22 de junho de 2026

Fernanda Torres é ovacionada no Festival de Veneza por atuação em ‘Ainda Estou Aqui’

Filme resgata a luta por justiça da viúva de Rubens Paiva, sequestrado e morto pelos militares durante a ditadura
Crédito: Divulgação

A atuação da atriz Fernanda Torres foi aplaudida de pé pela plateia do Festival de Veneza após a exibição do “Ainda Estou Aqui”, em que dá vida à Eunice Paiva, que passa 40 anos procurando a verdade sobre a morte do marido desaparecido, Rubens Paiva. 

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Dirigido por Walter Salles, o longa foi exibido no último domingo (1°) e concorre ao Leão de Ouro, prêmio principal do evento. 

Durante a entrevista coletiva, Fernanda disse que chorou muito entre as cenas, mas que as cenas foram cortadas, porque a direção do filme queria evitar o melodrama que envolve a tragédia familiar. 

“Ela [Eunice]  não queria chorar na rua com sua família ela não queria que seus filhos virassem vítimas da ditadura. acho que tentamos ser fieis a essa mulher que acreditava que a forma de lutar contra a ditadura e o autoritarismo era por meio da educação e da justiça”, afirmou a atriz. 

“Ainda Estou Aqui” é um filme inspirado na obra homônima de Marcelo Rubens Paiva sobre a história da família, em especial, da mãe, que após ter o marido levado de casa pelos militares e dado como desaparecido, tornou-se uma figura importante na luta contra o regime militar. Eunice Paiva morreu aos 89 anos, em 2018. 

A obra já é um sucesso de crítica internacional. Segundo o Deadline, a atuação de Fernanda Torres deve colocar a atriz na disputa por prêmios, 25 anos depois da indicação da mãe, Fernanda Montenegro, ao Oscar por Central do Brasil. Já o The Guardian descreveu a performance como incrível em um drama sombrio e sincero. 

Entenda o caso

em 1971, o ex-deputado federal Rubens Paiva foi sequestrado por militares e ficou desaparecido. Seu atestado de óbito foi emitido apenas em 1996, 25 anos após o sequestro. Apenas a partir do relatório da Comissão Nacional da Verdade, em 2014, é que a causa da morte foi confirmada: tortura.

Rubens Paiva dirigiu o próprio carro até o quartel. Eunice e a filha mais velha, Eliana, também foram presas, porém foram liberadas depois de poucos dias. Já o patriarca foi transferido para o DOI-Codi da rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro. Não sairia de lá vivo. Morreu em 21 de janeiro de 1971. 

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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