10 de junho de 2026

Em breve, o Brasil de Pedro Malan proclamará a Monarquia, por Luís Nassif

Chegará o dia em que o país celebrará a volta à Monarquia, porque já conseguiu ser mais atrasado do que na República Velha

O problema brasileiro é a extrema incompetência da classe dirigente. No período do Real, a classe dirigente eram os economistas que implantaram o programa, mais o Ministro da Fazenda Pedro Malan.

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Dia desses, Malan foi anunciado como professor de um curso online da UOL. No curso, ele vai ensinar como o país pode se desenvolver. Ponto essencial é o desenvolvimento da tecnologia e da inovação, ensina ele.

No período em que podia mudar a realidade brasileira, Malan foi autor de uma das frases mais tolas sobre inovação. Para que investir em inovação, dizia ele, se uma máquina importada já traz todos os avanços tecnológicos.

Certamente, tamanha tolice não entrará nas suas aulas atuais. Mas, analise-se a queima de estatais.

A Telebrás tinha um centro de tecnologia exemplar. Além de investir na fronteira do conhecimento tecnológico, dava a possibilidade de setores inteiros nacionais investirem e crescerem tecnologicamente.

Quando o setor telefônico foi rifado, o Brasil já possuía uma central digital de baixo custo, que poderia ser exportada para países emergentes. O centro de pesquisas da Telebrás trabalhava com os novos modelos de vídeo, pesquisava  ferramentas explorando o GPS – que, em outros países, resultaram em empresas como o Uber.

Os empresários que desenvolviam projetos venderam suas fábricas, embolsaram o dinheiro e se tornaram rentistas. Deixaram de ser engenheiros para se tornarem financistas. Ficaram mais ricos, e o país mais pobre.

E o brilhante Malan supondo que a tecnologia embarcada em um produto importado substituiria formação técnica, desenvolvimento tecnológico.

De lá para cá, nada se aprendeu. Durante algum tempo, a Companhia Vale do Rio Doce almejava agregar valor, montar siderúrgicas e produzir aços especiais. O setor elétrico avançava de forma integrada, entregando ao setor produtivo a energia mais barata do planeta.

Tudo isso foi jogado ao mar, sem nenhuma preocupação com um projeto de país. Essa é a tragédia brasileira! O desenvolvimento é fruto de um conjunto de decisões econômicas. No Brasil, qualquer decisão relevante depende de um jogo de interesses imediatos.

Com a conspiração do impeachment, o mundo dos negócios se impôs definitivamente.

É bê-a-bá de desenvolvimento o critério de ampliação da capacidade produtiva do país. Por aqui, montou-se uma enorme campanha sobre a necessidade de refinarias. Serviu apenas para vender refinarias estatais na bacia das almas, sem agregar um litro sequer ao refino do petróleo.

Falou-se na necessidade da competição na distribuição de derivados. E a saída encontrada foi privatizar a BR Distribuidora. A única diferença foi de que o lucro da distribuidora estatal – que servia de rede de segurança para os riscos da prospecção – tornou-se lucro privado. E o dinheiro da venda foi distribuído para acionistas, na forma de dividendos. 

Em breve chegará o dia em que o país celebrará a volta à Monarquia, porque já conseguiu ser mais atrasado do que na República Velha.

O vício das bets

As bets e sites de sorteio foram autorizados a operar com Michel Temer, presidente de negócios. Foram mais de 6 anos se espalhando por todo o país. Aí o Ministro Fernando Haddad anuncia sua regularização e o mundo cai em sua cabeça. É como se a inadimplência gigantesca trazida pelo jogo tivesse nascido da noite para o dia.

E o Banco Central monta suas estatísticas, descobrindo desvios no Bolsa Família, em muitas contas em valores muitos superiores à capacidade de pagamento do CPF. Obviamente, grande parte dessas apostas são de CPFs falsos, contas falsas – de setores sob fiscalização do BC.

As bets e sites de apostas precisam ser proibidos, sim, para bem da saúde nacional. Agora, jogar a inadimplência atual nas costas do anúncio da regulação é um jogo tão viciado quanto os games de aposta.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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12 Comentários
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  1. Milton

    30 de setembro de 2024 7:57 am

    Faz tempo que a esquerda e nacionalistas em geral perderam a batalha como explicitado acima.
    As grandes lideranças nacionalistas de hoje tem medo das alturas, caminham a passos lentos em direção a horizontes pequenos.
    Em que pese eleitor de Lula não posso deixar de criticar sua falta de arrojo e destemor na condução do país. Criou-se reconhecendo o caminho das pedras entre adversários e não avançou mais do que isso.
    Nele faltam a coragem e a visão de Getúlio Vargas, Leonel Brizola, Celso Furtado, Miguel Arraes e outros lutadores pela nacionalidade.
    Lula é essencialmente um ser político e não um visionário ou construtor além de pequenos atos.
    Não se espere grandes obras ou idéias arrojadas.

    1. José de Almeida Bispo

      30 de setembro de 2024 1:15 pm

      Getúlio, o refundador, teve o Império voltando para si mesmo e despreocupado com o resto do mundo, já suas travessuras o havia levado às cordas. Por quase dez anos. Brizola, Furtado e Arraes, entre poucos outros nunca foram muito além das ideias, e às vezes, atropelando-as, inconsequente. Lula é um pragmático. Se dar pra ir, não se cochile; se não dar, administremos “como entre as cobras”.
      Assim vejo.

      1. Milton

        1 de outubro de 2024 10:53 am

        Getúlio foi ditador e presidente. Como ditador um horror como presidente refundador, com outra conotação – ? – siderurgia, petróleo e legislação trabalhista. Nenhum fez mais do que ele.
        Brizola e Arraes foram tolhidos pela “redentora”.
        Pragmático serve bem a Lula, que tem meu voto e apoio mas, creio, poderia ser mais Arraes e Brizola.
        Também concordo com a “volta ao império” com a ressalva de que seguimos sendo colônia para uns e/ou quintal para outros, desde 1500.

    2. EDUARDO PEREIRA

      30 de setembro de 2024 3:35 pm

      Bom mesmo e o debate de ideias. Então vamos lá. Uma coisa que se vc não sabe, vou apontar. Congresso 2024: 23 partidos. Só o PL tem 92. Ou seja , Governo tem ninoria no Congresso que e anti Governo por principio. Outro ponto: Campos fazendo politica no Bacen e Selic la na casa do chapeu. E… arcabouço fiscal pra segurar os investimentos e luta contra o orçam,ento secreto ,para, ao menos, organizar a suruba.
      Com esse quandro e ainda sabendo que tem partido que, mesmo com ministro, vota junto da Oposição, haja habilidade e vontade politica. E isso o Lula nunca vai perder

  2. José de Almeida Bispo

    30 de setembro de 2024 8:46 am

    Um dos trabalhos contemporâneos, mais críticos sobre a República Velha, a que já tive acesso foi escrito pelo meu conterrâneo Silvio Romero, em 1908, publicado na Revista do IHGB.
    E Silvio Romero teve como esporte favorito bater no meu outro conterrâneo, Manuel Bomfim.
    Romero, Malan, FHC… todos da escola de Rui Barbosa: critique tudo que está errado com veemência e elegância. Sem tocar nas causas, obviamente. E o Brasil nada mudará e serei ovacionado nos salões nobres. HIPÓCRITAS!
    (Kkkkkkkkkk o corretor automático ia grafando “Malandro”, como o chamava a minha vizinha, saudosa D. Zizi, nos anos 90, quando Malan era o nosso Alan Greenspan, o devoto de Ayn Rand.)

  3. Thiago Fernandes Ladeira

    30 de setembro de 2024 12:14 pm

    “A melhor política industrial é não ter política industrial”, disse, certa vez, essa mesma criatura.

  4. evandro condé

    30 de setembro de 2024 7:17 pm

    Se for on line e admitir perguntas ou levantamento de questões, uma boa oportunidade para inquirir.

  5. Cidadão sem cidadania

    30 de setembro de 2024 9:07 pm

    Pedro malan, foi colocado para fazer o que os poderosos mandaram e fez, hoje Pedro malan é um milionário feliz, mora bem, o povo está e estará ruim.

    Obs importantes, em nenhum país do mundo há, uma destruição sem a autorização dos comandantes militares, isso é um fato histórico da humanidade, Pedro malan nunca foi gênio ou algo parecido, mas é esperto.

  6. Anônimo

    1 de outubro de 2024 5:32 am

    Nassif insiste na inocência em dizer que nossa classe dirigente é incompetente. Ao contrário, foram muito eficazes no processo de transformação do Brasil num país totalmente dependente e subdesenvolvido. Consequentemente, tornaram-se os novos burgueses da modernidade. O plano foi perfeito.

  7. AMBAR

    1 de outubro de 2024 11:43 am

    Lapada seca. Não é à toa que Pedro tem esse sobrenome. Foi a serviço do império do norte que fez do país o que o império preconizava. Brasil, sempre de novos recomeços e a cada mandato novos tropeços, já é uma monarquia, e Lula, por mais que se esforce, só pode agir, no máximo, como a rainha da Inglaterra. Não tem força política e nem apoio para qualquer ação que favoreça o país.

    1. Cidadão sem cidadania

      3 de outubro de 2024 2:02 pm

      Pedro malan fez o que a classe dominante quis, não foi o império norte americano, isso já passou dos limites culpar o império, tudo foi entregue com as bênçãos da classe dominante civil e militar brasileiras, a responsabilidade é do Brasil, assim como Dilma deixou a lava jato destruir tudo, assim como Dilma começou a entrega do pré sal e hoje Lula continua a entrega do pré-sal, um povo que não consegue ver a sua própria responsabilidade está fadado a miséria.

  8. Maroia Helena Ferrari

    3 de outubro de 2024 1:03 am

    Venho comunicar aos senhores que a matéria do Jornal GGN sobre a repercussão internacional da suspensão do X(“Mundo elogia Brasil por suspender X e iniciar discussão sobre Big techs”, escrito pela jornalista Patrícia Faermann) está sendo sistematicamente censurada pelo Facebook. Já tentei compartilhar duas vezes e por duas vezes foi removida. Alegam que tentei obter curtidas e seguidores, compartilhamentos ou visualizações de vídeos de maneira enganosa.
    Além de falsa, a alegação deliberadamente ignora a autoria do artigo, imputando-lhe a categorização de Spam.
    Já apelei, não sei se irão reconhecer o erro. Mas não é a primeira vez que vejo artigos do GGN serem censurados.
    Agora acaba de acontecer o mesmo com este artigo sobre Pedro Malan.
    Espero que você atuem junto ao Facebook.

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