10 de junho de 2026

As discussões irracionais sobre os lucros da Petrobras, por Luís Nassif

Uma empresa estratégica como a Petrobras, tem vários desdobramentos, dependendo da maneira como consegue resultados e como aplica os lucros.
Divulgação

Não há discussão mais irracional do que a polêmica envolvendo a Petrobras. Acusa-se o governo de intervir em uma empresa pública! Uma empresa pública, por definição, é uma empresa controlada pelo Estado. E, como tal, tem compromissos públicos. Obviamente, se é de capital aberto, tem obrigações com os acionistas, definidos pela Lei das Sociedades Anônimas e pelos estatutos da companhia.

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Mas, respeitados esses limites, a orientação é dada pelo controlador, o governo. E a orientação é tanto mais legítima quanto mais legítimas forem as intenções do gestor em relação aos compromissos públicos da empresa.

A Petrobrás é uma empresa estratégica. Fornece insumos essenciais para o funcionamento da economia. Mais que isso, é responsável por boa parcela do investimento público. Sua lógica pública é ajudar no desenvolvimento de setores da economia. Sua lógica, como empresa privada, é investir no desenvolvimento de tecnologias, na exploração de petróleo agora e na preparação para a transição energética.

É um conjunto monumental de responsabilidades em relação ao país e em relação ao seu futuro como empresa para o qual depende, essencialmente, dos seus resultados.

Há empresas privadas cujo objetivo do controlador é extrair o máximo possível de dividendos, gozar intensamente o presente e o futuro que exploda. Quando o controlador define como objetivo a ampliação dos investimentos, obviamente ele está defendendo a perpetuidade da empresa.

Uma empresa estratégica como a Petrobras, tem vários desdobramentos, dependendo da maneira como consegue resultados e como aplica seus lucros.

  1. Pode construir refinarias, reduzindo a dependência brasileira de importados e economizando divisas.
  2. Pode alavancar a construção de navios, através de suas encomendas a estaleiros nacionais, dinamizando inúmeras regiões do país..
  3. Pode incrementar a indústria de máquinas e equipamentos com suas encomendas.
  4. A construção de uma plataforma mobiliza desde indústria de máquinas e equipamentos, motores, mobiliário entre outros setores.

Caso o lucro seja distribuído como dividendos:

  1. Parte vai para o governo e estará sujeito às restrições orçamentárias.
  2. Parte vai para os acionistas privados.

É até ridículo comparar o impacto econômico das duas destinações. A primeira planta riquezas, gera emprego, estimula a economia. A segunda, ou para nas restrições orçamentárias ou serve apenas para enriquecer acionistas.

Quando um acionista adquire papéis de uma empresa pública, ele tem em mente dois objetivos.

Tem a vantagem de ser uma empresa sem riscos, com previsibilidade, quase sempre atuando de forma monopolística. A desvantagem é que tem que cumprir funções públicas e o equilíbrio entre as duas missões cabe ao acionista controlador, o Estado.

Historicamente, ações da Petrobras – assim como as do Banco do Brasil, da Light – não eram expostas a jogadas especulativas. Estavam em mãos de investidores conservadores, que as tratavam como uma poupança.

A imprudência do governo FHC, de abrir capital na bolsa de Nova York, colocou a Petrobras nesse torvelinho especulativo. Aliás, os bravos procuradores da Lava Jato ajudaram a alimentar acionistas americanos nas ações coletivas contra a Petrobras; e ainda reservaram metade do dinheiro da tal Fundação para as ações coletivas internas, conduzidas pelo advogado Modesto Carvalhosa, seu parceiro político.

É hora de um mínimo de bom senso da parte da mídia, de entender a lógica de uma empresa pública de capital aberto. E de pensar minimamente no desenvolvimento brasileiro, em vez de montar lobbies para acionistas privados, em grande parte fundos estrangeiros. O que se pretende com esse terrorismo não é apenas desgastar o governo Lula. É derrubar o preço das ações da Petrobras para recomprar na baixa.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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13 Comentários
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  1. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    14 de março de 2024 7:50 am

    Meu caro Nassif, o seu apelo ao bom senso é meritório, mas infelizmente inútil, pois os comentaristas da nossa imprensa LIVRE DE ISENÇÃO, sabem perfeitamente que estão falando besteiras, mas a sua função como agentes a serviço da capital financeiro e assemelhados, é manietar o distinto público a falsos conceitos monetaristas.

  2. Milton

    14 de março de 2024 8:13 am

    O rentismo que comanda a gritaria contra a não distribuição de dividendos extraordinários tem dois mantras: mais e rápido.
    O amanhã não existe fora da acumulação pura e simples.
    Ganância na veia.
    E, como dizem no futebol, rápido e rasteiro.
    Se o cofrinho estiver cheio para muito além do conforto de gerações o resto que se exploda.

  3. Douglas Barreto da Mata

    14 de março de 2024 9:19 am

    Uma breve oposição, caro Nassif.

    Não são discussões irracionais, como se desprovidas de uma lógica ou de um objetivo.

    São, au contraire, racionalíssimas.

    Vejamos…

    Na ausência de perspectivas de aumento de produtividade industrial e das rendas daí advindas (mais valia), os donos do mundo, isto é, os donos dos megafundos associados às empresa de tecnologia, simbiose tal, que eu diria, não haver mais distinção, estão à caça das receitas primárias de apropriação, que são convertidas em ativos financeiros, e lógico, em reservas patrimoniais reais, dada a tendência de demanda alta, e as curvas de escassez que se aproximam…

    Ao mesmo tempo, as transições energéticas do capitalismo sempre foram financiadas ou pelo exaurimento das fontes anteriores, e/ou pela obsolescência das mesmas.

    É essa lógica.

    Não é preservar a galinha de ovos de ouro, mas fazê-la por ovos até a morte…

    Junto à essa predação, tem ainda os chavões e demarcações de campos ideológicos, Estado X Mercado, Intervencionismo ou Liberalismo, blá, blá, blá…

    Não existe nada mais intervencionista que um Estado que mantém taxas de juros pornográficas, e que prefere não emitir moeda para comprar moeda alheia (dívida pública).

    O capitalismo é uma invenção que não pode prescindir do Estado, nunca.

    Liberalismo é o nome bacana encontrado (deriva de liberdade, esse truque foi ótimo) para mascarar o estatismo a serviço do rentista acumulador.

  4. Edivaldo Dias de Oliveira

    14 de março de 2024 11:20 am

    O problema aqui é que parte dos donos da mídia, são acionistas da Petrobrás e portanto parte diretamente interessa na distribuição de 100% dos lucros, nada de só 99%.

  5. Paulo Nogueira

    14 de março de 2024 11:37 am

    Os especuladores enxergam a Petrobras unica e exclusivamente como galinha dos ovos de ouro,servindo apenas enquanto lhes proporciona ganhos fáceis. Quando isso não mais ocorrer, eles a matam e consomem a sua carcaça.

  6. WRamos

    14 de março de 2024 12:35 pm

    Caro Nassif,
    Endosso os comentários na linha de que os críticos sabem muito bem qual é o papel de uma empresa pública.
    O governo teve que negociar com os intermediários dos credores da dívida pública, uma regra fiscal que restringe sua capacidade de investir em infra estrutura econômica. Incluo nestes investimentos os dispêndios com saúde, educação e programas sociais que estruturam uma base econômica fundamental para os mercados, de coisas e de papéis.
    A utilização das empresas públicas é a forma inteligente de extravasar os limites fiscais, tanto investindo em capacidade produtiva quanto na ampliação do crédito pelos bancos públicos. Isto tem sim o condão se trazer crescimento econômico, mas as elites brasileiras não querem um crescimento qualquer, principalmente se ele favorece os mais necessitados. Morrem de medo que o processo de desenvolvimento crie novas elites que lhes obriguem a competir. E isto é algo que o empresário brasileiro detesta. Só quer saber de mercados controlados pelos maiores beneficiários atuais.
    Então, não há como pensar que estejam errados segundo os próprios objetivos. Tem que barrar qualquer forma perspicaz do governo fugir das amarras que lhe impuseram.

    1. Alberto Alberto

      14 de março de 2024 6:42 pm

      Voto com o relator, perfeito.

  7. Silvio Torres

    14 de março de 2024 1:30 pm

    E o jornal Nacional voltou a ser o campeão das verbas públicas publicitárias. O PT vai morrer pela segunda vez sem saber usar tudo que as redes sociais propiciam há duas décadas. Como cantavam as “macacas de auditório”: ele merece, ele merece, ele merece.

  8. Jair Costa

    14 de março de 2024 1:49 pm

    Se não faz mais parte da política da empresa distribuir lucros, tem que
    respeitar seu controle.

    Os acionistas que não estiverem satisfeitos, que vendam suas ações e compre outra.

  9. Paulo Nogueira

    14 de março de 2024 3:54 pm

    Existe um colunista que escreve no UOL, chamado Josias de Souza, que nunca deve ter lido o planejamento estratégico da Petrobrás, mas tem a petulância de escrever a seguinte pérola “O governo devia preparar a Petrobrás para ser uma empresa de energia”.
    Considerando as suas colunas odiosas contra o governo Lula, fica a impressão que ele está numa espécie de competição com o Ciro Gomes e com o colunista Mario Sabino, do Metrópoles, para ver quem escreve mais asneiras.

  10. Carlos Soares

    14 de março de 2024 6:39 pm

    Quem é bem informado sabe que está operação chama-se estrutura de capital, perfeitamente normal, não é fraude nem operação ilícita.Então antes de espalhar besteiras leiam se informem.

  11. evandro condé

    14 de março de 2024 8:29 pm

    Tentando ser mais objetivo, so consegui dados da Petrobrás . Comparar o percentual dos dividendos pagos por outras empresas (da Petrobrás não foi pouco). Se alguém conseguir e postar, fico agradecido.

  12. ed.

    14 de março de 2024 8:56 pm

    PoiZé Nassif, ávidos bezerros não precisam racionalizar, apenas mamar. Não importa sequer o que venha acontecer com a vaca…

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