No despacho do ministro Alexandre Moraes, que o GGN teve acesso, informações obtidas pela Polícia Federal (PF) mostram que o coronel Correa Neto atuava como “homem de confiança” de Mauro Cid, realizando tarefas fora do Palácio do Alvorada, que o ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro não poderia desempenhar.
O então assistente do comandante militar do sul teve participação ativa na organização de uma reunião que ocorreu em novembro, 28, e contou com a presença de oficiais com formação em forças especiais e assistentes dos generais supostamente aliados na execução do golpe.
“Os diálogos encontrados no celular de Mauro Cid demonstram que Correa Neto intermediou o convite para a reunião e selecionou apenas os militares formados no curso de Forças Especiais (Kids Pretos), o que demonstra planejamento minucioso para utilizar, contra o próprio Estado brasileiro, as técnicas militares para consumação do Golpe de Estado”, consta nos autos.
Os militares que estavam indecisos em compactuar com o plano golpista foram, inclusive, citados no programa “PINGO NOS IS”, pelo blogueiro Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho, fato que comprova o uso da mídia da extrema-direita para auxiliar no golpe.
Os diálogos demonstram ainda que Correa Neto sabia quem seria exposto publicamente, porque no dia da reunião, ele chegou a enviar a Mauro Cid a minuta intitulada “CARTA AO COMANDANTE DO EXÉRCITO DE OFICIAIS SUPERIORES DA ATIVA DO EXÉRCITO BRASILEIRO”. Ao que tudo indica, o documento foi discutido na reunião e utilizado como instrumento de pressão ao então Comandante do Exército, General Freire Gomes.
Na tentativa de eliminar rastros, após o envio da carta, Mauro Cid pediu a Correa Neto que enviasse as observações. No entanto, a resposta do colega foi: “Porra irmão. Apaguei essa parada”; “Não combinamos de apagar?”.
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