5 de junho de 2026

Fome e repressão: o governo Milei mostra a sua cara, por Luis Felipe Miguel

Quando se trata de reprimir manifestações populares ou ação de sindicato, não tem “Estado mínimo”. É força máxima, mesmo.
Reprodução/Casa Rosada

Fome e repressão: o governo Milei mostra a sua cara

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por Luis Felipe Miguel

O governo Milei já começou com medidas que promovem uma brutal redução do poder aquisitivo dos argentinos. O corte de subsídios multiplica por muitas vezes o preço de tarifas, como a do transporte, gás e eletricidade, e de produtos de primeira necessidade.

Ao mesmo tempo, uma vez que se trata de privatizar tudo, tudo delegar aos mecanismos no mercado, são eliminados serviços públicos e políticas sociais. Nenhuma surpresa: foi o que Milei propôs claramente durante a campanha.

Ele é apelidado de “El Loco”, mas parece que faltou sanidade mesmo foi ao eleitorado argentino.

Comentaristas econômicos do Brasil já estão animados, dizendo que os planos de Milei “podem dar certo”. Certo para quem, cara pálida?

Na Argentina, mais diretos, os jornalistas lambe botas já anunciam alegremente que a solução para os pobres será passar a comer uma vez só por dia.

Fome e frio – com eletricidade e gás dobrando ou triplicando de preço, quem vai conseguir se aquecer no rigoroso inverno argentino?

A festa do ultracapitalismo está começando.

Anarcocapitalistas e assemelhados, como Milei, se proclamam “libertarianos”. Dizem que se guiam pela defesa da liberdade. “Libertad, carajo” é bordão repetido pelo presidente.

O significado desta “liberdade” é desvelado quando se sabe que, ao mesmo tempo em que anuncia medidas francamente nocivas à maioria da população, o governo argentino está colocando o exército na rua para reprimir protestos.

E beneficiários de programas sociais que participarem das manifestações contra o governo terão seus cadastros anulados.

A “liberdade” da extrema-direita sempre foi a liberdade para explorar.

À qual se soma, agora, a liberdade para mentir – por isso a defesa de uma “liberdade de expressão” que consiste basicamente em espalhar deliberadamente desinformação.

Quando se trata de reprimir manifestações populares ou ação de sindicato, não tem “Estado mínimo”. É força máxima, mesmo.

É o programa de Milei, como era o de Pinochet, como era e é o de Bolsonaro-Guedes.

A extrema-direita usa a democracia, mas gosta de ditadura. Enche a boca para falar de liberdade, mas seu projeto é repressão.

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Luis Felipe Miguel

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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  1. AMBAR

    21 de dezembro de 2023 2:39 pm

    Hum, comer uma vez por dia, dividir a casa com estranhos, controle da circulação de bens, corte de energia e transportes, repressão armada contra a população. Não é o comunismo que faz isso? Um “saludo” para los hermanos.

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