Pobre de direita, por Homero Fonseca
Há mais coisa entre o céu da esquerda e o inferno da direita do que imagina nossa vã filosofia.
O pobre de direita é um atestado da incompetência da esquerda.
Ou porque a esquerda, quando teve uma parcela de poder, não resolveu o problema da pobreza.
Ou porque os esquerdistas não sabem se comunicar com os pobres.
A expressão — pobre de direita — tão recorrente nas redes sociais, soa elitista, arrogante e preconceituosa. Desnuda um sentimento de superioridade moral de quem parece não estar entendendo nada. É o reverso da crença neoliberal na meritocracia.
Desconfio de que para cada pobre de direita se afogando no oceano político há na praia um esquerdista perplexo que não sabe nadar.
Homero Fonseca é pernambucano, escritor e jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Foi editor da revista Continente Multicultural, diretor de redação da Folha de Pernambuco, editor chefe do Diario de Pernambuco e repórter do Jornal do Commercio. Foi também professor de Teoria da Comunicação e recebeu menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Atualmente, dedica-se à literatura e mantém um blog em que aborda assuntos culturais.
Antonio Uchoa Neto
30 de agosto de 2024 10:29 amTambém há mais coisas entre o inferno da esquerda e o céu da direita do que imagina nossa vã filosofia.
O problema da pobreza não pode ser resolvido por quem tem apenas uma parcela de poder, e muito menos por quem tem todo o poder – a pobreza é condição sine qua non para que le tenha esse poder total.
Elitismo, arrogância, e preconceito não são sinais de superioridade moral; são a própria submissão à moral, que, seja ela qual for, é sempre encarada como algo cuja aplicação é universal e infalível; e nada existe mais falível e particular do que a Moral. Vejam a moral cristã, inexequível sob todos os aspectos – ou já ofereceste, prezado, a outra face a alguém que tenha te esbofeteado?
Moro em bairros pobres (eufemismo meu, recorrente, para não dizer, simplesmente, ‘sou pobre’) há mais de trinta anos, amigo. E digo-lhe, com pureza d’alma, que o pobre de direita existe. Se vier me visitar, aqui no Engenho Velho de Brotas, posso lhe apresentar a dezenas deles. Só não os chame de pobres, nem os trate como tais; ficam mortalmente ofendidos.
Homero Fonseca
3 de setembro de 2024 10:00 amA discordância é inerente ao debate. E às vezes decorre apenas do ângulo de visão. Acho perigosas as interpretações de que a culpa é do pobre por ser direita. Não explica um fenômeno social e não individual. É fenomeno mais amplo que as poucas linhas da minha postagem podiam abranger. Tem a ver com manipulação. O grande triunfo malévolo do opressor é fazer o oprimido aceitar a opressão e, em alguns casos, como o dos “pobres de direita”, levá-los até a defendê-la. O fascismo, como fenômeno de massa, se baseia nisso. Entretanto, caro Antônio, fico feliz pelo nivel civilizado das suas colocações. Essa resposta vale para todos os comentários seguintes.
MARTHA MASSAKO TANIZAKI
30 de agosto de 2024 3:00 pmO buraco que ocasionou a existencia do pobre de direita é bem abaixo. O andar de cima sempre quis pobres ignorantes contando sempre com a colaboração dos seus governos de direita. A religião deu sempre uma ajuda fundamental, no passado os católicos e hoje os evangelicos
emerson57
30 de agosto de 2024 3:46 pmO povo precisa saber, antes do que é esquerda ou direita política, o que é “pobre”.
Vou tentar definir: Pobre é quem:…
Tem menos de 200 empregados….Não troca a sua aeronave há mais de 2 anos….Paga mais juros do que recebe…. Mora em apartamento….não dá “bom dia” à porteiro, etc.
Roberto Quintas
31 de agosto de 2024 10:42 amEu discordo. O termo pobre de direita apenas aponta para a incongruência da pessoa que se encontra na pobreza sustentar idéias da direita, estrutura política que é a causa da pobreza.
Marcelo Bonini
2 de setembro de 2024 9:42 amPobre de direita eh um atestado da falência do ensino publico no pais.. isso sim