Um artigo publicado na revista The Lancet, na última segunda-feira (16), estima que até 2050, as bactérias multirresistentes a antibióticos podem causar 208 milhões de mortes em todo o mundo.
Também conhecidas por superbactérias, esses patógenos são um dos principais desafios da saúde pública no planeta e demandam medidas internacionais para combater este risco à saúde global, concluíram os autores do estudo.
Realizada em 204 países entre 1990 e 2021, a pesquisa analisou 22 patógenos (agentes biológicos que causam doenças), 11 tipos de infecções causadas por essas bactérias e 16 categorias de medicamentos.
A partir desta análise, os pesquisadores estimaram que, nos próximos 25 anos, 39 milhões de pessoas virão à óbito por causas relacionadas aos patógenos, enquanto outros 169 milhões de pacientes não resistirão às infecções causadas por eles.
Prevenção
Uma das medidas sugeridas para evitar tantas perdas é investir na prevenção de infecções, especialmente entre idosos com mais de 70 anos, mais vulneráveis às infecções resistentes pois costumam apresentar múltiplas doenças.
Neste aspecto, um modelo a ser seguido está nas políticas voltadas às crianças menores de cinco anos. Entre 1990 e 2021, a mortalidade decorrente de infecções geradas por superbactérias foi reduzida em mais de 50%, graças aos programas de vacinação, acesso à água potável, saneamento e higiene.
O uso inadequado de antibióticos também deve ser evitado, assim como a situação demanda o investimento na pesquisa de novos antibióticos.
OMS
Há um ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um relatório para incentivar o desenvolvimento de novos tratamentos antibacterianos, uma vez que a indústria farmacêutica está abandonando pesquisas neste segmento.
Naquela época, havia apenas 77 estudos estão em andamento, sendo que a maioria deles deriva de antibióticos já existentes no mercado.
De acordo com o relatório, um dos principais entraves para o investimento em pesquisas contra as superbactérias é a rapidez com que elas se tornam resistentes a novos medicamentos, fazendo com que o portfólio da indústria se torne obsoleto e comprometa o retorno financeiro.
Em contrapartida, as maiores farmacêuticas preferem investir em novos tratamentos para a área oncológica, que se mostra mais lucrativa.
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