27 de junho de 2026

Cid admite que era sua função receber presentes de Bolsonaro

Em depoimento, ex-ajudante de ordens listou suas responsabilidades com o ex-presidente Bolsonaro e ressaltou o direito de ficar em silêncio.
Crédito: Rinaldo Morelli/Agência CLDF

O tenente-coronel Mauro Cid participou, nesta quinta-feira (24), da CPI dos Atos Antidemocráticos, na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Mais uma vez, o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), optou pelo silêncio.

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A participação do militar se resumiu a um discurso introdutório, em que ressaltou quais eram as atribuições de um ajudante de ordens, e a reafirmação do direito constitucional de ficar em silêncio.

“Para o conhecimento de Vossas Excelências, o ajudante de ordens é a única função de assessoria próxima ao presidente que não é objeto de sua própria escolha, sendo de responsabilidade das Forças Armadas selecionar e designar os militares que a desempenharão”, iniciou Cid.

Tarefas

Em seguida, o ex-ajudante de ordens elencou as atribuições da ajudância de ordens, prevista em decreto, que são “prestar os serviços de ordem direta e imediata ao presidente nos assuntos de natureza pessoal e em regime de atendimento permanente e ininterrupto, em brasilia ou em viagem; receber correspondências e objetos entregues ao presidente da República, em cerimônias e viagens e encaminhá-las aos setores competentes; realizar outras atividades determinadas pelo chefe de gabinete pessoal da Presidência da República”.

Na prática, Cid afirmou que o ajudante de ordens é basicamente um secretário-executivo, responsável por:

  • A execução da agenda;
  • Recepção e encaminhamento de pessoas ou autoridades para as reuniões;
  • Atendimento de ligações e recebimento de correspondências;
  • Impressão de documentos;
  • Recebimento e entrega de presentes;
  • Auxiliar o presidente nas atividades particulares, como almoço, viagens e finanças pessoais.

Discrição

O militar afirmou ainda que suas tarefas em reuniões e agendas do ex-presidente eram limitadas à recepção e direcionamento das autoridades. Por isso, ele não participava dos encontros, ficando do lado de fora das salas de reunião, mas à disposição caso algum mandatário precisasse de algo.

“Da mesma forma, exatamente pela discrição inerente à função, não questionávamos o que era tratado nas respectivas agendas e reuniões”, comentou o tenente-coronel.

Entre suas atribuições estava ainda a responder a pedidos de encaixe na agenda do presidente, encaminhamento de temas para as lives, transmissão de recados e verificação da possibilidade de atender pedidos de autoridades que quisessem participar de viagens ou eventos.

“Na mesma linha, nos quatro anos em que servi como ajudante de ordens, não estava na minha esfera de atribuição analisar propostas, projetos ou demandas trazidas pelo ministro de Estado, autoridades e demais apoiadores. Ou seja, não participava de atividades relativas à gestão pública”, continuou o militar.

Por fim, Cid reafirmou seu direto de permanecer em silêncio. “Em respeito ao Congresso Nacional e seguindo na mesma linha adotada naquela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito e sem qualquer intenção de desrespeitar a Vossa Excelência e os trabalhos conduzidos pela CPI, considerando a minha inequívoca condição de investigado e por orientação da minha defesa técnica, farei uso em toda a comissão do meu direito constitucional ao silêncio”, concluiu o tenente-coronel.

Em resposta, o presidente da CPI, o deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF), retrucou que o silêncio diz muito.

Na mira da Justiça

Esta não é a primeira vez que Mauro Cid adota o silêncio como estratégia em depoimentos. Ele também ficou quieto durante toda a sua participação na CPMI dos Atos Golpistas, em 11 de julho.

Os parlamentares da comissão, aliás, o acionaram judicialmente na 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília pelo delito de calar a verdade como testemunha.

Na manhã desta quinta-feira (24), a CPMI aprovou o requerimento para que Cid seja ouvido novamente pelos deputados e senadores.

O ex-ajudante de ordens também deve prestar um novo depoimento à Polícia Federal (PF), no dia 31 de agosto, simultaneamente a Jair Bolsonaro, a esposa dele, Michelle Bolsonaro, e Frederick Wassef, advogado do ex-presidente, todos supostamente envolvidos no esquema de venda ilegal das joias sauditas.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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