A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, Dilma Rousseff, desmentiu “expoentes da extrema-direita brasileira”, de que recursos por ela anunciados para a tragédia do Rio Grande do Sul tenham sido aprovados ainda durante o governo de Jair Bolsonaro. Somente 10% vieram de contratos anteriores, mas direcionados por ela à tragédia.
“Ao contrário do que insinuam expoentes da extrema-direita brasileira, os recursos anunciados há uma semana por Dilma Rousseff não foram aprovados na vigência do governo Bolsonaro”, escreveu, em nota, a ex-presidente do Brasil.
Na última semana, veículos como “O Antagonista” e “Poder360”, além de políticos e influenciadores, divulgaram que os recursos destinados pelo NBD à calamidade no estado vieram, ainda, do governo de Bolsonaro.
Segundo as publicações, parte do US$ 1,115 bilhão destinados agora ao estado seria de contratos anteriores, de 2020 a 2023. Na nota, a presidente do banco desmentiu: “As operações para a concessão de empréstimo são bem mais recentes. A mais antiga é de novembro de 2023. A mais nova, de março deste ano.”
“Do total de US$ 1,115 bilhão para o Rio Grande do Sul, US$ 795 milhões — US$ 500 milhões do BNDES e US$ 295 milhões do BRDE — são de operações aprovadas, respectivamente, em 14 de novembro de 2023, pelo Senado Federal, e em março de 2024, pela Comissão de Financiamentos Externos do Ministério do Planejamento.”
Para não restar dúvidas de que o repasse é atual, de sua gestão à frente do banco, a presidente do NDB trouxe detalhes sobre as transações mais recentes:
“Cabe ainda destacar que outros US$ 200 milhões anunciados pela presidenta Dilma Rousseff, que serão investidos diretamente pelo NDB, dependem de projetos a serem submetidos pelas autoridades brasileiras ao chamado Banco dos BRICS. Ou seja, são operações ainda mais recentes.”
Do total de US$ 1,115 bilhão de empréstimos para a reconstrução do Rio Grande do Sul, somente US$ 100 milhões do Banco do Brasil e US$ 20 milhões do BRDE (o que representa 10%) vieram de contratos “antigos”, mas que foram direcionados por ela ao estado.
No comunicado, há também críticas sobre a gestão anterior, com “duras condições financeiras em que Dilma recebeu o NDB, ao assumir o cargo em abril de 2023”.
“Até Dilma Rousseff assumir a presidência, o NDB enfrentava uma séria crise de liquidez. A capacidade de apoiar novos investimentos para os membros — além do Brasil e os demais sócios do banco — permaneceu extremamente limitada pela falta dos recursos para investir, justamente em um momento em que os países mais precisavam destes novos recursos. Foi apenas sob a direção de Dilma Rousseff que o NDB superou a restrição de liquidez. Desde sua chegada, o banco voltou ao mercado de capitais inúmeras vezes. A própria agência de risco Fitch reconheceu a superação dos problemas de liquidez e mudou a perspectiva de risco do NDB de “negativa” para “estável”. Ao longo de 2023 até maio de 2024, o Banco dos BRICS levantou US$ 9 bilhões.”
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