Às 3 da manhã deste domingo (22), soldados israelenses fortemente armados invadiram e fecharam o escritório da Al Jazeera em Ramallah, na Cisjordânia. A equipe foi expulsa do local com a autorização de levar apenas pertences pessoais.
A programação da televisão estava ao vivo quando as tropas invadiram a sucursal e a ocuparam depois de entregar ao chefe, Walid al-Omari, um aviso para as atividades.
De acordo com a Al Jazeera, a ordem partiu da autoridade militar israelense, ainda que o escritório esteja em uma área de controle palestino, conforme os Acordos de Oslo.
Esta não é a primeira vez que Israel empreende ações em áreas ade controle palestino, uma vez que, independentemente da jurisdição legal, Israel agiu impunemente em toda a Cisjordânia ocupada.
Invasão
Israel tem frequentemente visado a Al Jazeera e os seus jornalistas, chegando, inclusive, ao ponto de os matar, a exemplo de Shireen Abu Akleh, Samer Abudaqa, Ismail al-Ghoul e Rami al-Rifi.
“Isto está muito alinhado com a política do Estado de Israel desde 1948 para evitar notícias reais sobre os palestinos ou sobre o que o Estado de Israel está a fazer aos palestinos, colonizando-os, prendendo-os e torturando-os”, explica Rami Khouri, bolsista da Universidade Americana de Beirute.
A ordem de fechamento acusa a Al Jazeera de incitamento e apoio ao “terrorismo”. Khouri disse que a Al Jazeera é “o principal instrumento para informar o mundo sobre” as violações de Israel no território palestino.
Toda a equipe que trabalhava na agência durante a noite foi instruída a sair. Inicialmente, eles foram informados diante das câmeras que deveriam sair com seus pertences pessoais e câmeras. No entanto, eles tiveram que deixar as câmeras no escritório.
Jivara Budeiri, da Al Jazeera, que estava trabalhando quando o ataque aconteceu, disse que o grupo israelense que invadiu o escritório incluía engenheiros, o que a fez temer que os invasores também tivessem vindo para destruir os arquivos da agência.
Os soldados permaneceram nos escritórios durante algumas horas, durante as quais a única coisa que pôde ser observada foi alguns deles rasgando uma grande faixa do jornalista árabe da Al Jazeera assassinado, Shireen Abu Akleh.
Ninguém ficou ferido. No entanto, os profissionais ficaram horas parados na rua, sem conseguir recuperar os próprios carros. Nenhum deles “ousou” cobrir a invasão, tendo em vista ameaça imposta pelos soldados.
Depredação
Além de destruir objetos, entre eles a faixa em homenagem a um dos jornalistas mortos, os soldados também dispararam bombas de gás lacrimogêneo por toda parte.
O escritório da Al Jazeera foi isolado por duas placas de metal na entrada, instaladas pelos soldados israelenses.
*Com informações da Al Jazeera.
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JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
23 de setembro de 2024 7:21 amA motivação para fechamento da Al Jazerra pelos israelense, é contraditória, pois não temos notícia que a Al Jazerra tenha apoiado o estado terrorista israelense.