O ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Ayman Safadi, disse no X que Israel está comprometendo um acordo de cessar-fogo ao continuar a bombardear Rafah.
A declaração surge depois de o rei da Jordânia, Abdullah II, ter alertado, durante uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, na segunda-feira (6), que um ataque israelense a Rafah ameaça levar a um “novo massacre” e que a comunidade internacional “deve tomar medidas urgentes”.
Nesta segunda, o Hamas concordou com uma proposta de cessar-fogo durante sete meses, elaborada pelo Catar e Egito. O país emitiu um comunicado dizendo que seu líder, Ismail Haniyeh, deu a notícia por telefone ao primeiro-ministro do Catar e ao ministro da inteligência do Egito.
Em resposta, Israel disse que enviaria meditadores para negociar, reavivando as esperanças de uma pausa prolongada nos combates em Gaza. Mas o contra-almirante Daniel Hagari adiantou que Israel continuará a agir de forma operacional, dizendo anteriormente que Israel tem o direito de se defender.
Ataque
Assim, no último domingo (5), as Forças de Defesa de Israel (IDF) lançaram panfletos sobre a região que reúne mais de um milhão de refugiados palestinos ao sul da Faixa de Gaza, aconselhando-os a fugirem para o leste de Rafah, uma vez que a área seria bombardeada para atingir os terroristas do Hamas.
Horas mais tarde, enquanto as famílias deslocadas corriam para embalar mais uma vez os seus pertences, o pânico deu lugar às celebrações, depois de o Hamas ter anunciado que tinha informado os mediadores árabes que aprovaria a proposta de cessar-fogo.
As tropas israelenses cumpriram a promessa de atacar Rafah. Segundo informações da Wafa, a ofensiva aérea do exército de Benjamin Netanyahu atingiram “estradas, terras agrícolas, casas residenciais e fazendas de animais” em três bairros no leste de Rafah.
De acordo com o Ministério da Saúde palestino, mais 26 pessoas morreram desde a noite de domingo.
Comunidade internacional
Enquanto Israel tem como alvo a cidade de Rafah, onde muitos refugiados estão abrigados, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita apelou à comunidade internacional para “intervir imediatamente para parar o genocídio levado a cabo pelas forças de ocupação”.
“As forças de ocupação israelitas têm como alvo a cidade de Rafah como parte da sua campanha sistemática e sangrenta para invadir todas as áreas da Faixa de Gaza e deslocar os seus residentes para o desconhecido”, afirmou o governo árabe em comunicado.
O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Matthew Miller, confirmou que o Hamas “emitiu uma resposta”, quando questionado sobre o anúncio do Hamas de que aceitou um acordo de cessar-fogo. “Estamos analisando essa resposta agora e discutindo-a com nossos parceiros na região”, disse Miller.
*Com informações do The Guardian
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DOUGLAS BARRETO DA MATA
7 de maio de 2024 7:30 amNassif, os cínicos da mídia comercial estão em campo.
Todo mundo sabe de duas coisas:
A intenção de Bibi é varrer Gaza para explorar petróleo e gás na costa.
Para isso, ele precisa de um alvo conduto:
Deixa os reféns morrerem nas mãos do Hamas, e aí tem a senha para a “solução final”.
Prova?
O bloqueio a ajuda humanitária, afinal, a fome não separa sequestrador de refém, certo?
Douglas Barreto da Mata
7 de maio de 2024 9:53 amA solução final.
Ontem, na parte da tarde, recebi o convite para o evento digital promovido pela CUT-RS, em seu programa Subversiva, onde haverá a participação do meu amigo Marcos Pedlowski, professor e pesquisador (geógrafo) da UENF, Universidade Estadual do Norte Fluminense.
Eu costumo brincar com ele, e digo que ninguém é perfeito, porque apesar de marxista, ele é palmeirense e ambientalista.
Eis o convite, para quem tiver coragem de pensar, aventura perigosa nesses dias, como dias Metrô Linha 743, de Raulzito: Foi
Chuvas no Rio Grande do Sul: Desafios humanos e ambientais
(https://www.youtube.com/watch?v=C2eBRFcyA_o)
Dia 07/05, nesta terça, entre 11h e 12h.
Foi no blog desse amigo, o Blog do Pedlowski que publiquei, unicamente por generosidade dele, o texto cujo link disponibilizo:
https://blogdopedlowski.com/2023/12/04/o-capitalismo-apocaliptico-e-os-4-oligopolios-de-destruicao/
No texto, construído por intuições empíricas, como se pode ver claramente, eu desenvolvo um argumento que estabelece um estágio diferente para as catástrofes (nunca) naturais, a partir da notícia, na época (nem tão longe) do colapso de uma parte inteira de Maceió, causado pela atividade mineradora da Braskem.
Como se lê ali, eu advogo a tese de que o atual estágio das forças econômicas levaram a superação da chamada destruição criativa, onde se promovia, propositalmente, a devastação de territórios, geralmente, por conflitos bélicos, tudo com o intuito de proporcionar a reconstrução controlada pelos vencedores e/ou colonizadores.
Hoje, eu penso que temos um capitalismo de destruição mesmo, que coincide com a destruição (superação) do capitalismo pela atividade financeira.
É o que chamo de Criação da Destruição, ou capitalismo apocalíptico.
A destruição deixou de ser um mero instrumento, para se transformar em fim em si.
Explico.
A destruição criativa tem por base a noção de que haverá efeitos colaterais para a atividade econômica ou bélica pretendida, e que é possível, se for economicamente viável, a recuperação com enormes lucros.
Uma sutil diferença para o que temos atualmente, é que a destruição é incorporada como plano de trabalho, até mesmo anterior aos projetos que levam até ela (destruição).
Um exemplo é a Braskem, que sabemos, planejou o desastre, porque sabia dele desde o início, e ainda assim foi adiante, na certeza de que compartilharia os custos de recuperação da área degradada com o Estado, e, ao mesmo tempo, faria a aquisição dos imóveis embargados por uma bagatela de indenizações, que seriam diluídas em empreendimentos imobiliários bilionários.
Grilagem do armagedom.
O mesmo podemos dizer da Samarco, Vale, as 4 irmãs no Delta do Níger, ou a pretensão extrativista na costa amazônica.
Mas por que estou me repetindo?
Eu li no blog do Nassif dois textos que, quando olhamos de relance, não têm nada em comum.
A guerra de Israel e as enchentes do Sul.
Ao contrário do que imaginamos, há muito em comum.
Primeiro, o cinismo cretino das empresas de mídia corporativa.
Dias desses, conversando com minha esposa, concordamos que as empresas de mídia, e as redes sociais não disputam o monopólio da verdade, mas sim a primazia em mentir, falsear, e/ou distorcer a realidade.
Caso Proderj nas eleições de 82 no RJ, edição do debate presidencial de 89, o caso Boimate da Veja, caso Bodega, Escola Base, e etc, etc, etc.
A lista só não é maior, porque o escrutínio que deveria ser feito, não existe, as verdades aparecem quase que por acidente.
Tanto no caso de Israel quanto no RS, a mídia corporativa esconde, descaradamente, a verdade.
Não há crise ou emergência no RS, é um projeto deliberado, uma atividade econômica estruturada na impossibilidade de prevenção e planejamento ambiental.
A prova?
O desmonte normativo patrocinado pelo atual governador, que hoje se aproveita da tragédia para obter alguns trocados de popularidade e engajamento, quando ele esquartejou o Código Ambiental gaúcho para permitir maior lucratividade ao latifúndio exportador.
Lágrimas de crocodilo, chora o rapaz.
O pior não é ele, mas o governo federal que morde a isca, e corre assustado para o socorro (que deve ser feito), sem dizer uma vírgula sobre esse descalabro administrativo que elevou as possibilidades climáticas a uma repetição devastadora.
Em alguns meses, se seguir nesse ritmo, o RS vai virar a lendária Atlântida, ou, de outra mão, virar o Pampa via virar o Saara.
A falta de cobertura vegetal ciliar nas margens da bacia hidrográfica gaúcha, e de estados vizinhos, também dominados pelos latifundiários, viúvas do III Reich, tem derramado todo o volume de água nas zonas metropolitanas de Porto Alegre e do interior do Estado.
Ao mesmo tempo, esse latifúndio que não paga impostos para exportar, e que impacta cada vez menos a cadeia econômica de empregos, porque automatizada ao extremo, resumindo a empregabilidade ao setor de serviços (que pagam muito mal), deixa toda a carga de recuperação para os orçamentos públicos.
Como as pessoas se deslocam em busca de segurança, terras e imóveis são adquiridos a preço de banana, para incorporação de grandes fundos de investimentos, que no fim das contas, controlam as holdings agroexportadoras.
Espanta que ninguém no governo Lula tenha a coragem de oferecer um contraponto, e expor tais conjecturas, quer dizer, a mim não espanta mais.
Porém, você deve estar se perguntando, o que Israel tem a ver com isso tudo.
Igualmente, o Estado Sionista está a frente da maior onde de Criação da Destruição no planeta, confinando mais de um milhão de pessoas em guetos, enquanto espera a morte dos reféns capturados pelo Hamas, para que possa obter a licença para matar, o código “solução final”, e finalmente, ocupar de vez a Faixa de Gaza para explorar as jazidas de petróleo e gás sedimentadas no litoral daquela região.
Novamente você pergunta, uai, mas onde está a destruição como motor?
Seria normal, para alguém que negociasse a troca de reféns a modulação entre conversa e pressão, como ensinam os manuais de gerenciamento de crises.
Se olhado de uma perspectiva ampla, há sérios indícios que até a invasão em outubro de 2023 tenha sido, se não deliberadamente permitida, ao menos negligenciada pela inteligência militar mais famosa do mundo.
De qualquer forma, o resultado foi o mesmo, e levou a uma situação que, desde o princípio, não combina com quem tem reféns a resgatar, ainda que a intervenção tática seja uma opção sempre na agenda, e que ela traga baixas a serem calculadas.
A postura de Israel, com o compadrio da mídia ocidental e de amplas parcelas das elites mundiais, foi sempre de atacar a qualquer custo, sem se preocupar com os reféns, e eu diria até que as trocas acontecidas desagradaram o governo sionista.
O que Israel quer, e sempre quis, é outro efeito Holocausto, quando o reconhecimento do sofrimento judeu nas mãos nazistas justificou tudo até recentemente.
Como o estado sionista foi muito longe, e os debates sobre a causa palestina começaram a ameaçar o estamento sionista, chegou a hora de criar uma nova comoção de sofrimento judeu para justificar a eliminação dos povos árabes da Palestina e ao redor.
Essas duas alas do capitalismo de destruição, apesar de estarem longe uma das outras, são irmãs.
Elas se alimentam da cumplicidade de mídias, e da estruturação de mercados financeiros ao redor desses conflitos e tragédias ambientais, a partir da criação de novos ativos e margens de arbitragens.
A commodity não é mais arroz gaúcho, mas a falta de arroz.
Água, energia, soja, etc, não basta mais controlar o sobe e desce das demandas fabricadas ou ofertas para executar “dumpings”, obtendo renda dos derivativos das posições compradas ou vendidas.
Agora é hora de lucrar com a fome, com a falta de energia, com a devastação de ambientes.
Desertos são ótimas áreas para enterrar as cidades de mainframes e servidores das redes de internet das mega empresas de dados, que sugam energias que poderiam alimentar cidades inteiras.
Entre dados e criptomoedas, a gente é descartável.
Não haverá reféns, nem misericórdia.
Seja em Gaza ou em Porto Alegre.
Encerro convidando, mais uma vez, para o evento digital no link lá de cima.