10 de junho de 2026

O erro da Agroindústria no Amazonas, por Augusto Rocha

Precisamos assumir uma Liderança do Pensamento sustentável real, ao invés de sujar a palavra e as mãos com um novo rastro de destruição
Agência Brasil

O erro da Agroindústria no Amazonas

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Augusto Cesar Barreto Rocha

               Agroindústria no Amazonas é um erro em muitas dimensões e um acerto para muito poucos e com ganhos potenciais pequenos. A atividade vocacional do Estado é associada com tecnologias de ponta, com a biotecnologia e não com a repetição dos erros cometidos noutras regiões do país, onde o bioma e a natureza são vagarosamente ou rapidamente destruídos por uma agricultura mecanizada, industrializada, não sustentável e produtora de commodities de baixo valor agregado.

               A floresta em pé, com seu uso voltado para o crédito de carbono, o aproveitamento da biodiversidade, a ampliação da Agroecologia, onde fazendas e produtores integram-se ao meio ambiente, com comunidades da região produzindo em meio à floresta, extraindo seus recursos naturais, fornecendo em um espaço de produção orgânica, com o selo Amazônia, com a origem controlada, com o potencial do georreferenciamento dos produtores, com a inspeção do Ministério da Agricultura e seu selo orgânico (que para muitos é um desafio obter), fornecendo em cadeias produtivas com a infraestrutura apropriada: aqui está a oportunidade.

               Há espaço para permacultura, para a agricultura sustentável, como as lições que a Colômbia tem apresentado com seu café, que leva a uma cadeia de produtos do entorno, como cogumelos, alimentos para granjas, biogás e tantas outras soluções. A grande oportunidade de adotarmos o Ecodesign refletido por David Orr, onde um meticuloso estudo de cadeias produtivas em um padrão responsável com o meio ambiente, poderemos alçar voos nunca considerados para a região, em um misto de respeito aos modos de vida tradicionais e o potencial da globalização exportadora.

               O metabolismo biológico, discutido por William McDonough e Michael Braungart, onde integram-se cadeias produtivas respeitando o meio ambiente e o biodegradável de uma produção é insumo para outra poderá ser um caminho de uma Agroecologia no Amazonas. Fora deste caminho, usaremos o hábito de ser colônia e de destruir nosso bioma, como já feito no passado em outras regiões do país, como no Cerrado, Caatinga ou Mata Atlântica para a produção de commodities de baixo valor agregado. 

               O desafio que deveríamos assumir como sociedade é a recuperação de áreas degradadas, enquanto é possível. A regeneração com a produção Agroflorestal, a permacultura, o desenvolvimento de empresas de capital regional, com a adoção de novas tecnologias é uma grande oportunidade, ao invés de atrair multinacionais para a produção extensiva de monoculturas. Precisamos assumir uma Liderança do Pensamento sustentável real, ao invés de sujar a palavra e as mãos com um novo rastro de destruição no Amazonas.

               Há uma emergência ambiental e teremos que tomar cuidado com as diretrizes que optaremos no presente, para que não tenhamos a decisão de ir contra o que já está construído de uma cadeia industrial de alta tecnologia. Ampliar o uso científico da floresta, com laboratórios de alta tecnologia – e aqui fará sentido a presença de multinacionais – para o desenvolvimento de alta tecnologia, em cooperação com os atores locais, saindo dos artigos científicos para os mercados. Precisamos juntar os esforços sobre o desconhecido e alcançar novos patamares financeiros e produtivos, ao invés de caminhar estradas de uma já conhecida destruição.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados