5 de junho de 2026

Israel diz ao Tribunal de Haia que África do Sul “distorce grosseiramente” os fatos sobre Gaza

Objetivo do discurso de Becker buscou, portanto, destacar a brutalidade do Hamas e associar genocídio ao próprio grupo que teria "iniciado" os ataques
Tal Becker, à esquerda, conselheiro jurídico do Ministério das Relações Exteriores de Israel, e o advogado Malcolm Shaw na Corte Internacional de Justiça (CIJ) antes da audiência do caso de genocídio contra Israel. Foto: EPA

No segundo dia de audiência na Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia, Israel defendeu-se das acusações apresentadas pela África do Sul, que alegaram uma intenção genocida do país ao destruir a população de Gaza.

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Em sua defesa, Israel afirmou que os fatos estão sendo “distorcidos grosseiramente (…), todo o seu caso se baseia em uma descrição cuidadosamente selecionada, descontextualizada e manipuladora da realidade dos conflitos em curso”.

O assessor jurídico do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Tal Becker, disse que a acusação trata-se de “uma descrição contrafactual abrangente” do que ocorreu em sete de outubro, recordando as 1.200 pessoas mortas e os 240 reféns. O objetivo do discurso de Becker buscou, portanto, destacar a brutalidade do Hamas e associar genocídio ao próprio grupo que teria “iniciado” os ataques.

“Israel está em uma guerra de defesa contra o Hamas, não contra o povo palestino, para garantir que eles não tenham sucesso”, disse Becker. “O componente-chave do genocídio, a intenção de destruir um povo no todo ou em parte, está totalmente ausente. Se houve atos de genocídio, eles foram perpetrados contra Israel. O Hamas busca genocídio contra Israel.”

O advogado que representou o país, Christopher Staker, também adotou a mesma linha de acusação contra o grupo Hamas ao terceirizar a responsabilidade do país pelas mortes em Gaza. “As inevitáveis mortes e sofrimento humano de qualquer conflito não são, por si só, um padrão de conduta que mostre plausivelmente intenção genocida”.

Nesta quinta (11), a África do Sul citou as 23.000 mortes em Gaza e os habitantes que foram expulsos do território ao menos uma vez – cerca de 85% de 2,3 milhões. Sobre os números, o assessor reiterou que o pedido para suspender os combates impede a tentativa de Israel de se defender e que “o terrível sofrimento dos civis, tanto israelenses quanto palestinos, é, em primeiro lugar, o resultado da estratégia do Hamas” .

“Eles torturaram crianças na frente de pais e mães na frente de crianças, queimaram pessoas, incluindo bebês vivos, e sistematicamente estupraram e mutilaram dezenas de mulheres, homens e crianças”, disse Becker.

Bombardeios

Pouco antes da audiência, a diretora interina da divisão de justiça internacional do Ministério da Justiça de Israel, Galit Raguan, também aproveitou para rebater as acusações de bombardeio de hospitais por Israel. Segundo ela, as evidências encontradas mostram que Hamas usou “todos os hospitais de Gaza” para fins militares.

Israel retornará à corte em fevereiro, quando forem abertas audiências sobre um pedido da ONU de um parecer consultivo sobre a legalidade das políticas israelenses na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental.

Com informações de The Independent e Al Jazeera

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    12 de janeiro de 2024 5:55 pm

    O advogado de Israel repetiu na Corte Internacional de Justiça a estratégia que Sergio Moro sempre utiliza no Brasil. Justiceiros presumem que são os únicos que estão em condições de julgar seus próprios atos. E eles nunca aceitam que uma norma geral e abstrata contenha proibições que não admitam exceções em benefício deles mesmos. O advogado de Israel não tem qualquer compromisso com a técnica jurídica e com a Justiça. Assim como atacou ferozmente a África do Sul sem se dar ao trabalho que repelir as provas do genocídio e da intenção de cometê-lo que foram apresentadas ao Tribunal, ele certamente irá desqualificar uma decisão desfavorável a Israel dizendo que o país que ele defende é vítima de uma conspiração internacional. Justiceiros são assassinos frios e calculistas. Incapazes de usar a mesma medida para si e para suas vítimas eles se colocam acima de tudo e de todos como se fossem divindades. O advogado de Israel não defendeu um país acusado de cometer crimes, ele defendeu a divindade dos sionistas que não pode ser julgada como se fosse uma nação como as outras. E ele nem mesmo ficou corado.

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