10 de junho de 2026

Milei avança rápido antes da “lua de mel” acabar, por Matías Ferrari

Na Casa Rosada, admite-se que se aproximam “meses difíceis” nos números de aceitação da gestão e da figura presidencial
Milei e seu gabinete na Casa Rosada - Foto: Télam Agência Nacional de Notícias Argentina

Quanto tempo durará a lua de mel de Javier Milei?

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Presidente acelera fundo as reformas antes que o ajuste econômico tenha impacto na imagem presidencial

Por Matías Ferrari

Da Pagina 12

Na Casa Rosada, há o reconhecimento de que se aproximam “meses difíceis”, que serão vistos nos números de aceitação da gestão e da figura presidencial. Nesta última, tem como base a tática de se queimar os navios na largada. Para uma ala do governo libertário, abril e maio podem ser meses cruciais.

Os meses de abril e maio estão marcados de vermelho no calendário do Governo. Pelo cálculo feito por um setor do gabinete, nesta época do ano os efeitos negativos sobre os bolsos trazidos pela combinação do ajuste brutal e da desvalorização anunciada nas primeiras semanas de governo deveriam começar a ser revertidos. “Entre abril e maio a economia deverá começar a se recuperar, tendo deixado o pior para trás”, especulam na Casa Rosada. Ou seja, nessas datas deverá ocorrer a famosa “recuperação” da economia, na qual apostam, acrescentando uma suposta estabilidade em questões inflacionárias. A imagem presidencial, entendem, estará em grande parte ligada a esse destino, e pelo menos numa ala da Casa Rosada não deixam de olhar com desconfiança para a possibilidade de uma ruptura abrupta da lua-de-mel caso as coisas não corram como previsto. “Temos que estar atentos à forma de sustentar o apoio popular com que começamos, até que se percebam os primeiros sinais de melhoria”, afirmam.

Segundo as sondagens que chegam a Rosada, o presidente ainda mantém os números de aprovação com que iniciou a gestão. Em todo o caso, pelo menos um setor do governo pede “humildade” e dá como exemplo o colapso da imagem positiva que Alberto Fernández sofreu. Principalmente, receiam o calor dos efeitos negativos que a motosserra terá sobre a classe média e os setores populares. “Temos alguns meses muito maus pela frente”, reconhecem, e asseguram que o Governo terá de trabalhar para sustentar a imagem presidencial até que a economia recupere e a inflação baixe a partir de abril e maio”, insistem. 

Em outro setor da administração libertária, também estavam de olho no que chamam de um “verão quente”, em referência a mobilizações de rua como a que a CGT liderará durante a greve geral convocada para 24 de janeiro. Este grupo dentro do governo está empenhado em construir um diálogo que permita negociações com os atores sociais e políticos da oposição, o que teria para Milei o benefício de arrefecer as ruas e não adicionar mais lenha ao fogo da crise econômica. Neste contexto, admitem que declarações do presidente, como aquelas em que acusou os legisladores da oposição de “quererem cobrar subornos” não ajudam a construir pontes. “Isso gerou raiva”, reconhecem.  

Além dos números que a Casa Rosada administra -alguns dão a Milei uma imagem 75% positiva-, outras pesquisas publicadas no final do ano, como a de Zuban e Córdoba, mostram uma queda sistemática no apoio popular ao presidente. De acordo com essa pesquisa, Milei sofre um declínio diário que o levou a ter uma imagem negativa de 55% após 20 dias de governo. As causas da deterioração vão desde as consequências das primeiras medidas econômicas até a subjugação das instituições democráticas que levaram ao decreto 70/23, que varreu os direitos laborais e do consumidor, e a “Lei Ônibus” que o Congresso começa a discutir esta semana. Segundo os autores do relatório, será “a perda de diferencial positivo mais acelerada que já registamos”. “Ousamos até dizer que é provavelmente a mais acelerada de toda a história da região. Nunca se viu uma queda tão pronunciada em tão pouco tempo”, acrescentaram. Esta posição é compartilhada por vários pesquisadores.

Avançando antes da tempestade

Neste contexto, o governo não parece disposto a recuar em nenhuma das medidas que geram maior resistência. A mensagem que se ouve é que será “tudo ou nada”. A ideia de Milei é clara: os pacotes tinham que ser enviados todos juntos antes que as quedas dos quadros econômicos impactem a imagem presidencial e percam o consenso. 

Segundo fontes da Casa Rosada, o apoio que acreditam ter as medidas do DNU baseia-se no seu caráter “anti-corporativo”. Em todo o caso, admitem que nem todas têm os mesmos graus de consenso, razão pela qual muitas medidas foram mesmo adiadas para uma segunda fase. O próprio Federico Sturzenegger – neste momento um ministro sem pasta – avançou algo neste sentido, quando disse que em breve haverá novos DNUs. Especula-se que alguns conteriam artigos com as medidas contidas na Mega-Lei que não passam pelo filtro do Congresso.

“O presidente quer que todo o pacote seja aprovado porque expressa a direção que quer dar à sua administração”, repetem na Rosada e insistem que “tudo foi enviado de uma vez para dar um sinal claro de onde acreditamos que o governo tem ir, e pela situação de emergência em que nos encontramos.”

No governo, insistem que há medidas “que nos dão uma imagem 75% positiva do presidente”, semelhante à que Alberto Fernández tinha no início do seu mandato. Os principais responsáveis ​​por apoiá-lo são o chamado Grupo Marlboro, que inclui o conselheiro estrela Santiago Caputo, mas também a irmã do presidente, Karina Milei. Resta saber se estes números sobreviverão ao turbilhão social de cortes com recessão que o próprio governo admite que chegará.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados