4 de junho de 2026

Amazônia deve viver este ano seca histórica pior que 2023

Depois da tragédia do Rio Grande do Sul, governo se prepara para nova consequência do aquecimento global: a seca na Amazônia
Trecho do rio Tefé (AM) teve seca, deixando os moradores quase isolados em 2023 - Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace.

A seca histórica da Amazônia em 2023 deverá ser superada em breve, por uma ainda maior neste ano. É como já prevêm pesquisadores e pastas do governo federal.

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No ano passado, diversos relatórios, incluindo o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), o Painel Científico para a Amazônia da USP e o World Weather Attribution (WWA), comprovaram que foram as mudanças climáticas as responsáveis pelo cenário da seca na bacia hidrográfica do rio Amazonas, que contempla o Brasil e mais 8 países, em cerca de 16 mil km² de águas.

O aquecimento global já provocou o aumento da temperatura dos oceanos, e as temperaturas médias de 2023 na região amazônica superaram 2 a 3 graus acima da média histórica, repercutindo nos eventos vistos na tragédia do Rio Grande do Sul e na seca da Amazônia no ano passado.

Em entrevista à Amazônia Real, o pesquisador Carlos Nobre, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo e co-presidente do Painel Científico para a Amazônia, explicou que aumentar mais de 2 graus acima da média pode sinificar levaar o corpo humano ao limite da vida.

“Em muitos locais na Amazônia, a temperatura e a umidade atingiriam aquele limite máximo do corpo humano em que as pessoas não podem sobreviver. Bebês e idosos sobrevivem meia hora quando passa desse limite que o corpo humano não consegue mais perder calor, com temperaturas muito altas, umidade alta, o corpo humano não perde mais calor. Uma pessoa saudável sobrevive duas horas, então corre o risco até na Amazônia no final deste século à segunda metade do século se ‘savanizar’ e a temperatura global chegar a dois graus e meio”, relatou.

A própria Secretaria Nacional de Mudança do Clima do governo federal espera uma seca ainda mais “terrível” em breve na Amazônia, pior do que a recordista do ano passado.

Por isso, o governo está se preparando para medidas de proteção e apoio a um evento assim. Durante seminário do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), a secretária nacional de Mudança do Clima, Ana Toni, narrou as medidas que estão sendo preparadas:

“O governo já está tentando se adiantar, entendendo que municípios provavelmente vão ser atingidos, que tipo de prevenção [será adotada]. Isso está sendo liderado pelo Ministério da Integração Regional, onde está a Secretaria de Defesa Civil, já pensando em ações de prevenção”, contou.

Do ponto de vista prático, a Defesa Civil do Amazonas já alertou que a seca este ano será tão ou mais severa que a registrada em 2023 e orientou a população a estocar água, alimentos e medicamentos para enfrentar o período.

Na média histórica, a estiagem na Amazônia ocorre no segundo semestre do ano, sobretudo entre outubro e novembro.

De acordo com a secretária do Clima, os custos de “perdas e danos” são superiores ao de mitigação, ou seja, aos investidos para evitar que desastres e situações assim ocorram.

Ela usou como exemplo a tragédia no Rio Grande do Sul, que irá acarretar “algo entre R$ 50 bilhões e R$ 100 bilhões” para a reconstrução do estado.

“Tem o custo da mitigação, tem o custo da adaptação das cidades brasileiras, da infraestrutura, da energia, da agricultura. Mas a gente já está vivendo o custo das perdas e danos”, narrou.

Leia mais:

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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