10 de junho de 2026

61% dos bolsonaristas na Paulista preferem Tarcísio como sucessor de Bolsonaro

Michelle Bolsonaro amarga a preferência de 19% dos apoiadores do marido, apesar dos esforços para consolidá-la como liderança feminina
Crédito: Tarcísio e Bolsonaro na avenida Paulista. Crédito: Repreodução/ Youtube

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) deve herdar o espólio do ex-presidente Jair Bolsonaro, inelegível até 2030, mas que luta para se manter como um ator político relevante apesar dos processos criminais pelos quais responde. 

De acordo com uma pesquisa de opinião do Monitor do Debate Político no Meio Digital, realizada entre os apoiadores presentes no ato pró-Bolsonaro no último domingo (25), 61% dos bolsonaristas defendem Freitas como o sucessor do ex-presidente. Michelle Bolsonaro conta com a preferência de 19% dos manifestantes. 

“A manifestação foi uma demonstração da força política de Bolsonaro, mas é diferente de mobilizar pessoas para ganhar uma eleição”, analisa Márcio Moretto, um dos responsáveis pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital e convidado do programa TVGGN 20H desta terça-feira (27).

Professor universitário, Moretto atribui o favoritismo de Tarcísio ao fato de que o governador de São Paulo se manteve fiel ao ex-presidente, apesar de algumas rusgas. 

Porém, ainda que a manifestação tenha reunido o público expressivo de 185 mil pessoas, a força do bolsonarismo se provará apenas em outubro. “A questão é se essa força que foi capaz de eleição em 2018 se o jogo eleitoral ainda está sendo jogado nesses termos. A gente vai descobrir agora no fim do ano, quando tiver as eleições municipais, o quanto esse jogo ainda é capaz de ganhar nas urnas”, observa. 

Meio evangélico

O programa contou com a participação de Vinicius Valle, doutor e mestre em Ciência Política pela USP, que realiza pesquisa de campo junto a evangélicos há mais de 10 anos. 

Valle chamou atenção para o fato de o evento ter reunido um número expressivo de evangélicos, que estavam recuados no cenário político no último ano, mas que ganharam força na cena política por uma série de fatores. 

Uma delas foi a questão de Israel, uma vez que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou a guerra em Gaza de genocídio e comparou a atuação dos israelenses à de Adolf Hitler na Segunda Guerra Mundial. “A questão de Israel, existe uma interpretação super questionada, tanto historicamente quanto teologicamente, de uma equivalência do Israel moderno com o Israel bíblico no universo evangélico”, observou o cientista político. 

Outro assunto que engajou os evangélicos foi a comoção a partir das denúncias em torno de uma rede de peofilia e tráfico de crianças e órgãos na Ilha de Marajó, no Pará. “Com a manifestação no domingo, a fala de Malafaia e de Michelle trouxeram a nossa atenção para o meio evangélico”, continua Valle. 

Malafaia presidente?

O cientista político ressalta que a extrema-direita não se resume aos evangélicos, mas católicos e espíritas ultraconservadores também compõem a base de apoio de Bolsonaro. 

Em relação ao discurso do pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, Vinicius Valle explica que a estratégia do empresário e líder religioso foi se projetar dentro e fora da igreja. “Malafaia dentro da Assembleia de Deus nunca conseguiu uma hegemonia. Ele sempre perdeu as eleições e os apoiados dele sempre perderam as eleições para a Comissão Geral das Assembleias de Deus do Brasil, tanto que em um determinado momento ele saiu da convenção e levou alguns pastores com ele. Quando a gente traz esse jogo interno também para análise das ações dele, a gente vê que ele está tentando uma projeção não só para fora, como líder nacional, mas uma projeção dentro do campo evangélico.”

Outra estratégia de Malafaia, que proferiu uma série de ofensas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), seria a de tentar cavar a própria prisão, a fim de emplacar o discurso de perseguido e se consolidar ainda mais como uma liderança entre os evangélicos. 

Veja o programa completo:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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