O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou na manhã desta segunda-feira (21) em Joanesburgo, na África do Sul, para participar da 15ª Cúpula do Brics, o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A reunião acontece a partir desta terça (22) e segue até quinta (24).
Dos países do bloco, estarão presentes os presidentes Lula (Brasil), Cyril Ramaphosa (África do Sul) e Xi Jinping (China), e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, participará de forma remota.
Está prevista também a participação de 40 chefes de Estado ou de governo dos continentes africano e asiático, além de América Latina e Oriente Médio. Todos com presença já confirmada para esta que será a primeira reunião presencial pós-pandemia.
Desdolarização
Conforme o colunista Jamil Chade, este encontro “tentará fechar um acordo para acelerar o processo de transformação do cenário internacional e consolidar a aliança como um ator incontornável da diplomacia e geopolítica”. Lula levará a ideia de iniciar estudos para estabelecer uma unidade de referência entre as cinco moedas do bloco.
Lula já vinha defendendo essa iniciativa durante encontros internacionais ocorridos na Europa, América Latina e África. A meta é de que, realizado o trabalho, o Brics possa estabelecer se existe espaço para criar uma moeda que permita a realização do comércio sem passar pelo dólar.
O que remete a outro assunto a ser discutido sobre os planos para o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) – o Banco do Brics – relativo ao uso de moedas locais ou de uma eventual unidade de referência do Brics para transações comerciais.
Além da desdolarização, um principais temas a serem debatidos pelos países membros é a definição de critérios e princípios para a entrada de novos integrantes no bloco. Conforme o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, 22 países já manifestaram formalmente o interesse em integrar o Brics.
Expansão desejada
O Ministério das Relações Exteriores da China disse à mídia internacional que Pequim “sempre esteve convencida de que o Brics é um mecanismo aberto e inclusivo”. A diplomacia chinesa apoia a expansão dos Brics, ao mesmo tempo em que acolhe a “pronta entrada de mais parceiros afins”.
Entre os países que se inscreveram para ingressar no bloco estão Argentina, Venezuela, Bolívia, Irã, Argélia, Tunísia, Turquia, Arábia Saudita, Egito, Indonésia, Belarus e Cazaquistão. O Brasil, por exemplo, apoia as candidaturas dos países da América Latina.
Ocorre que os corpos diplomáticos buscam manter o equilíbrio no Brics, uma vez que o ingresso de novos países membros pode significar mais poder para um ou outro país ou bloco de países. Desse modo, definir critérios e princípios para novos integrantes é um dos assuntos a serem vencidos.
Multilateralidade
Por seu lado, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, assegurou que o bloco vai discutir a adesão de novos membros porque há o consenso de que os Brics chegaram a este momento de abertura e recepção, em face de um mundo cuja ordem multilateral se apresenta como necessidade.
“Mais de 20 países se candidataram formalmente para ingressar no grupo Brics e vários outros manifestaram interesse em se tornar parte da família Brics. A África do Sul apoia a expansão da adesão aos BRICS”, disse ele. Para ele, é preciso criar parcerias com outros países que partilhem as suas aspirações e perspectivas”.
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