4 de junho de 2026

A hora e a vez do sistema de ciência e tecnologia, por Luís Nassif

A 5a Conferência contou com debate coordenado pelos físicos Sérgio Rezende, ex-Ministro de Ciência e Tecnologia, e Anderson Gomes, do CGCE.

O Judiciário se desmoralizou com a Lava Jato; os partidos políticos, com o Centrão; a mídia, como mãe de todas as desestabilizações; as Forças Armadas com o padrão Pazuello e Heleno. Se a ignorância atávica, e o complexo de vira-lata não se impuserem novamente, é a vez do sistema de ciência e da tecnologia. E o tiro de partida será a 5a Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, sobre a qual escrevi ontem em um momento em que a grande transformação da humanidade reside no setor.

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A 4a Conferência foi em 2010. Participei dela como convidado. Em 2013/2014, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia montou um documento precioso, de desenho do futuro, o chamado Livro Azul. Com a turbulência que atingiu o governo Dilma desde o 1o dia, perdeu-se nos escaninhos do governo.

Agora, a 5a Conferência poderá entregar o que falta para a consolidação da nova etapa do país: um plano com diagnósticos, uma discussão ampla por todo o país, e com um plano de ação detalhado.

Aliás, uma das entregas da conferência será um plano para o setor de Inteligência Artificial. Meses atrás, Lula solicitou um especialista para colocá-lo ao par do tema. Depois, encomendou ao CGCE um estudo completo para a implantação de um programa de IA no país. O resumo será apresentado na Conferência.

Não apenas isso.

A 5a Conferência foi precedida de um amplo debate coordenado pelo físico Sérgio Rezende, ex-Ministro de Ciência e Tecnologia, e pelo físico Anderson Gomes, diretor do CGCE. Muitas décadas atrás, ambos foram responsáveis por um programa inédito de levar inovação para pequenas empresas e agriculutra familiar, no governo Miguel Arraes.

Em 2010, houve várias conferências prévias e 6 conferências temáticas, além de 16 reuniões estaduais.

Este ano, a abrangência aumentou. Houve reuniões em todos os estados, 5 regionais e 18 reuniões temáticas. E criou-se a figura da Conferência Livre – ou seja, temas de live rescolha da comunidade acadêmica e de organizações da sociedade civil, que, depois de aprovadas, foram inseridas na conferência.

Houve uma avalanche de 157 conferências, comprovando dois fatos relevantes: a capacidade de organização da sociedade civil (um dos grandes ativos nacionais) e o interesse amplo de participar da reconstrução do país.

Com isso, atendeu-se a uma solicitação de Lula: “Não quero missões, quero que me digam o que a sociedade quer e o que podemos fazer”.

Houve a participação de mais de 70 mil pessoas online, e a consolidação dos estudos usando inteligência artficial, mas com curadoria humana. O resultado foram dois e-books, um com as temáticas e o segundo com as conferências livres. Serão subsídios para as discussões na conferência.

Não serão levadas propostas prontas e acabadas. A intenção da conferência será aprimorar as propostas, incluir novas visões.

Terminada a conferência, vai ser construído um documento que servirá de base para que Ministerio faça sua visão estratégica e plano de ação.

O grande desafio é como dar continuidade ao plano, para escapar da sina brasileira de projetos interrompidos a cada mudança de governo. A rigor, o único setor que se mantém invulnerável é a saúde, com o SUS (Sistema Únido de Saúde). Em algum momento, se terá que pensar em algo semelhante para o setor de CTI, para haver um guardião da continuidade.

Na China, montou-se um programa de 50 anos, com revisão a cada 5 anos, com metas a serem alcançados e definição clara das ações a serem implementadas. Em 2025, a meta é que ao menos 60% do PIB venham de ptodutos que tenham como base tecnologia e inovação. E o sistema de C&T chinês começou a ser montado há 30 anos.

Quando acabar conferência, haverá uma subcomissão de consolidação e documentação, para elaborar o equivalente do Livro Azul. Será um plano interdisciplinar, no qual o MCT será um ministério meio, e a implementaçào será do CNCT (Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia), de apoio direto ao presidente da República.

Repetem-se as experiência passadas, mas, agora, chegando mais perto da sociedade.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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3 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    24 de julho de 2024 11:27 am

    Essa é uma iniciativa importante. Mas irá pelo ralo se Haddad continuar agradando o mercado com cortes orçamentários que penalizam a população.

  2. evandro condé

    24 de julho de 2024 2:05 pm

    Como assim “o que a sociedade quer”? Em termos de ciência ela não quer nada. Há casos em que a massa pensante, sinto muito, tem de decidir entre pares.

  3. Marlene Carval

    10 de agosto de 2024 6:38 pm

    O debate foi entre pares. Não houve conferências nas praças, com a participação de gente do povo. Doutores e mais doutores competindo seus egos! Sequer a entrada in loco na 5a. Conferência foi, literalmente, livre. Ingressos apenas para os chegados… CT&I no Brasil ainda é para poucos, talvez por isso não é ainda Política de Estado. Em sendo de governo, a disputa nessa Seara, se alarga da Acadêmia para a Praça dos Três Poderes.

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