Depois dos bagrinhos será a vez dos tubarões e das baleias?
por Fernando Castilho
Após a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou três golpistas a vários anos de prisão, uma saraivada de críticas a postura do ministro Alexandre de Moraes começou a ser disparada: “prepotente!” “Humilhou o advogado!” “Exagerou na dose!”
Não, as críticas são infundadas.
Não é aceitável que advogados despreparados, em sua primeira sustentação oral perante o Supremo, disparem bobagens ou chorem para lacrar nas redes sociais deixando de exercer seu ofício que é o defender seu cliente.
Alexandre de Moraes, ao caracterizar as falas dos advogados como patéticas, não apenas deu nomes aos bois como indiretamente pediu para que melhorem a qualidade de seus discursos, o que é muito didático.
Juristas se apressaram nas críticas, mas pergunto: o que há de errado nisso? Não valeu a pena combater o bolsonarismo dentro da Corte?
E Gilmar Mendes?
O ministro deu um tapa com palavras em Nunes Marques.
Ao afirmar que a cadeira do ministro bolsonarista foi parar na rua, lembrou aqueles memes do Batman quando esbofeteia o Robin: “sua cadeira foi parar na rua!”
Fica óbvio que os golpistas se cercaram de advogados bolsonaristas e podem, por isso, estar arrependidos porque não foram defendidos. Talvez os tenham contratado por honorários muito baixos ou até pró bônus.
Enquanto isso, os financiadores e os mandantes serão defendidos por advogados muito bem pagos que não farão patéticas sustentações orais e, por isso, não serão humilhados por Moraes. O que se espera, porém, é que os ministros não afinem e ampliem as penas já que o padrão da dosimetria já foi estabelecido quando da condenação dos bagrinhos.
Espera-se que os tubarões e as baleias sejam, de acordo com a gravidade de seus atos, condenados a bem mais que 17 anos para que não possam voltar a tramar golpes. Entre eles estão incluídos deputados, senadores e, claro, os generais e coronéis que participaram do antigo governo ou deram sustentação aos golpistas.
E aguardamos ansiosos que o principal insuflador da tentativa de golpe que trabalhou por isso durante 4 anos e que tantos males fez ao Brasil, tenha a pena maior que todos.
Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor
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