5 de junho de 2026

Infraestruturas estão destruídas tornando a Faixa de Gaza inabitável, diz comissário da ONU  

Comissário da UNRWA, Philippe Lazzarini, se diz "horrorizado" com a campanha difamatória contra palestinos e aqueles que lhes ajudam
Philippe Lazzarini, comissário-geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados e Obras da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA). Foto: Evan Schneider/ONU

O comissário-geral da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA), Philippe Lazzarini, disse que a Faixa de Gaza se tornou “inabitável”, alertando que as infraestruturas desapareceram.

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“Voltei de Gaza para participar deste fórum [em Genebra, Suíça]. Esta foi a minha terceira visita ao local desde o início da guerra. […] E a situação está cada vez pior. Já não é um local habitável”, disse o alto funcionário em conferência de imprensa.

Ele também afirmou que os habitantes de Gaza estão “desesperados, famintos e aterrorizados”, dizendo que testemunhou pessoas parando caminhões de ajuda para descarregar alimentos e comê-los imediatamente. 

“O que continua a surpreender-me é o crescente nível de desumanização”, sublinhou.

“O que está acontecendo em Gaza deveria nos indignar e fazer-nos repensar os nossos valores'”, acrescentou.

Lazzarini disse que os habitantes de Gaza acreditam que as suas vidas “não são iguais às vidas dos outros” e que têm a sensação de que “os direitos humanos e o direito humanitário internacional não se aplicam a eles”.

“Estou horrorizado com a campanha difamatória que tem como alvo os palestinos e aqueles que lhes prestam ajuda”, disse o funcionário, instando a mídia a ajudar a agência a “combater a desinformação e as imprecisões”.

Devastação vista por satélite 

Por outro lado, o Centro de Satélites das Nações Unidas (Unosat) revelou nesta terça-feira (12) que 18% do total das estruturas da Faixa de Gaza foram danificadas em resultado de operações militares das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) no enclave palestino. 

Segundo os dados, baseados na análise de imagens de satélite de 26 de novembro, 10.049 estruturas foram destruídas, 8.243 sofreram danos graves e 19.087 sofreram deterioração moderada. 

O relatório mostra um aumento de 49% de edifícios afetados em comparação com a última avaliação realizada em 7 de novembro.

Ataques sem precisão 

Além disso, é relatado que, de acordo com uma nova avaliação da inteligência dos Estados Unidos (EUA), metade dos projéteis ar-terra usados ​​pelo país hebreu não são guiados, levantando questões sobre a sua precisão.

Entretanto, o número de mortos em Gaza desde 7 de Outubro ascende a 18.787, enquanto cerca de 50.897 pessoas ficaram feridas, segundo dados fornecidos pelo Ministério da Saúde palestino.

Com informações da Agência ONU, Al Jazeera e RT

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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1 Comentário
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  1. +almeida

    14 de dezembro de 2023 11:22 pm

    Nunca que iria imaginar que sentiria um desprezo e uma intensa repulsa por um governo israelense. Porém, o pior: eu jamais acreditaria que seria capaz de constatar a passividade, que beira a cumplicidade, de um povo que não se mostra indignado com uma carnificina explícita e transparentemente cruel, que de uma forma hedionda lembra um passado de horror e covardia, que também sofreram e experimentaram, da mesma forma horrorizante e macabra, como fazem ao indefeso povo palestino.

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