22 de maio de 2026

“Situação dos palestinos em Gaza é semelhante ao de um campo de concentração”, denuncia entrevistado à TVGGN

Ualid Rabah revelou que a população de Gaza tem 4h de energia elétrica por dia, prejudicando o funcionamento de escolas e hospitais.
Faixa de Gaza. Crédito: Imagem de badwanart por Pixabay

“A Palestina é rigorosamente uma prisão a céu aberto, há um regime de apartheid em todo o território palestino e os traços de uma vida em Gaza são equivalentes aos de campos de concentração. Qualquer coisa fora disso é desonesto”, afirma Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) e entrevistado do programa TVGGN 20H da última segunda-feira (9). 

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Ao longo do programa, Rabah contextualizou a situação dos palestinos, especificamente os que vivem na Faixa de Gaza, território em zona de guerra desde o último sábado (7), quando o grupo Hamas disparou uma chuva de foguetes lançados da Faixa de Gaza sobre Israel.

“É sempre importante deixar muito claro que a Palestina vive sob ocupação e que Gaza, especificamente, vive uma circunstância inusitada, pois vive cercada há 17 anos. Isso tudo faz com que esta população de 2,2 milhões de habitantes seja uma das maiores concentrações populacionais do mundo e viva numa circunstância absolutamente anormal. Primeiro, porque ela é 73% refugiada, resultado da limpeza étnica de dezembro de 1947 a 1959”, continua o presidente da Fepal.

O militante contesta que, apesar da restrição, se 79% dos palestinos deixassem o cerco rumo ao território de Israel, eles não estariam invadindo nada, já que a população foi expulsa do próprio território e roubada. Somente a partir deste enquadramento, o convidado afirmou que é possível compreender a real situação do conflito.  

Precariedade

Ualid Rabah afirmou ainda que os 17 anos de bloqueio imposto aos palestinos fizeram com que a população vivesse em condições absolutamente precárias. Na Faixa de Gaza, os moradores contam com apenas quatro horas de fornecimento de energia elétrica por dia, em média, comprometendo assim o funcionamento de escolas e hospitais. 

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), apenas 10% da água distribuída para os habitantes da Faixa de Gaza é própria para consumo humano. Consequentemente, 90% da população não tem acesso ao saneamento básico. 

O bloqueio imposto por Israel isolou ainda a população territorialmente. Segundo o presidente da Fepal, quase 100% da população de crianças e jovens nunca saíram da Faixa de Gaza, reclusão que causa os mais altos índices de problemas psiquiátricos graves desde que os dados começaram a ser apurados. 

Essa população enfrenta 56% de desemprego. Na população jovem, o índice chega a 75%. Perto de 80% da população vive na pobreza ou na extrema pobreza. Essa população não tem acesso à saúde, é impedida por controle das entradas de alimentos em gaza, é impedida de ter consumo médio diário acima doa quantidade mínima de calorias identificado como próprio para o ser humano por cálculo da OMS [Organização Mundial da Saúde]”, continua Rabah. 

Limpeza étnica

O entrevistado do programa comentou ainda que esta não é a primeira guerra entre palestinos e israelenses e que existe uma verdadeira tentativa da limpeza étnica contra os palestinos desde, pelo menos, 1973, época em que não havia o Hamas – grupo que hoje é usado como justificativa israelense na promoção dos ataques. 

Os dois conflitos anteriores mais recentes foram em 2008 e 2014, quando além de mortos e feridos, Israel ainda destruiu 18 mil residências na Palestina. 

“Em 2014 tem dados muito curiosos que indicam uma limpeza étnica programada: todos os moinhos de farinha foram atacados, a única fabrica de ração da faixa foi atacada. Consequentemente, isso levou à morte de muitos animais de pequenas criações. Atacavam todas as granjas, todos os hospitais, todos os postos de saúde, grande parte deles da ONU”, denuncia Rabah. 

O presidente da Fepal comenta ainda que a única novidade da atual guerra em relação aos conflitos anteriores é o que ele chama de “propaganda de guerra contra o povo palestino”, que seria também um “genocídio midiático”.

“É eliminação proposital a partir da propaganda de guerra, proibida por resolução da ONU logo após o término da II Guerra Mundial. Na verdade, quem tem poder de guerra e de extermínio são os Estados Unidos. Israel não passa de um punhado de peão, não passa de um punhado de capanga no campo de concentração”, diz o militante em prol da Palestina. 

Independente dos motivos que resultaram no conflito, Ualid Rabah ressalta que todas as vidas são merecedoras de serem preservadas e respeitadas e que a barbárie não é uma consequência que deseja a nenhum dos lados. Afinal, o que os palestinos querem é superar as desavenças para que a guerra (e as mortes) não aconteçam mais em qualquer outro canto do mundo. 

“A vida dos israelenses para nós são tão caras quanto as nossas. nós não pensamos como a elite israenlense. então isso nos preocupa, isso nos machuca, isso nos magoa”, finaliza o entrevistado.

Confira a entrevista na íntegra:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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