19 de junho de 2026

Estudo do Butantan combate células de câncer a partir do crescimento

Nova metodologia cria estresse insuportável para os tumores e se mostrou promissora por não afetar as células saudáveis
Matheus Henrique Dias, primeiro autor do estudo. Crédito: Divulgação/ Instituto Butantan

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Um estudo do Instituto Butantan adotou uma nova estratégia para combater cânceres agressivos. Em vez de inibir o crescimento de células cancerígenas, o novo protocolo hiperestimula o mecanismo de divisão celular descontrolada, fazendo com que a célula tumoral fique desestabilizada e morra. 

Os resultados mostraram que a metodologia é altamente letal para as células cancerígenas ao reduzir tumores de câncer colorretal em modelos animais. Outro resultado promissor do estudo é que a hiperestimulação não afeta células saudáveis.

O estudo do biomédico Matheus Henrique Dias foi publicado na  revista Cancer Discovery. Sob a orientação do pesquisador científico Hugo Armelin, Dias fez pós-doutorado no Laboratório de Ciclo Celular do Butantan e atualmente cursa o pós-doutorado no Instituto Holandês do Câncer, em Amsterdã.

Entenda o estudo

De acordo com o biomédico, as terapias tradicionais contra o câncer tentam inibir a proliferação descontrolada das células cancerígenas, mas estas possuem mecanismos para contornar os tratamentos, além da capacidade de desenvolver resistência. 

As drogas quimioterápicas também atacam todas as células, inclusive as saudáveis. Por isso, a proposta da nova metodologia é fazer o contrário. 

“É como se a célula tumoral fosse um carro em alta velocidade. Em vez de tentar parar o carro, o que estamos fazendo é acelerar ainda mais e, ao mesmo tempo, desligar o sistema de resfriamento do motor”, diz o biomédico.

A estratégia do tratamento é criar um estresse insuportável para as células malignas, fazendo com que morram. “Ao serem estimuladas para se multiplicar, as células de câncer vão se afundando em um estresse que só é controlado porque elas têm meios de ativar as vias de regulação. Aí o truque passou a ser claro para nós: juntar a estimulação do crescimento com um inibidor do mecanismo de controle do estresse para sobrecarregar o tumor”, afirma Hugo Armelin.

*Com informações do Instituto Butantan.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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