    Para que Israel possa viver em Paz, precisa criar a Paz, e o Perdão, e a Compaixão e incluir a Palestina nisso. Mesmo assim a minha admiração pelo Estado de Israel continua a mesma. E quero esclarecer que tenho sangue árabe, (libanes), e fui ver com meus proprios olhos o que acontece lá. Indo a Jordania comprovei que apesar da “paz” e de Israel mandar turistas para lá todos os dias fazendo com que entre dinheiro no país, ainda assim muitos falam mal de Israel. Ingratidão? Ou falta de capacidade de trabalhar o próprio País? Todos somos responsáveis por aquilo que fazemos e construimos.Israel criou um País onde não havia nada., e por direito biblico sempre consegue criar melhores condições de vida em qualquer lugar do Mundo. Agora acho que todos podem se beneficiar da Paz e do Entendimento para que os palestinos possam tambem crescer e prosperar, se deixarem o odio de lado. Em Israel vi comerciantes judeus e palestinos trabalhando lado a lado e todos pareciam se dar muito bem e se respeitarem. Será que estou enganada? 

    Amo meu Brasil acima de qualquer coisa e amo Israel a patria de meu Jesus, o Cristo. Sou feliz. Espero que todos em Israel também possam ser felizes. DEUS AMA A TODOS PALESTINOS E ISRAELENSES.

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