De acordo com pesquisa divulgada pelo jornal The New York Times, a confiança da população de Israel no governo caiu para o nível mais baixo dos últimos 20 anos. Em particular, apenas 20,5% dos judeus israelitas e 7,5% dos árabes que vivem no país confiam na gestão liderada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Desde a resposta do governo israelense aos ataques terroristas do Hamas, internamente há uma sonora reprovação à reação de Netanyahu e a certeza, expressa em editoriais pelos principais jornais de Israel, de que a atual gestão tem responsabilidade direta na escalada da violência ao negar direitos aos palestinos e seguir com os projetos de colonização na Cisjordânia.
Netanyahu parece estar cada vez mais isolado. Nos últimos dias, recusou-se a assinar uma ordem para a realização de uma operação terrestre na Faixa de Gaza em acordo ao plano proposto pelos militares, informa o The New York Times, citando pessoas familiarizadas com o assunto.
“A liderança militar já finalizou um plano de invasão, mas Netanyahu irritou os altos escalões ao recusar-se a assiná-lo, em parte porque quer a aprovação unânime dos membros do Gabinete de Guerra que formou após o ataque de 7 de Outubro”, indica o NYT.
Entretanto, destaca o jornal, como a confiança do público na liderança de Netanyahu desidrata de forma rápida, o chefe do governo teme ser responsabilizado se a operação falhar. Há poucos dias, essa preocupação foi externada pelo governo dos Estados Unidos ao governo israelense, chegando a enviar um general para ajudar Tel Aviv a estruturar a ofensiva terrestre.
Um plano “menos ambicioso”
Da mesma forma, cresce o desacordo entre o primeiro-ministro e alguns membros do seu gabinete sobre a linha estratégica que deve ser seguida para resolver o conflito. O The New York Times escreve que alguns ministros estão considerando um plano “menos ambicioso”, envolvendo vários ataques mais limitados, em vez de uma operação terrestre em grande escala.
Em recente discurso, Netanyuahu prometeu duas coisas: fazer todo o possível para trazer os cativos para casa e eliminar o Hamas.
Neste sentido, dois altos oficiais militares disseram ao NYT que este é um equilíbrio difícil de alcançar, uma vez que o primeiro objetivo exige negociar e chegar a um acordo com os líderes do Hamas, enquanto o segundo requer a sua aniquilação.
Paralelamente, a suspeita mútua entre os militares e o primeiro-ministro tornou-se tão profunda que as autoridades proibiram os militares de transportar equipamento de gravação nas reuniões do gabinete.
Aparentemente, é desta forma que as autoridades políticas tentam impedir uma investigação que poderá começar após o fim das hostilidades, nota o jornal.
Anteriormente, Netanyahu afirmou que o cronograma da operação terrestre das Forças de Defesa de Israel na Faixa de Gaza já havia sido definido. “Estamos nos preparando para uma incursão terrestre. Não vou entrar em detalhes quando, como e quanto”, disse ele.
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