O Círculo Vicioso da Desigualdade
por Alfredo Pereira Jr.
Em toda a história humana, as interações sociais espontâneas geram uma desigualdade econômica, social e cultural, que resultam em sistemas de classes sociais. O Estado surge com uma ambiguidade de funções: por um lado, favorece o domínio de uma classe sobre outra, e, de outro, procura reduzir os danos que a desigualdade causa no tecido social.
Com a urbanização das populações humanas, as pessoas precisam de dinheiro para comprar comida, e demais bens de primeira necessidade, no mercado existente. No capitalismo, a classe despossuída só tem duas formas de conseguir isso: ou trabalhando para os proprietários, que investem seus recursos em busca de lucros que aumentem seu patrimônio, ou trabalhando para o estado, que pode atuar também em função da maximização do lucro dos proprietários, ou em programas sociais que gerem ocupação (formal ou informal) e renda, conforme metas estratégicas de desenvolvimento regional, nacional e/ou internacional, como é o caso da China.
Quando o estado, e demais instituições por ele financiadas ou apoiadas, atuam em função dos interesses dos proprietários, os despossuídos não tem a opção de agir com autonomia, pois de um modo ou de outro têm que servir aos interesses dos proprietários para conseguirem sobreviver. Isso gera uma “Síndrome de Estocolmo” social, na qual os explorados alucinam que os interesses dos exploradores são também seus interesses, e nesse vôo da imaginação terminam por votar e apoiar os políticos que atuam em interesse dos exploradores, e consomem a cultura e as ideologias que são do interesse dos exploradores.
O que eu quero argumentar aqui é que deste modo, acima delineado, se estabelece um círculo vicioso, do qual só se pode escapar por meio do investimento público maciço em empresas, públicas, sociais (sem fins lucrativos, como cooperativas de trabalhadores, que remuneram o trabalho e não o capital) ou mesmo privadas com fins lucrativos, que gerem emprego e renda para os trabalhadores, dentro de um projeto estratégico de desenvolvimento, regional ou nacional.
Se não houver iniciativas neste sentido, com amplo alcance logístico, as populações continuam presas ao círculo vicioso da desigualdade, que se estabelece não só no plano econômico, mas também político e cultural. Não é possível romper este círculo vicioso apenas na política e na cultura (incluindo educação), pois há a necessidade econômica de base que condiciona todo o processo. Apenas com a autonomia econômica, os trabalhadores conseguem exercer uma participação política verdadeiramente democrática, e formar uma cultura verdadeiramente humanista, voltada para a promoção das pessoas em geral, incluindo os mais vulneráveis, ao invés da cultura de competição que favorece o aumento da desigualdade, e que impera enquanto houver o círculo vicioso.
Alfredo Pereira Jr. – Professor de Filosofia da Ciência (aposentado) UNESP-Botucatu, Professor Credenciado no Mestrado em Doutorado em Filosofia da UNESP-Marília – Administrador registrado no CREA-MG – [email protected]
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DOUGLAS BARRETO DA MATA
28 de maio de 2024 7:54 amMarx, ou modernamente, Elin M. Wood já desmascararam essa forma de estado (re) distribuidor.
Não é possível equilibrar essa equação.
Ponto.
Rui Ribeiro
29 de maio de 2024 10:50 amCada vez mais os investimentos públicos e privados são canalizados para tecnologias poupadoras de mão-de-obra. A saída é a Revolução.
Rui Ribeiro
30 de maio de 2024 11:25 am“O Ibama chegou a ter praticamente 6 mil servidores, eu mesmo fui estagiário do Ibama, e era uma outra realidade. Hoje para compensar essa perda tão grande de quadro a gente está investindo muito em tecnologia, mas temos setores onde a falta de quadro hoje já é muito grave. Estamos com a esperança muito grande de poder ter no começo do ano, entre abril e maio, a realização do nosso concurso”, disse o Presidente do Ibama