Um debate promovido pelo Flow Podcast, na noite desta segunda-feira (23), entre os principais candidatos à prefeitura de São Paulo pareceu seguir as linhas gerais do bom senso, porém – mais uma vez – o encontro entre os adversários terminou de forma caótica e violenta por causa do comportamento do influenciador Pablo Marçal (PRTB) e de sua campanha.
O debate, ao vivo, foi o primeiro realizado por um grupo da internet e contou com a parceria do Grupo Nexo e da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). O encontro, mediado pelo jornalista Carlos Tramontina, teve quatro blocos, sendo três com perguntas e um último reservado para as considerações finais dos candidatos.
Em meio aos recentes episódios de ataques e agressões em debates, o evento não permitiu embates diretos entre os adversários e contou com advertências. Devido ao modelo, os candidatos de fato tiveram que apresentar propostas aos eleitores paulistas, entre eles Guilherme Boulos (PSOL), Ricardo Nunes (MDB), Tabata Amaral (PSB), José Luiz Datena (PSDB) e Marina Helena (Novo).
Os políticos passearam por diversos temas, desde a questão da educação, passando pela problemática da segurança pública, além das questões sobre saúde, acessibilidade, meio ambiente, entre outros assuntos. Em comparação com debates anteriores, a transmissão de ontem foi a mais produtiva, levando em conta as poucas acusações e xingamentos entre os adversários.
Os primeiros dois primeiros blocos foram marcados pela apresentação de propostas. Tabata foi a primeira a fazer uma provocação, expondo que Nunes deve deixar a gestão municipal com os piores resultados no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O atual prefeito, por sua vez, alegou que os números são reflexos das dificuldades da pandemia.
Falando em pandemia, Marina foi questionada como atuaria no comando da cidade no caso de um novo surto sanitário. Sem respostas, ela criticou o governo Lula sobre a situação da dengue. Marçal respondeu a mesma pergunta e não surpreendeu ao dizer que “Bolsonaro fez todas as coisas que ele fez tentando acertar” e que o “passaporte sanitário” oprimia a população.
A tensão tomou conta dos estúdios a partir do terceiro bloco. Marçal e Boulos apresentaram propostas para o problema da poluição. Até que, na tréplica, o influenciador passou a atacar o deputado, dizendo que ele é “o único que não tem chance nenhuma de vencer a Prefeitura de São Paulo”.
Datena, na maior parte do tempo, se limitou em rebater Marçal e foi o primeiro a receber uma advertência. Devido aos ataques, o influenciador teve o único direito de resposta concedido no debate.
Confusão
No último bloco do debate, o clima ficou caótico. Cada candidato teve dois minutos para fazer suas considerações finais e Marçal foi o último a falar.
Com apenas 40 segundos para acabar sua fala, ele começou a atacar Boulos dizendo que ele iria parar na “cadeia”. O mediador interrompeu Marçal e aplicou uma advertência, ressaltando que o candidato estaria utilizando os últimos momentos do debate para “abaixar o nível”.
Ao retomar a fala, Marçal disse que “também vai prender” Nunes. Mais uma vez, ele foi interrompido e advertido por Tramontina. Quando restavam apenas 15 segundos de fala, ele retomou a acusação e chamou o atual prefeito da cidade de “banana“. O influenciador, então, foi advertido e expulso do debate.
Em seguida, uma confusão tomou os bastidores e a transmissão foi interrompida momentaneamente. Tramontina retomou o evento, já sem a presença dos candidatos, e contou que o marqueteiro de Ricardo Nunes, Duda Lima, tinha sido agredido com um soco no rosto.
“Não consegui fazer o encerramento do debate pois tive que paralisar para excluir o candidato Pablo Marçal, que reiteradamente desrespeitava as regras. Na saída dele, houve uma confusão e um assessor do candidato Ricardo Nunes foi agredido, levou um soco no rosto e está sangrando bastante neste momento“, disse Tramontina.
Segundo informações da TV Globo, o agressor é o videomaker da campanha de Marçal, Nahuel Medina. Ele e Duda Lima foram encaminhados ao 16º Distrito Policial (DP), após a polícia ser acionada. O marqueteiro de Nunes também foi ao hospital e levou seis pontos no ferimento.
Todas as demais campanhas deixaram claro a indignação pela situação. Marçal, por sua vez, saiu em defesa de seu funcionário e curiosamente, falou que falta “inteligência emocional” nas pessoas e que por isso uma de suas propostas é nesse sentido.
Vale ressaltar também que antes mesmo da transmissão oficial começar, Marçal e Nunes já tinham trocado farpas pelos corredores. O influenciador chamou o prefeito de “tchutchuca do PCC” e “vagabundo”. Já Nunes o chamou de “condenado” e “bandido”.
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