5 de junho de 2026

O Plano Safra e a tentativa de reaproximação de Dilma com o agronegócio

Do Valor

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Por Luiz Henrique Mendes e Bruno Peres

Em mais uma tentativa de se reaproximar do agronegócio, a presidente Dilma Rousseff lançou ontem a edição 2014/15 do Plano Safra, o mais importante instrumento de política agrícola do país. Apesar de celebrado pelo setor, o plano, com mais recursos e taxas de juros consideradas atraentes, não deverá ser suficiente para render mais apoio à reeleição da presidente, conforme fontes ligadas à bancada ruralista.

Em seu discurso na cerimônia de lançamento do Plano Safra, no Palácio do Planalto, Dilma ressaltou o diálogo com o setor durante a construção do plano, ainda que nem todos os pedidos tenham sido atendidos. “Escutar o que os produtores acham que deve ser feito é algo essencial para que saibamos como facilitar e não criar barreiras. […] Muitas vezes, não conseguimos atender inteiramente aos valores, mas encaminhamos os conteúdos pedidos”. A presidente tentará reforçar esse diálogo no fim de semana, quando receberá parlamentares ruralistas em jantar no Palácio da Alvorada.

De maneira geral, a elevação do volume de recursos destinados para o Plano Safra não destoou do padrão das últimas safras, em que pese ser este um ano eleitoral. Ao todo, o Plano Safra 2014/15 destinará R$ 156,1 bilhões em crédito rural para a agricultura empresarial, 14,7% mais que em 2013/14, quando foram liberados R$ 136 bilhões, valor 18% superior ao de 2012/13.

Aliada de Dilma, a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), avaliou positivamente o plano. Segundo ela, “praticamente todos os itens e solicitações da CNA” foram contemplados. Uma das reivindicações da entidade que ficaram de fora do plano fechado pelo Planalto foi a subvenção para o seguro rural. A senadora defendia que o montante destinado à subvenção alcançasse R$ 900 milhões, mas o governo manteve a linha em R$ 700 milhões.

Apesar dos afagos da senadora Kátia Abreu, o presidente de Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Luiz Carlos Heinze (PP-RS), fez duras críticas à presidente Dilma, apesar de considerar o Plano Safra positivo. Ao Valor, Heinze afirmou que “qualquer governante faria” o Plano Safra anunciado, uma vez que é o agronegócio que sustenta o comércio exterior do país, e não setores como o automotivo, frequentemente ajudado por Dilma.

Segundo Heinze, o governo Dilma mantém posicionamentos “ideológicos” em áreas de disputa do agronegócio com indígenas e quilombolas. “Esse é um dos pontos que eu não aceito e que outros tantos também não”. Ele também critica a política de controle dos preços da gasolina, que prejudica o segmento sucroalcooleiro. “O Tesouro pode bancar a Petrobras, mas o dono da empresa não consegue bancar uma usina de etanol”, afirmou.

Para o senador Waldemir Moka (PMDB-MS), que classificou o Plano Safra anunciado como “o melhor dos últimos anos”, a resistência do setor à presidente deriva de outros embates do governo com produtores rurais, sobretudo no que se refere à indenização de fazendeiros com títulos de posse em terras indígenas. “Há uma resistência do setor à presidente Dilma, isso é real. Demarcação de terras indígenas, por exemplo, é sempre uma aresta muito grande. Mas é inegável também que em relação a essa questão do Plano Safra, como em várias outras, ela tem sido próxima ao setor”, afirmou ele.

Heinze e Moka elogiaram a manutenção da taxa de juros na maior parte das linhas do Plano Safra, conforme enfatizou o ministro da Agricultura, Neri Geller, em seu discurso. Segundo ele, as taxas de juros oferecidas pelas linhas do Plano Safra ficaram até mais atrativas se comparadas à Selic. “Mesmo com a Selic passando de 7,5% para 11%, [as linhas de] custeio do Pronamp e Funcafé aumentaram 1 ponto percentual. Portanto, as condições são melhores”, disse Geller. Considerando todas as linhas do Plano Safra, a taxa de juros média ficou em 6,5%/ano.

Mas as taxas de juros competitivas terão um custo elevado, admitiu Geller. Pelas estimativas do ministro, o governo federal gastará de R$ 7 bilhões a R$ 10 bilhões para subsidiar os juros do Plano Safra. Segundo ele, o montante que o governo terá de desembolsar em subsídios é “muito superior” ao gasto em 2013/14.

Apesar desses gastos, a presidente Dilma defendeu a política. Segundo ela, são os juros controlados que permitem investimentos na agricultura brasileira. “Juros controlados é a realidade que viabiliza as políticas de investimento e custeio na área”, disse. Do total destinado pelo Plano Safra, 85%, ou R$ 132,7 bilhões, são ofertados com juros controlados.

Das diferentes linhas de crédito do Plano Safra, R$ 112 bilhões se referem a recursos para o financiamento do custeio e comercialização da safra. Outros R$ 44,1 bilhões estão programados para investimentos. Entre os destaques por linha de financiamento estão os recursos destinados para o médio produtor (Pronamp), que aumentaram 26,5%, para R$ 16,7 bilhões.

O Plano Safra marcou, ainda, a “revitalização” do Moderfrota, linha de crédito destinada à aquisição de novas máquinas agrícolas. Para o ciclo 2014/15, o governo disponibilizou R$ 3,5 bilhões, com juros de 4,5% ano, para produtores rurais com renda bruta anual até R$ 90 milhões e de 6% ao ano para os que têm renda anual superior a esse valor.

Conforme Geller, a “revitalização” do Moderfrota atende a uma reivindicação dos produtores e da Abimaq, entidade que representa fabricantes de máquinas agrícolas. “Veio ao encontro da expectativa do setor”, disse Milton Rego, vice-presidente da Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Por muito tempo, o Moderfrota foi a principal forma de financiamento de máquinas agrícolas, mas perdeu força com a entrada do Programa de Sustentação do Investimento (PSI, do BNDES), criado em 2009. Desde então, o Moderfrota vinha recebendo volume muito baixo de recursos para financiar a aquisição de máquinas agrícolas usadas.

Entre as vantagens da reativação do Moderfrota, está o fato de a linha seguir o calendário de ano-safra, diferentemente do PSI, que considera o ano civil. Com isso, evita-se a interrupção da formalização de novos contratos a cada virada de ano. E a “revitalização” do Moderfrota ocorre em um momento de indefinição sobre o futuro do PSI.

 

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8 Comentários
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  1. Mar da Silva

    20 de maio de 2014 2:58 pm

    E quem abastece a mesa do

    E quem abastece a mesa do brasileiro com produtos agrícolas? É o agroexportador? 

     

    Realmente, vindo do Valor, a reportagem não poderia ser pior.

     

    Ainda cita a fala do senhor contra terra indígena e quilombola.

     

    Segundo Heinze, o governo Dilma mantém posicionamentos “ideológicos” em áreas de disputa do agronegócio com indígenas e quilombolas.

     

    Áreas de disputa? Invadiram e querem disputar? Piada!

     

    É ou não é atentado a civilidade?

  2. Assis Ribeiro

    20 de maio de 2014 3:06 pm

    Que maldade o título, hein

    Que maldade o título, hein Nassif

    Todo ano tem plano e tem aumento.

    Turbinou mais um pouquinho?

    O que fazer se as turbinas dadas ao setor industrial não surtiram efeito?

    “O Plano Agrícola e Pecuário 2011/2012 contará com recursos de R$ 107,21 bilhões. Um aumento de 7,2% em relação à safra passada.”

    http://www.agricultura.gov.br/planoagricola

  3. Itamar Branco

    20 de maio de 2014 4:53 pm

    Reducionismo estúpido

    Óbvio que o Governo reconhece a importância do agronegócio para o país, para a balança comercial e para a mesa do brasileiro. Daí, com regularidade, anuncia medidas previstas no orçamento para incentivar e manter a evolução desse segmento econômico. É assim desde o tempo do império, da republica e dos periodos democraticos ou ditatoriais.

    Faz, quando necessário, o mesmo com a industria automobilística. A industria de linha branca está com estoques? Há ameaça de desemprego? O comercio está estagnado? O governo cria incentivos, reduz impostos, etc.

    Merece a crítica (subliminar, marota) de que está  “se aproximando” do agronegócio? Claro que não. De forma objetiva está colaborando com produtores e consumidores. Enfim, os governantes estão apenas cumprindo o papel para o qual foram eleitos.

    Moro num bairro classe media da zona sul. Rua sem asfalto até outro dia. Eu adorava o cheiro do ar apos uma chuva. Agora o Haddad ou o subprefeito, quem sabe, resolveu asfaltar. Acho que estão querendo me agradar, se aproximar para ganhar meu voto.

    Tenha a santa paciência! Vá para o inferno o jornalista vagabundo, mal intencionado e tendencioso do jornal Valor!

  4. Flics

    20 de maio de 2014 4:58 pm

    São os…

    … donos do Brasil… a Dilma é apenas mais uma empregadinha temporária, às vezes um pouco impertinente. Mas é isso o que eles pensam.

     

    Subsídio para seguro do agronegócio… já para o meu seguro saúde…

  5. JB Costa

    20 de maio de 2014 5:57 pm

    O que tem o agronegócio

    O que tem o agronegócio contra DIlma, mais especificamente contra os governos petistas? 

    Estranha, e muito, essa má vontade desse estamento. Será que elas não lembram do tratamento recebido antes de 2003?

    Pois eu lembro. E muito bem. 

    Nós do Banco do Brasil, a instituição responsável pela maior fatia do crédito de fomento para o setor primário, em especial a agropecuária, tínhamos dificuldades imensas com relação às dotações orçamentárias. Sempre aquém, mas muito aquém mesmo, das demandas. Em especial na rubrica “investimentos”. 

    Nunca recebíamos a dotação estipulada. Aí tome pressão nas agências e superintendências que, por sua vez, pressionavam a Direção do banco. Mas os tempos eram de arrocho; de férreo controle da demanda visando o controle da inflação e a formação de superávits fiscais. De dez demandados, chegavam três nas “pontas”. Nós, gerentes, vivíamos stressados com isso. Até mesmo as operações por conta do BNDES eram restritas. 

    A partir de 2003 tudo mudou de figura. A inflexão foi tão grande que até META. repito, META, recebíamos para aplicação dos chamados recursos subsidiados. Nós é que passamos a “implorar” aos empreendedores e proprietários rurais que demandassem mais por esses recursos. 

    Essa má vontade do agronegócio para com a Dilma é por ânimo ideológico. Índios, MST, e sindicatos são para esse estamento o capeta em figura de gente; inimigos viscerais. 

     

  6. jc.pompeu

    20 de maio de 2014 7:06 pm

    esses Safra cheios de Plano D

    esses Safra cheios de Plano D para tudo que dá lucro derivativo… é ouro, câmbio, religião, resseguro, agronegócio, crédito rural para MST…

  7. Fernando J.

    20 de maio de 2014 7:14 pm

    Sobre o FINAME MODERFROTA

    O Finame MODERFROTA, do BNDES, é a mais importante linha de financiamento de investimento do crédito agropecuário. Permite a aquisição de tratores, implementos e colheitadeiras, novos, em condições de prazos e juros amplamente favoráveis. 4,5% a.a. para renda anual até R$ 90 milhões (*) – abrange a maioria dos produtores -, e 6% a.a. para renda acima de R$ 90 milhões, taxas prefixadas, e prazo de até 8 anos, com até 2 anos de carência. Hipoteticamente, um crédito de R$ 1 milhão, ficaria assim: 

    Data do crédito (aquisição do bem): 20.05.2014 (o vencimento pode ser ajustado para a época da venda da safra -obtenção de receita -, basta aumentar a carência. Os juros são cobrados pelo sistema SAC – Sistema de Amortização Constante, isto é, incidem sobre o saldo devedor. Reposição em apenas 5 anos, com carência de 12 meses. 

                                             capital                 juros                  valor da parcela a ser paga 

    1ª parcela – 20.05.2015 – R$ 200.000,00 + R$ 45.000,00 = R$ 245.000,00 (4,5% sobre R$ 1 milhão)

    2ª parcela – 20.05.2016 – R$ 200.000,00 + R$ 36.000,00 = R$ 236.000,00 (4,5% sobre R$ 800 mil)

    3ª parcela – 20.05.2017 – R$ 200.000,00 + R$ 27.000,00 = R$ 227.000,00 (4,5% sobre R$ 600 mil)

    4ª parcela – 20.05.2018 – R$ 200.000,00 + R$ 18.000,00 = R$ 218.000,00 (4,5% sobre R$ 400 mil)

    5ª parcela – 20.05.2019 – R$ 200.000,00 + R$   9.000,00 = R$ 209.000,00 (4,5% sobre R$ 200 mil)

    Total a ser pago em 5 anos: R$ 1.135.000,00 (ou 13,5% sobre o valor do bem)

    (*) Em 2002, a taxa única de juros do Finame Moderfrota, para qualquer porte de produtor, era de “espetaculares” 10% ou 11% ao ano. 

  8. Jofran Oliva

    21 de maio de 2014 1:17 am

    Essa notícia me faz lembrar. . .

    Essa notícia me faz lembrar dos tristes anos de crédito rural do governo FHC que nem crédito rural suficiente havia para os produtores rurais.Naqueles anos eu trabalhava com crédito rural no norte do Paraná. Os agricultores só conseguiam financiar 60% de suas necessidades com juros do crédito rural e os restantes 40% eram financiados com juros altíssimos, o famoso “mix”. E o pior é que muitos ainda defendem FHC e sua turma de incompetentes do PSDB.

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