6 de junho de 2026

Françoise Hardy, ícone da música dos anos 1960, morre aos 80 anos

Thomas Dutronc anuncia a partida da mãe, Hardy, que lutava contra o câncer linfático, deixando um legado musical e fashion marcante.
Thomas Dutronc anuncia a partida da mãe, Hardy, que lutava contra o câncer linfático, deixando um legado musical e fashion marcante.
Foto: Instagram, Thomas Dutronc

“Mamãe partiu”, assim foi como o músico Thomas Dutronc anunciou em seu Instagram a partida de sua mãe, a cantora francesa Françoise Hardy. Ícone da música dos anos 60, Hardy faleceu aos 80 anos de idade, em decorrência do câncer linfático que enfrentava nos últimos anos.

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Nascida em 1944, em Paris, Hardy iniciou sua carreira musical aos 16 anos, assinando contrato com a Disques Vogue, em 1961. Conhecida por hits que marcaram toda uma geração, como “Tous les garçons et les filles”, que interpretou com apenas 18 anos (1962), a cantora se tornou um grande nome da geração yé-yé-yé, influenciando tanto a Chanson francesa quanto o rock anglófono.

Criada ao lado de sua irmã mais velha, sob a ausência do pai, aquele que quase não contribuía para suas despesas e o pagamento da escola católica, anos mais tarde seria considerada a versão feminina de Johnny Halliday.

Sua vida e obra foram marcadas por um estilo musical melancólico, refletindo suas próprias experiências e sentimentos. “O amor é uma força marcante, ainda que seu preço seja o tormento perpétuo”, assim definiu Hardy ao sentimento que lhe permitiu escrever seus grandes sucessos. “Sem esse tormento, eu não teria escrito nenhuma canção”.

O amor de sua vida foi o também cantor Jacques Dutronc, com quem teve um filho e inspirou canções como “Message personnel”, de 1973, retratando a separação.

Sua ligação com o Brasil também foi significativa: a cantora francesa se apresentou no Brasil, em 1968, durante o III Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro, cantando “À quoi ça sert ?”. Gravou músicas em francês “Sabiá”, de Tom Jobim e Chico Buarque, e colaborou com artistas brasileiros, como a violonista Tuca.

Após sua apresentação no Rio, Hardy decidiu fazer um álbum com Tuca, cantora e compositora que tocava em um restaurante brasileiro em Paris. Hardy a conheceu através da amizade com a brasileira exilada Lena.

“La question” foi um divisor de águas no estilo de Hardy, sendo bem recebido pela crítica, mas um fracasso comercial. Apenas tempos depois, se tornou em objeto de culto para amantes do pop melancólico.

Hardy encerrou sua carreira musical em 1988, mas acabou retomando em 2000, apoiada por companheiros de sua geração.

Ícone da moda, fisico andrógino, cabelos longos e franja, vestidos futuristas metálicos do estilista Paco Rabanne. Foi modelo de revistas como Paris Match e registrada pelo fotógrafo William Klein.

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Dolores Guerra

Dolores Guerra é formada em Letras pela USP, foi professora de idiomas e tradutora-intérprete entre Brasil e México por 10 anos, e atualmente transita de carreira, estudando Jornalismo em São Paulo. Colabora com veículos especializados em geopolítica, e é estagiária do Jornal GGN desde março de 2014.

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