5 de junho de 2026

Preparando para o furacão das apostas online, por Luís Nassif

A regulamentação do jogo abriu espaço para o lado mais barra pesada das empresas formais pois criou um embeiçamento feroz com a política.

A legalização dos cassinos online é uma temeridade, que não foi adequadamente analisada pelo governo. Hoje em dia, as máquinas caça níquel estão espalhadas por todo o país, muitas vezes controlada por policiais. Há cassinos clandestinos por toda São Paulo. Seria fácil para a polícia reprimi-los.

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A lógica é que já existe a exploração ilegal de cassinos. Formalizando a atividade, esvazia-se a exploração pela contravenção e colocam-se as rédeas na economia formal.

De fato, ao longo do século máfias de vários países exploraram o jogo clandestino, a Cosa Nostra, da Sicília, a Chicago Outfit, de Al Capone, a Yazuka, do Japão, a Tríades chinesa, a Ndrangheta, da Calábria.

A regulamentação do jogo abriu espaço para o lado mais barra pesada das empresas formais. Isso porque, por ser uma atividade que depende fundamentalmente de regulação, criou um embeiçamento feroz com a política. É só analisar a atuação de Sheldon Adelzon, recentemente falecido, que financiava a campanha da ultradireita dos Estados Unidos e Israel, e aproximou-se da família Bolsonaro, a ponto de estimulá-los a transformar Angra dos Reis na Cancun brasileira. Um dos lobistas da GTech foi um candidato a vice-presidente dos Estados Unidos. No Brasil, ela se envolveu em propinas para Bugatti, homem da república de Ribeirão, e se associou a Carlinhos Cachoeira.

A regulação tem um conjunto enorme de contra-indicações.

  1. A lavagem de dinheiro vai explodir no país.

Historicamente, cassinos servem para lavagem de dinheiro. É só lembrar os anões do orçamento, o deputado que justificava o aumento de patrimônio alegando ter ganhado dezenas de vezes na Loteria Esportiva.

Só se lava dinheiro quando o cassino é legalizado. O deputado jamais alegaria que o aumento de riqueza foi por ganhos em um cassino clandestino. Como dois e dois são quatro, as organizações criminosas utilizarão essa legalização para lavagem de dinheiro. A Receita pode regular o CPF de quem joga. Mas não terá controle sobre os algoritmos do jogo. Uma coisa é uma loteria controlada pela Caixa Econômica Federal. Outra, é o controle difuso por mais de uma centena de bets.

  1. A explosão da doença social.

A legalização permite a entrada de outros grupos. Mas, enquanto os cassinos ilegais se movem nas sombras, os cassinos legais recorrem à chamada publicidade opressiva.

Aliás, mesmo antes da legalização, as bets já expunham o país a uma publicidade massacrante.

Os primeiros bets que apareceram no Brasil passaram a anunciar imediatamente na home de O Globo, no Jornal Nacional, e ainda levaram, de gorjeta, um artigo assinado por Nelson Motta, colocando-se na categoria de conventos beneditinos, como os locais mais vigiados e mais corretos da economia.

A busca desesperada de novos modelos de negócios, está levando os grandes grupos de comunicação – como a Globo – a se associar a gigantes.

A regulamentação da propaganda

E aí se entra no ponto central: a regulamentação da propaganda de bets.

Desde 2019, a Itália impôs uma proibição quase total sobre a publicidade de jogos de azar, incluindo sites de apostas. Conhecida como o “Decreto Dignidade”, essa lei proíbe a publicidade em todos os meios de comunicação, incluindo televisão, rádio, internet, e eventos esportivos. Exceções são feitas apenas para a loteria nacional.

A Bélgica proibe publicidade de jogos de azar na TV antes das 20 horas e proibe completamente dureante eventos esportivos ao vivo e em programas infantis. No ano passado, o país restringiu a publicidade online e em redes nacionais.

O Reino Unido proibe publicidade antes das 21 horas, exceto durante eventos esportivos ao vivo. E desde outubro de 2021 proibe influenciadores e celebridades que possam atrair menores de idade.

Na Espanha, a publicidade em TV e rádio é permitida apenas entre 1h e 5h da manhã. Em Portugal, a publicidade deve incluir mensagens de jogo responsável e não pode ser direcionada a menores de idade. É o mesmo padrão na França.

Já a Noruega mantém o monopólio estatal sobre jogos de azar.

Mas não é apenas a publicidade. Nos últimos anos, enquanto os gastos com apostas explodiram no Brasil, em outros países houve redução, graças a um conjunto de medidas.

No Reino Unido houve limites para apostas em terminais de jogo de probabilidades fixas. O limite máximo de apostas foi reduzido de 100 para 2 libras por rodada. O mesmo procedimento foi adotado pela Suécia.

Muitos estados na Austrália proibiram o uso de cartões de crédito para jogos de azar, tanto em cassinos físicos como em plataformas online. O mesmo ocorreu no Reino Unido.

A redução dos gastos com apostas em diversos países tem sido alcançada por meio de uma combinação de medidas regulatórias, educativas e tecnológicas. Essas medidas visam proteger os consumidores, prevenir o vício em jogos de azar e limitar os impactos negativos do jogo na sociedade. Aqui estão algumas das principais estratégias adotadas:

O Reino Unido também implementou o programa de autoexclusão “gamstop” que permite ao jogador bloquear seu acesso da todos os sites de jogos de azar licenciados.

Já na Suécia, há uma autoridade para jogos de azar que utiliza ferramentas de monitoramento para identificar comportamentos compulsivos. Esse mesmo sistema é adotado pela Noruega.

A Espanha e a Suécia proibiram bônus de boas-vindas

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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8 Comentários
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  1. OLECRAM.ATOJ

    22 de agosto de 2024 10:36 am

    Nassif toda a movimentação é para fazer o real depender do irreal explico melhor,MOEDA virtual bitcoin,LOJA virtual shopee,shein”LOCADORA”de vídeos youtube,conseguiram no Brasil inverter a dependência da internet dos cabos telefônicos agora o telefone é q depende da internet num sistema muito inseguro de comunicação e quem domina os sistemas da internet?Meia dúzia de empresários inescrupuloso bilionários,estão terceirizando governos e Nações onteiras a sistemad muito parciais dominado por estrangeiros é preciso ter os sistemas oficiais e em paralelo e sem dependência os sistemas atuais de informação e comunicação da internet,Mus.k é o q se mostra imaginem os q estão em oculto,coisa seríssima!!!!

  2. Mário Mendonça

    22 de agosto de 2024 10:40 am

    O governo liberou pensando na tributação, porém, o prejuízo sanitário será exponencial!

  3. Douglas Barreto da Mata

    22 de agosto de 2024 11:30 am

    O interesse de quem porta um argumento não o invalida.

    Mas é de bom tom que tudo fique claro, para que possamos entender certos aspectos.

    É inexplicável que Nassif esteja nessa cruzada contra os jogos on line, ou qualquer outro jogo.

    Não porque o jogo é bom ou ruim, não se trata de uma questão moral, mas simplesmente de compreender e responder o seguinte:

    O Estado vai dar conta de proibir o jogo?

    Claro que não, em lugar algum conseguiu.

    A criminalização funcionou? Óbvio que não.

    Dizer que o jogo se associa a máfias e outras atividades ilegais é de uma ingenuidade atroz.

    TODO o sistema capitalista tramita nessa zona cinzenta entre legal e ilegal, bancos, montadoras de veículos, fármacos, empresas de petróleo, etc.

    Em algum tempo, e por muito tempo, houve uma associação de grandes grupos privados com facções marginais do sistema, que depois, voltam para dentro da administração estatal.

    Iraque, Blackwater (mercenários), petróleo, etc.

    Caso Coroa Brastel.

    Lojas Americanas.

    Eu ficaria dias citando aqui, mas encerro com um caso bem legal:

    Carnaval-LIESA e toda a sociedade que se balança ao som das “escolas de samba”, máquinas de lavar dinheiro e imagem da contravenção.

    Ah, no Carnaval tudo certo né?

    Máquinas de caça-níqueis controladas por policiais?

    (risos).

    Então o problema são os pés de chinelo?

    Enquanto isso a roleta da extorsão monetária do BC nos mostra o que é verdadeiro jogo.

    Sinceramente, eu não esperava tanta pobreza conceitual em um assunto que, no fim das contas, é muito importante, porque pode abrir portas para rediscussão de outros temas onde o Estado tenta criminalizar e gera mais e mais violência e mortes.

  4. Paulo Dantas

    22 de agosto de 2024 6:13 pm

    E o site anuncia bets …

    Tudo bem , todo mundo o faz.

    1. Lourdes Nassif

      22 de agosto de 2024 8:03 pm

      O GGN não anuncia Bets. Se vc viu alguma publicidade, por favor nos avise para que possamos remover.
      Obrigada

      1. Paulo Dantas

        22 de agosto de 2024 9:31 pm

        Lourdes, deve ser algum robô , mas para mim aparece ( davbet por ex), não tenho apps de bets mas como acesso resultados de futebol devem ter marcado meu perfil.

        Sr. Google deve montar esta publicidade.

        Parabéns pelas matérias.

  5. José de Almemida Bispo

    22 de agosto de 2024 7:46 pm

    NENHUM JOGO é criado para o apostador. Uns mais, outros menos escandalosos, todos eles visam se propriar do fruto do trabalho alheio, da forma mais abjeta possível. Raspando a ladroíce, ou nela nadando de braçada. E sempre têm otários para cair no laço.

  6. alfredo machado

    24 de agosto de 2024 7:15 am

    A CEF abrirá a porta do inferno para um sem número de famílias. Participei da atividade durante décadas, onde aprendi muita coisa, uma delas é que o jogo só pode ser destinado a quem tem $$$, considero um crime liberar o jogo pra qq um, e aqui até mesmo o governo irá bancar, ou seja, será um polo ativo no inevitável banho de sangue que implodirá com inúmeras famílias. A memória da sociedade brasileira realmente é fraca, não conseguiu aprender coisa alguma com os bingos e agora, esta liberação será bem cruel. Se quer $$$, por que não ataca a turma da Selic, são 540 bi para o bolso da banca em 2024. E nem vou tocar no assunto Máfias Internacionais, outra novidade que chegará com a tal liberação.

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