5 de junho de 2026

A pirotecnia dos investigadores e a desfaçatez dos investigados, por Helena Chagas

 
Jornal GGN – Causa perplexidade ver, de um lado, o comportamento da Polícia Federal no Brasil pós Lava Jato, em que jogar o nome de um cacique político na roda para atrair mídia vale mesmo quando este cacique não é suspeito, investigado ou acusado de qualquer ato ilícito. Caso de Osmar Serraglio e a mais nova ação a PF, a operação Carne Fraca, que apura pagamento de propina a fiscais do Ministério da Agricultura para evitar fiscalização em frigoríficos.
 
De outro lado, também choca a desfaçatez com que investigados agem, sob a luz do dia, tramando anistias sob a batuta de parte do Judiciário. É o que aponta a jornalista Helena Chagas, em artigo publicado nesta sexta (17).
 
Por Helena Chagas
 
Em Os Divergentes
 
 
Curitiba parece nao querer mesmo sair do mapa midiático, e aproveitou para comemorar os três anos da Lava Jato, hoje, com uma super-mega-power operação, a maior da PF em toda a sua história, contra grandes frigoríficos do país, que teriam pago propina a fiscais do Ministério da Agricultura para fazer vista grossa à venda de carne deteriorada.
 
É revoltante saber que estamos consumindo carne podre, misturada com papelão e produtos químicos. Quem faz isso merece cadeia, e ponto final. Não há o que discutir quanto ao mérito da operação. Mas também não há como não notar, mais uma vez, certa movimentação pirotécnica dos investigadores da Carne Fraca, que estão sob a jurisdição de um colega do também paranaense Sergio Moro, o juiz federal Marcos Josegrei.
 
É aí que a coisa pega, nas precipitações que podem levar a informações  que não se confirmam, jogando tudo e todos na mesma vala e produzindo danos às vezes irreparáveis em reputações de pessoas e empresas. O nome do ministro da Justiça, Osmar Serraglio, por exemplo, começou a rolar desde cedo nos onlines como suspeito da Carne Fraca por ter sido grampeado em conversa com um dos acusados, a quem chamou de “grande chefe”. A investigação, porém, nada apurou contra ele, segundo delegados e procuradores, que explicaram que ele não é investigado no caso.
 
Da mesma forma, os investigadores informam que o dinheiro da propina dos fiscais agropecuários ia, em parte, para o PMDB e para o PP. É totalmente lógico e provável que isso tenha acontecido, para quem conhece esses partidos. Mas eles não sabem, ou não dizem, quem recebeu o dinheiro, como e nem quanto. Com isso, estão todos os ex-ministros – a maioria do PMDB – e dirigentes do Ministério da Agricultura nos últimos anos sob suspeita. É justo?
 
Certamente não, assim como não são também justos os vazamentos diários e seletivos que jogam na mídia nomes da Lista de Janot – cujo sigilo agora está sob a guarda  do STF -, juntos e misturados, sem dizer do quê estão sendo acusados. Como se sabe, entre os crimes listados há desde caixa 2 em sua modalidade mais simples até corrupção pesada.
 
Do outro lado do balcão, o dos investigados, a reação causa perplexidade e pode acabar por dar razão aos exageros dos juízes e procuradores que prendem antes e perfuntam depois. Em Brasília, investigados e investigadores do primeiro escalão da República se reúnem diariamente para tramar saídas para garantir a sobrevivência dos acusados na Lava Jato. Eles próprios vêm a público defender uma reforma política a toque de caixa, instituindo soluções polêmicas, como o financiamento público das campanhas e a eleição em lista fechada para deputados, com o claro objetivo se salvar a própria pele.
 
Acusados e julgadores confraternizam, ministros palacianos incluídos na Lista de Janot agem como se nada estivesse acontecendo, o Congresso trama anistias para caixas 1,2 e 3 e a vida segue.
 
Entre a sanha pirotécnica de uns e a desfaçatez de outros, está o cidadão perplexo e a cada dia mais descrente nas instituições e em seus representantes. Nitroglicerina pura. 
 
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Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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9 Comentários
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  1. alexis

    17 de março de 2017 6:12 pm

    Crise de justiça

    Seria bom lembrar o episódio da funcionária da receita que fez desaparecer os documentos que comprometiam à rede Globo

    http://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-historia-da-funcionaria-da-receita-que-sumiu-com-o-processo-de-sonegacao-da-globo/

     

     

    1. Atreio

      17 de março de 2017 6:39 pm

      esse não se pode esquecer

      esse não se pode esquecer mesmo

      esse foi realmente épico, ainda aguardo o dia q os 3 patetas irão ter q explicar issotd. a multa é só parte da coisa, como eles convenceram a funcionária a fazer isso? qnto pingou na conta dela? quem negociou? mossack ajudou como fez com a paulinha e a veincre agropec de ipanema?

      tantas perguntas…. mas tems tempo. eles não. eles tem pressa desde 2016.

      babou o golpe, cada vez mais.

      ninguem mais quer estar ao lado de golpista na foto. ótimo, o justo é o justo e seguimos até avitória, sempre.

      os bravos permanecem ao lado dos justos, aos canalhas restam os covardes.

  2. Schell

    17 de março de 2017 6:17 pm

    Votação em lista fechada com

    Votação em lista fechada com esses partidos-de-araque-em-que-só-a-diretoria-manda seria a pá de cal na política brasileira. Por exemplo: o dito micheltemer seria – sempre – o primeiro número da lista; o padilha, o segundo; o angorá, o terceiro; o youssef, o quarto e assim por diante; doutro lado, no psdb, exemplificando, seriam os de sempre e sempre e sempre; assim como o hoje ministro da ignorância, o tal freire (primeirão em qualquer listinha: eleitoral, do bicho, de pega-aqui-dá-lá). Portanto, além de podres, são a ralé da ralé.

  3. Ugo

    17 de março de 2017 6:32 pm

    é isto?

    Um delegado investiga monta o pacote das acusações e vai para o abraço da globo?

    Eles os puliça não tem acompanhamento de algum juiz, procurador ou algo precedido na fase investigativa antes da gloria dos holofotes?

    Cada puliça faz o que bem entende, cadê a hierarquia?

  4. CarloB

    17 de março de 2017 8:19 pm

    E o Dirceu e o Vaccari presos

    por muito menos do que tudo que está acontecendo hoje. Aliás acho que ninguem conseguiria responder porque eles estão respondendo seus processos dentro da prisão.

    Já passou da hora de libertar esses dois.

    Justiça sem vergonha a nossa.

  5. Sonia B.Kuhn

    17 de março de 2017 9:05 pm

    Espetáculo em dúvida
    Toda carne deteriorada, maquiada é prejudicial à saúde, estão à venda ainda por que? Ou todo esse espetáculo é só para vender terras e bois para o estrangeiro.

  6. José Eduardo de Camargo

    17 de março de 2017 11:56 pm

    Todas as instituições

    Todas as instituições brasileiras estão em ruínas. A única exceção são as Forças Armadas que, por enquanto, assistem impassíveis à destruição do país. Até quando? E se ocorrer alguma intervenção militar certamente não será da maneira como imagina a extrema-direita. 

  7. José Eduardo de Camargo

    17 de março de 2017 11:56 pm

    Todas as instituições

    Todas as instituições brasileiras estão em ruínas. A única exceção são as Forças Armadas que, por enquanto, assistem impassíveis à destruição do país. Até quando? E se ocorrer alguma intervenção militar certamente não será da maneira como imagina a extrema-direita. 

  8. josias rodrigues

    18 de março de 2017 4:41 am

    carne?

    minha mãe pega no meu pé, pra que eu coma mais vegetais (papelão não é celulose que vem de arvore), então Mãe, demorou mas estou seguindo sua orientação.

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